Modelo De Resenha Abnt - Modelo De Resenha Abnt Braincpmodelo De Relatoria Abnt
Modelo De Resenha Abnt Braincpmodelo De Relatoria Abnt

O que é e como montar uma resenha acadêmica

A resenha crítica é um texto de análise e avaliação de uma obra — livro, artigo, filme, peça teatral — escrito com base em leitura atenta e conhecimento do campo de estudo. Não é um resumo. O erro mais comum que vejo é gente confundir os dois e entregar um parágrfo sinóptico disfarçado de crítica. A diferença prática é simples: resumo reporta o conteúdo, resenha julga com fundamento.

modelo de resenha abnt

A ABNT não publicou uma norma exclusiva para resenha, mas o formato segue as diretrizes gerais da NBR 6024 para resumos e sinopses, combinado com as regras da NBR 6028 para artigos de periódicos e a NBR 10520 para citações e referências. Na prática, a estrutura que funciona é esta: 1. Identificação da obra resenhada — no topo ou logo após a referência completa, você indica o que está sendo analisado: autor, título, edição, local, editora, ano, número de páginas. A referência segue a NBR 6023.

2. Indicação do resenhista — nome, titulação e vínculo institucional. É obrigatório para dar credibilidade ao julgamento. 3. Estrutura do texto — introdução com contextualização da obra e tese central; desenvolvimento com análise dos argumentos, metodologia, acertos e limitações; conclusão com balanço da contribuição da obra ao campo.

4. Referências — lista das obras citadas, seguindo a NBR 6023. Se você citou o próprio livro resenhado, ele entra na lista, é claro. Quanto ao tamanho, não há regra fixa. A maioria dos programas de pós-graduação pede entre 5 e 15 folhas. Revistas científicas costumam limitar a 3.000 ou 4.000 caracteres. Verifique antes de começar, porque recortar 4.000 caracteres em 2.000 é uma experiência que ninguém merece no prazo final.

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O que as pessoas ignoram é que a ABNT exige formatação padronizada no corpo do texto: fonte Arial ou Times 12, espaçamento 1,5, margens 3 cm superior e esquerda, 2 cm inferior e direita. Parágrafos com recuo de 1,25 cm na primeira linha. Citações longas (mais de 3 linhas) ficam em fonte 10, recuo de 4 cm da margem esquerda, sem aspas. Isso é NBR 10520. Eu já vi banca rejeitar resenha só por causa de espaçamento incorreto, e não era uma questão estética — a norma simplesmente não permite variação. Um problema específico que encontrei na prática: quando a resenha é publicada em periódico, muitas revistas exigem também o resumo em inglês e as keywords. Eu costumava deixar isso para o final e, numa ocasião, precisei refazer tudo porque o sistema de submissão pedia o abstract antes do texto completo. Aprendi a escrever o resumo em português primeiro, traduzir para o inglês mantendo os termos técnicos corretos — "crítica" vira "critical review", não "critique", que tem conotação negativa em inglês acadêmico — e só depois finalizar o corpo do texto. Isso economiza cerca de duas horas de retrabalho.

Pontos que ninguém explica direito

O primeiro é a questão do tom. Resenha acadêmica pede terceira pessoa ou primeira do plural ("verificamos", "observamos"). Evite "eu achei" ou "Gostei muito". O julgamento precisa ser embasado, não sentimental. Use argumentos ligáveis à tradição da área, não a gosto pessoal. "A obra é boa" não argumenta nada. "A obra apresenta lacuna na fundamentação teórica ao não dialogar com autores-chave do campo X" é avaliável e defensável. O segundo é a distinção entre resenha crítica e resenha especializada. A crítica faz julgamento livre com base em critérios amplos. A especializada, mais comum em periódicos, exige domínio técnico da área e avalia a obra segundo parâmetros internos ao campo. Ambas seguem o mesmo modelo de formatação, mas o nível de exigência argumentativa é diferente. Se você não domina a literatura do tema, a resenha especializada vai expor suas limitações com clareza. Nisso eu tenho experiência própria: tentei resenhar um livro de economia comportamental fora da minha área e minha banca pediu reformulação porque os critérios de avaliação não correspondiam ao padrão do campo.

Outro detalhe prático: a referência da obra resenhada deve aparecer tanto na seção de identificação inicial quanto na lista de referências ao final. A NBR 6023 não faz exceção para esse caso. Muita gente esquece a segunda aparição e a banca marca erro.

Limitações do modelo

O modelo ABNT para resenha tem uma fraqueza clara: ele é genérico demais. Não especifica critérios de avaliação, não define estrutura fixa de seções e deixa muita coisa a cargo do critério do avaliador ou da revista. Isso significa que dois orientadores podem dar instruções completamente diferentes para a mesma norma. A única maneira de contornar isso é consultar as normas específicas do programa ou da revista antes de começar. Não adianta seguir a ABNT cegamente e descobrir no final que a revista pedia algo diferente. Se o seu objetivo é uma resenha para publicação em periódico internacional, o modelo ABNT não é o padrão. Você vai precisar adaptar para o estilo da revista — APA, Chicago, Vancouver, dependendo da área. Usar ABNT nesse contexto pode ser um travão, não um benefício.

Checklist prático

Antes de enviar, verifique: referência completa da obra resenhada; nome e qualificação do resenhista; formatação conforme NBR 10520; citações com autor-data ou numeração conforme exigido; lista de referências com todas as obras citadas; resumo em português (se exigido); abstract e keywords (se exigido pelo periódico); número de folhas dentro do limite. Leve uns 20 minutos para essa verificação e economiza dias de correção depois. Se precisar de um template pronto, muitos programas de pós-graduação disponibilizam no site do departamento. A universidade federal onde faço vínculo costuma ter um arquivo .doc com a formatação já configurada. Baixe, adapte e economize tempo de formatação manual que, no fim das contas, não contribui para a qualidade do conteúdo.