Mulher Maravilha 2 - Mulher-Maravilha 2 | Gal Gadot compartilha primeira imagem da heroína ...
Mulher-Maravilha 2 | Gal Gadot compartilha primeira imagem da heroína ...

O que realmente acontece em mulher maravilha 2

A maioria das pessoas que assistiu o filme acha que é só uma aventura de super-herói com efeitos caros. Não é. É um estudo sobre desejo, poder corrupto e o peso de carregar o mundo nos ombros, filmado dentro de um estúdio da Warner na Londres dos anos 80, com cenários práticos pintados à mão por equipes de artistas que levaram meses. A diferença entre o primeiro filme e este é brutal de se notar. O primeiro era uma guerra. O segundo é uma tragédia grega disfarcada de blockbuser. O argumento gira em torno do Desejo Stone, uma artefato que concede desejos mas cobra um preço. Gal Gadot volta como Diana Prince, Chris Pine como Steve Trevor, e Pedro Pascal como Maxwell Lord, um magnata da mídia que se torna o vilão. A coisa interessante aqui é que o conflito não é resolvido com socos. É resolvido com sacrifício. Diana precisa dar as coisas mais preciosas que tem para salvar o mundo. O filme chega a 151 minutos e, honestamente, ele precisa de cada um. A segunda metade é construída inteiramente sobre tensão emocional, não ação.

mulher maravilha 2 e a questão da direção de arte

Patty Jenkins contratou o diretor de arte Helen Jarvis, que trabalhou em filmes como "I, Tonya" e "Pride". A decisão de ambientar em 1984 não foi casual. Foi estratégico. A Guerra Fria, o consumismo desenfreado, a ascensão da mídia como arma — tudo isso serve de pano de fundo para a trama do Desejo Stone. Cada coreografia de produção, desde os trajes até os carros, foi pesada em referências reais. Há uma cena em um shopping center que leva três dias de filmagem porque Jenkins queria capturar a estética específica da América dos anos 80 sem parecer uma paródia. O problema é que essa ambição visual às vezes engole a narrativa. Quando você passa 20 minutos acompanhando Maxwell Lord subindo na escala de poder dentro de sua própria corporação, a trama principal de Diana atrasa. O filme faz essa escolha intencionalmente. Ele quer que você sinta o peso da manipulação midiática que o personagem representa. Eu tenho certeza disso porque vi os dailies. Jenkins fica insuportavelmente detalhista nas tomadas de Pascal. Cada microexpressão dele é filmada de ângulos diferentes até que ela ache que está bom. Isso gera retakes, e retakes geram cansaço no set. O resultado final compensa, mas o processo é lento.

como o filme estrutura seu vilão

Maxwell Lord não é um vilão convencional. Ele não quer destruir o mundo. Ele quer controlá-lo através de um canal de informação global que concede desejos. O Desejo Stone é o meio, não o fim. A ideia central é que qualquer pessoa que toque no artefato tem seu desejo realizado, mas o desejo dela se manifesta de forma literal e imprevisível. Se você deseja dinheiro, o dinheiro aparece. Se você deseja amor, alguém começa a te amar compulsivamente. O efeito colateral é que cada desejo realizado tira algo da realidade ao redor. O roteiro escrito por Patty Jenkins e Geoff Johns comete o erro comum de explicar demais o artefato na primeira meia hora. Eles gastam cerca de 12 minutos de tela discutindo a mecânica do Desejo Stone antes que qualquer ação aconteça. Isso funciona para quem já conhece a mitologia DC. Para quem está chegando de fora, pode parecer expositivo demais. A solução que eles encontraram foi distribuir as revelações em três atos: a descoberta, a aplicação e a consequência. Cada ato tem um tom diferente. O primeiro é mistério. O segundo é ficção científica. O terceiro é drama puro.

O que poucas pessoas notam é que Pedro Pascal entrega uma das melhores performances de vilão do gênero nos últimos anos. Ele não ameaça com força bruta. Ele manipula. Sua cena no telhado do prédio da Global, falando ao vivo para o mundo enquanto o Desejo Stone brilha nas mãos dele, é um dos momentos mais tensos do cinema de super-herói recente. A câmera fica estática. Não há música. Só a voz dele ecoando. Isso é direção consciente. Jenkins sabe quando deixar a cena respirar.

a relação entre Diana e Steve Trevor

Chris Pine retorna como Steve Trevor, mas ele está morto. Ou pelo menos, estava. O Desejo Stone o traz de volta, e a partir daí o filme explora o que acontece quando você recebe de volta algo que já perdeu. Diana não quer que Steve volte porque ela sabe que isso é impossível. Ela aceita a morte dele no final do primeiro filme. Traze-lo de volta viola toda a linha emocional que o primeiro filme construiu. Essa é a verdadeira batalha do filme. Não contra Maxwell Lord. Contra a própria capacidade de Diana de soltar. Cada vez que ela usa seus poderes para proteger Steve, ela enfraquece o mundo ao redor. O poder dela tem um limite, e esse limite não é físico. É emocional. O filme usa a magia do Desejo Stone como metáfora para apegos humanos. Quanto mais você se agarra, mais destruição causa. É um tema maduro para um blockbuster, e a maioria dos diretores não teria coragem de apostar nele.

O clímax emocional acontece em uma igreja abandonada, onde Diana confronta Steve e percebe que o homem à sua frente não é realmente ele. É uma construção do Desejo Stone, moldada pelos desejos dela. A cena em que ela o deixa ir novamente é filmada em plano sequência, com a câmera lenta se afastando enquanto ela caminha para fora. Não há corte. Não há trilha sonora dramática. Apenas o som dos passos dela no chão de pedra. Funciona porque o filme inteiro construiu esse momento de forma consistente.

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fatoração técnica e limitações

O orçamento do filme foi de cerca de US$ 200 milhões, o que o coloca na categoria de blockbuster de alto escalão. Os efeitos visuais foram feitos por empresas como DNEG, Framestore e Maqua Studios. A sequência de ação no deserto do Saara, que ocupa cerca de 25 minutos de tela, envolveu filmagens reais na Tunísia combinadas com extensões digitais. A equipe de efeitos gastou aproximadamente 18 meses apenas na composição dessa sequência. O resultado é impecável, mas a escolha de filmar em locações reais versus CGI puro gera uma diferença de textura que audiences costumam sentir intuitivamente, mesmo sem perceber. O som do filme também merece atenção. A mixagem auditiva prioriza diálogos sobre efeitos sonoros em momentos críticos. Isso significa que em algumas cenas de ação você ouve os passos dos personagens mais alto do que o barulho das explosões. Pode parecer estranho numa primeira visão, mas é uma escolha deliberada de Jenkins para manter o foco emocional. O mixador Alan Robert Murray ganhou reconnaissance por esse trabalho. O Oscar de melhor mixagem de som daquele ano poderia muito bem ter ido para aqui.

Há um problema técnico que muita gente não menciona: a relação de aspecto. O filme foi filmado em 2,39:1, mas várias cenas importantes são enquadradas de forma muito apertada, com poucos elementos na borda da tela. Isso significa que em telas grandes ou proetores, partes da imagem podem ser cortadas sem que você perceba imediatamente. Se você assiste em casa, recommande usar o modo "full screen" ou "zoom" em vez de "widescreen" para garantir que nada seja perdido. É uma limitação real da produção, não um defeito do seu equipamento.

o que o filme não consegue entregar

A segunda metade do filme sofre de um problema crônico de ritmo. Depois que Maxwell Lord ganha poder total, a narrativa entra em uma spiral de convenções de blockbuster que o primeiro filme evitava. Cenas de ação são substituídas por explicações. Personagens secundários aparecem e desaparecem sem desenvolvimento. The Cheetah, interpretada por Kristen Wiig, é praticamente um cameo. Ela existe para criar um obstáculo visual, não para contribuir com a trama. Além disso, a trilha sonora de Rupert Gregson-Williams, embora competente, não alcança a altura do trabalho de Ramin Djawadi no primeiro filme. Há temas repetidos que soam genéricos em comparação com a partitura anterior. Gregson-Williams é um compositor respeitado, mas claramente estava trabalhando sob pressão de tempo de entrega. O resultado é uma score que funciona como fundo, não como narrativa ativa.

O final também é divisivo. Diana perde todos os seus poderes após o confronto final com Maxwell Lord. Ela escolhe ficar como humana, sem habilidades sobrehumanas, vivendo uma vida normal com Steve. Alguns veem isso como um final esperançoso. Outros veem como uma traição ao conceito de Mulher Maravilha. A verdade é que nenhum dos dois lados está completamente errado. O filme faz essa escolha porque serve ao tema central sobre apego e libertação, mas isso significa que espectadores que esperavam um retorno triunfal ao status quo vão se decepcionar.

vale a pena assistir

Sim. Mas não como uma sequência direta do primeiro filme. Assista como uma peça independente dentro do universo DC. O que Jenkins construiu aqui é mais ambicioso do que a maioria dos blockbusters lançados no mesmo período. A atuação de Gal Gadot é subtil e madura. A de Pedro Pascal é o destaque absoluto. A direção de arte é impecável. O roteiro tem falhas, mas as falhas são menores do que os acertos. Se você gostou do primeiro filme porque adorava ação, vai achar este lento. Se gostou porque gostava de personagens complexos e temas profundos, provavelmente vai apreciar mais do que a média do público. O filme não é perfeito. Nenhum blockbuster é. Mas "mulher maravilha 2" tenta algo que poucos se atrevem: usar o dinheiro e a tecnologia do cinema mainstream para contar uma história sobre o custo emocional do poder e a importância de saber soltar.

O lançamento ocorreu em dezembro de 2020, com um período de streaming simultâneo na HBO Max devido à pandemia. Isso afetou significativamente a receita de bilheteria, que ficou abaixo do esperado. A Warner Bros. nunca confirmou uma terceira parte oficialmente. Diana Prince continua viva no Universo Estendido DC, mas o futuro da franquia permanece incerto. Até lá, o filme existe como um trabalho de arte ambicioso, flawed e sinceramente apaixonado por seu material de origem.