Multiverse Of Madness - Stream 'Doctor Strange in the Multiverse of Madness' June 22 on Disney+ ...
Stream 'Doctor Strange in the Multiverse of Madness' June 22 on Disney+ ...

O que acontece no filme depois do primeiro ato

A maioria das pessoas reclama que o segundo ato do multiverse of madness perde o foco, e tenho razão. Eu passei quase duas horas tentando explicar pra um colega por que a sequência da escola não funciona narrativamente, e ele simplesmente disse que era confuso. Ele não estava errado. O filme tenta equilibrar terror, aventura e comédia, e o equilíbrio fica torto na metade. O ponto principal é que o filme introduz o conceito devariants dentro do MCU de uma forma que parecia nova na época, mas que na prática segue a mesma fórmula de outros projetos da fase quatro. A diferença é que ele tenta ser mais sombrio, e isso cria um tom inconsistente que distrai em vez de reforçar a história.

Por que o multiverse of madness divide tanto o público

O problema central não é a ideia em si. O problema é a execução dos saltos entre realidades. Cada universo alternativo deveria ter uma identidade visual clara, mas muitos deles se parecem demais uns com os outros. Eu assisti de novo com um grupo de amigos e três pessoas disseram que não conseguiam distinguir o universo 838 do universo base durante as cenas de ação. Isso é um erro de produção, não de roteiro. O que funciona é a performance da Elisabeth Olsen como Scarlet Witch. Ela carrega o filme inteiro nas costas porque o roteiro entrega para ela muito mais material emocional do que para qualquer outro personagem. Sam Raimi sabia disso quando dirigiu e escolheu dar a ela os momentos mais intensos, mesmo quando o resto da narrativa tropeçava.

O vilão também é interessante do ponto de vista conceitual. America Chavez existe como um dispositivo de enredo, mas a ideia dela ser uma heroína que navega multiversos por puro instinto é algo que poucos filmes tentam. O problema é que o filme não dá tempo suficiente para que essa ideia amadureça antes de transformá-la em uma ferramenta plot-driven.

👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!

O que o filme faz melhor do que a média dos Blockbusters

A trilha sonora do Daniel Pemberton é um dos pontos altos. Ele mistura temas clássicos do MCU com sons dissonantes que realmente transmitem a sensação de coisa errada. Eu notei isso especialmente na cena do corredor que se move, onde a música cresce junto com a distorção visual. É um trabalho técnico que poucos compositores de blockbuster fazem com essa atenção. O design de produção dos universos alternativos também merece crédito. Cada mundo tem uma paleta de cores diferente propositalmente. O universo da Encantadora usa tons quentes e saturados, enquanto o 838 tem uma estética mais fria e limpa. Isso ajuda na legibilidade visual, mesmo que a continuidade entre eles nem sempre seja clara.

A cena final é, sem dúvida, o melhor momento do filme. Ela resolve o arco da Scarlet Witch de forma que nenhuma outra sequência do MCU conseguiu até aquele ponto. É triste, é conclusiva, e é a única vez em que o tom sombrio realmente se encaixa na narrativa inteira.

Onde o filme falha completamente

Os diálogos são fracos na maior parte. Personagens dizem coisas óbvias uns para os outros apenas para avançar a trama. Eu contsei pelo menos oito vezes em que um personagem explicava para outro exatamente o que todos na plateia já sabiam. Isso é preguiça de roteiro, não escolha artística. A animação CGI também tem momentos problemáticos. Alguns dos monstros do Caos têm texturas que parecem renderizadas em tempo recuado, especialmente em cenas mais escuras onde os detalhes se perdem. Não é algo que você note na primeira exibição, mas volta e meia atrapalha a imersão.

O filme também reprime personagens masculinos de forma que parece forçada. Doctor Strange age de maneira inconsistente entre o começo e o final, e Wong praticamente desaparece depois do primeiro ato. São decisões estranhas de um filme que se passa no MCU, onde o elenco já estava bem estabelecido. Se você quer algo parecido mas melhor executado, sugeriria olhar para séries de animação que exploram multiversos com mais cuidado, como o que a Disney+ fez em outras produções. O filme em si não é ruim, mas deixa claro que precisa de revisões sérias de roteiro nas sequências futuras.