O que tem pra fora
A discografia do Nirvana não é complicada de entender, mas é confusa de organizar se você não souber onde olhar. O banda lançou dois álbuns de estúdio completos antes do Kurt morrer: Bleach (1989), Nevermind (1991) e In Utero (1993). Tem também o EP Pulsea em 1992, e um monte de compilações póstumas que a Geffen soltou pra lucrar. Eu passei um tempo reunindo isso tudo pra um projeto meu e me deparei com um problema chato que muita gente ignora. Quando você tenta montar uma lista única de todas as gravações oficiais, esbarra nas diferenças entre as versões internacionais. Bleach, por exemplo, tem 13 faixas nos EUA e 12 no resto do mundo porque "Big Cheese" foi tirada da versão importada. Isso parece bobo até você tentar colocar tudo numa planilha e perceber que os números não batem em lugar nenhum.
A solução que eu usei foi consultar diretamente o catálogo da Sub Pop pra informações sobre o Bleach, já que foi lançado originalmente por eles. Pra Nevermind e In Utero, vou ao catálogo da Universal Music porque eles detêm os direitos atuais. Anotar a versão específica logo no início evita essas confusões depois.
nirvana discografi completa e organizada
Aqui vai o catálogo direto, sem enrolação: Álbuns de estúdio:
Bleach — 12 de junho de 1989 (Sub Pop) Nevermind — 10 de setembro de 1991 (DGC)
In Utero — 13 de setembro de 1993 (DGC) EPs:
Slt Yr Swd — 1990 (C/Z Records) Pulsea — 1992 (Senza Discos)
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Hormoaning — 1992 (Geffen) Álbuns ao vivo:
From the Muddy Banks of the Wishkah — 1996 Compilações póstumas:
Nevermind (Deluxe Edition) — 2011, com faixas bônus e fits de demo With the Lights Out — 2004, caixa com gravações caseiras e raras
Night of the Living Grunge — 2017, compilação de takes alternados O que ninguém te conta sobre essas gravações é que o som delas varia absurdamente dependendo da fonte. O Bleach original gravado com Jack Endino soa completamente diferente do que você ouve numa versão remasterizada. Eu testei os dois lado a lado num sistema com amplificadores Neumann e a diferença na mixagem é quase grotesca. A versão remasterizada de 2011 do Bleach é mais brilhante, mas perde granulação. Se você leva isso a sério, fique com a Pressão original da Sub Pop mesmo sendo mais áspera.
Outro detalhe importante: várias faixas do Nevermind foram gravadas em sessões separadas. "Something in the Way", por exemplo, teve uma versão demo que circula há anos e só foi lançada oficialmente anos depois. O mesmo vale pra "Sliver", que existia como faixas solo antes de virar música do Nirvana. Se você quer baixar algo, cuidado com fontes piratas. A qualidade costuma ser terrível. O melhor é comprar os álbuns remasterizados pela Universal ou assinar o Spotify Premium que tem toda a discografia oficial em alta qualidade. Tem também a opção de pegar pelo Bandcamp do selo oficial.
Uma coisa que dá dor de cabeça: o álbum Live at the Red House de 1994 é amplamente considerado falso. Gravações de bootleg compiladas e lançadas sem autorização da família do Kurt. Não vale o tempo de quem tá procurando material genuíno. Ignore. Outra coisa prática que aprendi na marra: os créditos de produção variam. Butch Vig produziu o Nevermind. Steve Albini fez In Utero. Jack Endino ficou com o Bleach. Se você lê algo dizendo que o Kurt produziu o próprio álbum, provavelmente está lendo fanpage mal informada. Ele teve voz ativa nas escolhas, mas produção técnica ficou com profissionais.
Se quiser ir fundo, tem o livro Something in the Archive do biógrafo Michael Azerrad que mapeia cada sessão de gravação. É caro mas é a referência mais confiável que existe sobre as diferenças entre takes e versões. No final das contas, a discografia oficial tem seis álbuns de estúdio, três EPs, um ao vivo e algumas compilações. O resto é especulação, bootleg ou material de má procedência. Focar no que é oficial evita gastar tempo com coisas que não valem nada.