Nomes De Entidades Na Umbanda - Entidades Da Umbanda Santos Católicos E Orixás Na Umbanda | Editora
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Quem canta os orixás errados atrapalha o trabalho todo

Quando comecei a montar minhas consultas de umbanda, achava que o mais difícil era memorizar os nomes. Na verdade, o problema é outro: os nomes das entidades mudam conforme a linha, a tradição e até o terreiro. Eu já perdi uma sessão inteira porque chamei Caboclo das Sete Florestas num trabalho de Exu e a entidade nem apareceu. O povo do terreiro olhou torto, mas eu levei a lição.

A questão dos nomes de entidades na umbanda

Um dos erros mais comuns é tratar os nomes como se fossem fixos. Eles não são. Se você consultar um guia e achar que "Xangô" é sempre Xangô, está enganado. Em algumas linhas, Xangô aparece como Oba, em outras como Aganju, e em certos terreiros de Angola ele tem nome completamente diferente. A entidade pode responder com um nome que você nunca ouviu falar, e o médium iniciante frequentemente fica confuso achando que foi um equívoco. Outro ponto que os livros didáticos ignoram: a forma como o nome é cantado importa mais do que a ortografia. "Iemanjá" pode ser chamada de "Iemanja" num candomblé de caboclo e de "Yemanjá" noutra vertente. Ambas estão certas, mas a pronúncia muda a vibração e, consequentemente, quem desce. Já vi médiuns deixarem de atender porque o ponto não ficou claro desde o primeiro verso.

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Existe também a questão dos nomes secretos. Algumas entidades têm nomes que só devem ser usados dentro do terreiro, e esses nomes nem aparecem em publicações. Eu costumava manter um caderno de consulta com os nomes que cada Pai de Santo ou Mãe de Santo usava localmente. Isso economiza tempo e evita o constrangimento de chamar uma entidade pelo nome errado na frente dos outros. Se você está começando, o ideal é focar nos nomes mais fundamentais primeiro. Orixás principais, caboclos, pretos-velhos e exus têm bases mais consolidadas. Depois, vai aprendendo as variações regionais. Não adianta decorar duzentos nomes se você não reconhece quando uma entidade se apresenta com um nome que você não espera. A prática de observação e registro é mais importante do que a decoreba.

Uma limitação real é que não existe um dicionário definitivo dos nomes de entidades na umbanda. Cada corrente tem sua própria nomenclatura. Se você tentar usar um guia genérico em qualquer terreiro, vai encontrar incompatibilidades. A solução é ir para a fonte: documente o que ouve no terreiro onde você frequenta e compare com outras tradições depois. Esse método leva tempo, mas é o único que funciona consistentemente.