Protetor solar é mais complicado do que parece
Você já tentou escolher um protetor solar e ficou perdido com tanta nomenclatura? FPS, UVA, UVB, filtro químico, filtro mineral... O mercado brasileiro é um dos mais cheios de variações no mundo, e isso confunde muita gente. Vou explicar como funciona na prática, com exemplos reais de produtos que existem nas prateleiras.
Entendendo os nomes de protetor solar
Os protetores solares têm dois tipos principais de proteção: contra raios UVA (que envelhecem a pele) e UVB (que causam queimaduras). O FPS mede a proteção contra UVB, mas isso não diz nada sobre UVA. No Brasil, a Anvisa exige que protetores com FPS 15 ou mais tenham também proteção UVA eficaz. O problema é que nem todo mundo sabe ler o rótulo corretamente. Os filtros minerais, também chamados de físicos, usam dióxido de zinco ou dióxido de titânio. Eles ficam na superfície da pele e refletem a radiação. São bons para peles sensíveis, mas deixam aquela ressecada esbranquiçada. Os filtros químicos absorvem a radiação e a transformam em calor. São mais discretos na pele, mas podem causar irritação em algumas pessoas.
Um detalhe que pouca gente conhece: a resistência à água não significa que o protetor dura para sempre no banho. Ele reduz o tempo de degradação quando molhado, mas ainda precisa ser reaplicado. Depois de secar com toalha, a proteção diminui significativamente. Reaplique. Eu já passei por um problema específico com protetores de academia. O cliente reclamava que o produto "não funcionava" mesmo aplicando conforme o rótulo. Descobri que ele estava usando quantidades insuficientes. A dose certa para o rosto é aproximadamente dois dedos de comprimento. Muita gente aplica uma camada fina demais e acha que está protegido. A proteção cai drasticamente quando não se usa a quantidade recomendada.
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Como escolher na prática
Para pele oleosa, procure protetores com textura oil-free ou mate. Existem opções com álcool na composição que ajudam a controlar o brilho, mas podem ressecar peles mais secas. Para peles sensíveis, os filtros minerais são mais indicados, embora o efeito esbranquiçado seja incômodo em tons mais escuros de pele. Produtos com cor podem disfarçar esse problema. Para o rosto, evite protetores corporais. A composição é diferente e pode obstruir poros. O mesmo vale para produtos com fragrância forte se você tem tendência a rosácea ou dermatite de contato.
Exemplos de nomes encontrados no mercado brasileiro incluem itens como Neutrogena Sunscreen, La Roche-Posay Anthelios, Eucerin Sun, Avon Sun e Vichy Capital Soleil. Cada linha tem subdivisões para diferentes tipos de pele e atividades. Verifique sempre o FPS mínimo de 30 para o dia a dia e 50+ para exposição prolongada ao sol. Há uma limitação importante que as marcas não destacam: protetores solares perdem eficácia após cerca de duas horas de exposição direta ao sol, mesmo os chamados "resistentes à água". Em atividades ao ar livre, reaplicar a cada dois horas é o padrão. Se você fica sentado perto de uma janela o dia todo, ainda assim precisa reaplicar, pois os raios UV atravessam vidro.
A principal armadilha é confiar apenas no FPS alto sem verificar a proteção UVA. Olhe nos rótulos por termos como "proteção ampla espectro" ou "UVA+ / UVA circle". Sem essa indicação, o produto pode ter FPS 50 mas proteção UVA insuficiente.