Como formatar tabelas segundo a norma ABNT
A NBR 14724 define regras claras para tabelas em trabalhos acadêmicos, mas a interpretação prática costuma gerar dúvidas. A norma exige que cada tabela seja numerada, identificada com título e fonte quando necessário, e que todo o conteúdo esteja dentro de bordas. Não existe margem de manobra criativa aqui. O formato básico é direto. A tabela vai acima do parágrafo onde é mencionada pela primeira vez no texto, sempre acompanhada da indicação "Tabela 1 – Número". O título fica na parte superior, justificado à esquerda, e se precisar de mais de uma linha, a segunda linha entra em negrito. A fonte do dado, se não for de autoria própria, vem abaixo da tabela com a sigla Fonte: ...
Uma coisa que poucos leem com atenção: a norma pede que as tabelas não ultrapassem a margem direita da página. Se sua tabela for larga, você deve rotacioná-la no formato paisagem. Isso se chama tabela na vertical. A folha pode ser virada de lado, mas o cabeçalho precisa continuar legível do mesmo jeito. Coloque um aviso no canto superior direito avisando que a página está rotacionada. No meu trabalho de mestrado, eu tinha uma tabela com onze colunas de dados estatísticos que não cabia de jeito nenhum no layout padrão. Tentei reduzir a fonte para 8 pontos, mas o orientador rejeitou porque a ABNT exige no mínimo 10 para o corpo do texto. Minha solução foi transformar a tabela em formato de quadros menores, espalhados em duas colunas lado a lado, mantendo 10 pontos. Funcionou, mas precisei justificar a quebra no texto explicando que a tabela original seria ilegível naquele tamanho.
Normas ABNT para tabelas: detalhes que passam despercebidos
Um erro recorrente é colocar sombra ou cor de fundo na tabela. A norma não menciona isso explicitamente, mas bancas e editores consideram inadmissível. Tabela ABNT é simples, sem decoração. Bordas finas pretas são suficientes. Se a sua instituição tem um manual próprio mais restritivo, esse manual prevalece sobre a norma geral. Outro ponto importante: a repetição de cabeçalho em tabelas que quebram de uma página para outra. Quando uma tabela continua na folha seguinte, você deve repetir apenas os cabeçalhos das colunas, sem repetir o título geral da tabela. Isso evita confusão visual e mantém a coerência. Coloque também a indicação (continução) no canto superior direito, antes dos cabeçalhos repetidos.
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A numeração das tabelas deve seguir a sequência em que aparecem no texto, independente da seção. Isso significa que uma tabela na introdução pode ser Tabela 1 e outra no terceiro capítulo Tabela 2, mesmo que haja dezenas de páginas entre elas. Alguns orientadores preferem a numeração por capítulo (3.1, 3.2), mas isso não é exigido pela norma. Verifique com seu programa antes de decidir. Há ainda a questão da formatação dos dados numéricos. Colunas com valores monetários devem usar vírgula para decimais e ponto para milhar, alinhados à direita. Isso facilita a leitura rápida e a comparação entre linhas. Valores percentuais seguem a mesma lógica. O uso de traço (–) para indicar ausência de dado é aceitável, mas apenas se você explicar essa convenção nas notas da tabela.
Nota de rodapé em tabelas usa asteriscos consecutivos: *, , *. Nunca use números. A nota explica siglas, abreviações ou origens de dados específicos de uma célula. Se a fonte já foi indicada na parte inferior da tabela, não precisa repeti-la nas notas. Um limitação prática que poucos mencionam: a norma não aborda tabelas geradas automaticamente por softwares como SPSS, R ou Excel. A formatação gerada por essas ferramentas quase sempre precisa de ajustes manuais. A versão mais recente do Word tem suporte limitado para manter a formatação ABNT, então muitos alunos acabam refactorando tabelas inteiras à mão. Para trabalhos longos com mais de vinte tabelas, isso representa horas extras de trabalho que podem ser evitadas com templates prontos.
O download da norma completa custa entre R$ 40 e R$ 60 no site da ABNT. Há versões pirateadas na internet, mas recomendamos adquirir a versão oficial porque as atualizações de 2023 trouxeram pequenas correções nas regras de tabelas que versões antigas não incluem. Se o seu trabalho possui muitas tabelas, considere agrupar dados correlatos em uma única figura composta. Isso reduz o número total de elementos tabulares e simplifica a revisão final. Nem tudo precisa ser tabela.