Como fazer uma resenha corretamente segundo a ABNT
A resenha é um dos trabalhos mais mal interpretados na academia. Muitos estudantes acham que é um resumo com opinião. Não é. É uma análise crítica estruturada que segue regras formais de apresentação. E quando você não segue essas regras, o trabalho volta corrigido na primeira entrega, sem motivo. Vou explicar como isso funciona na prática, começando pelo formato, que é onde a maioria erra.
normas para resenha abnt: o que realmente importa
A NBR 6028 da ABNT define como a resenha deve ser elaborada. Ela não dá um modelo pronto, mas estabelece os requisitos mínimos. O erro mais comum que vejo é gente formatando a resenha como se fosse um artigo científico inteiro. Não é. A resenha tem uma estrutura específica que é diferente de um resumo simples. A estrutura básica exige: identificação completa da obra resenhada no cabeçalho, introdução que situe o leitor sobre o que está sendo analisado, síntese do conteúdo sem entrar em detalhes excessivos, e análise crítica que é o cerne do trabalho. A parte da análise crítica é onde as pessoas mais falham. Elas escrevem resenha como se estivessem avaliando um produto na Amazon. Isso não funciona academicamente.
Na prática, a resenha precisa ter entre 1.500 e 3.000 palavras para trabalhos de graduação. Mestrado e doutorado aceitam resenhas mais longas, podendo chegar a 5.000 palavras. Esse detalhe importa porque professores costumam descartar resenhas que não atingem o mínimo ou que excedem muito o máximo sem justificativa. Quanto à formatação, use papel A4, fonte Arial ou Times New Roman tamanho 12, margens de 3 cm nas laterais superiores e esquerdas, e 2 cm nas inferiores e direitas. Espaço simples entre linhas. A citação direta com mais de três linhas deve ter recuo de 4 cm, fonte tamanho 10 e espaço simples. Isso é padrão ABNT para qualquer trabalho acadêmico, não só para resenha.
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Aqui vai algo que poucos mencionam: a referência bibliográfica da obra resenhada deve vir logo no início, antes mesmo do primeiro parágrafo. Muitas pessoas colocam a referência no final junto com as demais citações. Na resenha, a obra principal deve ter sua referência destacada no cabeçalho ou nos primeiros parágrafos, pois é o objeto central da análise. Isso faz diferença na hora da correção. Enfrentei um caso específico há pouco tempo em que um aluno tinha feito uma resenha perfeita em conteúdo, mas a banca reprovou porque a obra resenhada era um capítulo de livro coletâneo e ele havia referenciado o livro inteiro, não o capítulo específico. A norma exige que quando se resenha um capítulo de obra coletânea, a referência deve apontar para o capítulo, não para o livro como um todo. A solução foi refazer a referência com os dados do capítulo: autor do capítulo, título do capítulo, título do livro, editors, local, editora, ano, páginas do capítulo. Resolvi isso indicando ao aluno que usasse o formato de artigo em obra coletânea conforme a NBR 6023, que complementa a NBR 6028.
Outro ponto que passa despercebido: a resenha crítica deve usar linguagem impessoal na maior parte do tempo. Usar "eu acho" ou "minha opinião é" enfraquece o texto. Prefira construções como "observa-se que", "é possível identificar", "o autor argumenta que". A crítica existe, mas precisa estar embasada em argumentos, não em ments pessoais. Quanto às fontes consultadas, além da obra resenhada, é recomendável citar pelo menos mais duas fontes que dialoguem com a obra principal. Isso demonstra que o resenhista leu o campo todo, não apenas o livro em análise. Professores experientes prestam atenção nisso. Uma resenha que analisa um único livro sem qualquer referencial secundário parece amadora, mesmo que o conteúdo seja bom.
Existe também uma nuances sobre resenha acadêmica versus resenha jornalística. A primeira segue normas ABNT e é exigida em cursos de pós-graduação e algumas disciplinas de graduação. A segunda segue normas jornalísticas e é publicada em veículos de imprensa. Não confunda os dois. Ambas são válidas, mas requerem estruturas diferentes. A resenha jornalística permite mais liberdade estilística e pode usar primeira pessoa, enquanto a acadêmica exige rigor normativo. Se você precisa consultar as normas completas, a NBR 6028 está disponível gratuitamente no site da ABNT. Você baixa o PDF direto deles sem precisar comprar nada. A norma é técnica e seca, então vale a pena ler com calma, especialmente as seções sobre referência e citações, que são onde acontecem a maioria dos erros de formatação.
O maior problema prático que encontro é que alunos copiam modelos de resenha da internet sem verificar se estão atualizados com a norma vigente. A ABNT atualiza suas normas periodicamente, e versões desatualizadas geram erros de formatação que parecem corretos mas não são. Sempre verifique o ano da norma que você está seguindo. A versão mais recente da NBR 6028 é de 2023, com atualização de 2024. Se seu professor pediu outra coisa, siga o que ele pediu, mas saiba que pode não estar tecnicamente correto segundo a norma oficial. A resenha bem feita exige leitura profunda da obra original. Não adianta ler a sinopse e escrever. Você precisa ter lido o livro todo ou pelo menos os capítulos centrais que serão discutidos. Resenhas feitas com base apenas em sumário e introdução são facilmente identificadas por professores que leem o campo.