O Que Conhecer No Paraguai - 6 lugares imperdíveis para conhecer no Paraguai
6 lugares imperdíveis para conhecer no Paraguai

Paraguai vale a pena se você souber onde olhar

Muita gente vai para o Paraguai achando que é só shopping e eletrônicos. A realidade é mais complexa. Aproveitar o que o país oferece exige um mínimo de planejamento, senão você gasta dinheiro com o básico e perde as coisas que realmente contam.

O que conhecer no Paraguai além do óbvio

Assunção é a capital e tem seus pontos, mas o diferencial mesmo fica nas cidades do interior. Encarnación, na divisa com o Brasil, é a mais próxima e prática. Foz do Iguaçu fica do outro lado da ponte. Você entra no Paraguai, atravessa a rua e já está em território argentino se quiser. A logística é simples. O que eu achei interessante foi a cena gastronômica de Encarnación. O churrasco paraguaio tem um jeito próprio, diferente do argentino e do brasileiro. Vou te explicar depois. Mas o ponto que mais me surpreendeu foram as cataratas de Iguazú do lado paraguaio. Sim, existem. São menores que as argentinas, mas o trajeto é muito mais rápido se você já estiver na região de Ciudad del Este. Leva cerca de 40 minutos de carro, contra 2 horas de Buenos Aires se quiser ver as argentinas.

Ciudad del Este é outra história. O comércio ali é enorme, mas o turismo convencional praticamente não existe. Se você vai só pra comprar celular ou produto importado, ok, funciona. Mas a cidade em si é caótica e não oferece nada turistico. Eu perdi meio dia lá procurando um posto de informação turística que não existia. A solução foi simplesmente perguntar em qualquer loja do Mall del Sol sobre passeios. Eles têm contato de guiadores locais que cobram entre 80 e 150 dólares por dia para levar até as quedas e a fronteira com o Brasil. Paraíba, uma cidadezinha no departamento de Itapúa, merece uma parada. Fica a cerca de 2 horas de Assunção. Tem ruínas jesuíticas preservadas, um museu local que poucos gringos conhecem, e uma atmosfera tranquila que contrasta com o caos das grandes cidades. O ingresso para as ruínas custa cerca de 5 dólares. Dá pra fazer o trajeto de ônibus regional por 3 dólares por trecho, saindo da terminal de Assunção. Não tem aplicação online, o pagamento é em espécie no local.

Se o seu interesse é natureza, as salinas de Caacupé são interessantes. Não é um destino de aventura, é mais turismo cultural. As oficinas de cerâmica são o principal atrativo. Artistas locais trabalham ali e vendem direto. Preços justos, sem intermediário. Eu comprei uma peça de 40 dólares e não tive que negociar nada. Isso já é raro no Paraguai.

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Dicas práticas que ninguém conta

O Real tem bom câmbio no Paraguai, mas não em qualquer lugar. No Mercado 4 de Assunção, a cotação é melhor que nos postos de troca do aeroporto. A diferença pode chegar a 10%. Eu perdi uns 30 dólares na primeira vez porque troquei tudo na chegada. Aprendi a ir direto ao mercado na segunda metade da cidade velha. Lá também consegue comprar produtos paraguaios por preços melhores, mas o tempo de locomoção compensa só se você tiver pelo menos dois dias na capital. A questão da segurança varia muito de região pra região. Em Encarnación e Caacupé não houve nenhum problema durante minha estadia de cinco dias. Em Ciudad del Este, a coisa muda de figura depois das 21h. Não é um lugar perigoso per se, mas a iluminação pública é precária em grande parte do centro e a presença policial é visivelmente menor. Se for andar à noite, prefira táxi aplicativo. O Indriver funciona bem lá e o preço é justo. Uber não opera no Paraguai.

Sobre moeda: o guarani é a moeda oficial. A maioria dos estabelecimentos que recebem brasileiro aceita real, mas o câmbio que praticam costuma ser ruim. Pagar em guarani sempre sai mais barato. Nos mercados e lojas menores, o troco volta em guarani mesmo quando você paga em real. Anotar o valor recebido ajuda a não ser prejudicado. A calculadora do celular resolve isso em segundos. Alimentação. O soppará paraguaio é um prato típico que você prova em qualquer lugar e custa entre 3 e 6 dólares. É uma massa frita recheada, parecida com um pastelão. O bife chipa é outro clássico. Carnes boas, preços baixos. Um jantar tranquilo em um restaurante local de Assunção sai por volta de 15 dólares por pessoa. Em Encarnación, os restaurantes de frutos do mar no centro histórico são bons e acessíveis. Um rodízio de peixe chega a 25 dólares, o que é razoável considerando a qualidade.

O único ponto negativo honesto pra registrar é a falta de sinalização turística em espanhol e guarani. Mapas digitais funcionam razoavelmente bem, mas placas de trânsito e indicadores de rua são escassos fora do centro de Assunção. Se você vai dirigir, baixe o mapa offline antes de sair. O GPS local pega bem nas estradas principais, mas em regiões rurais ele falha com frequência. Eu passei 40 minutos perdido perto de Itauguá porque o sinal caiu e o navegador não tinha mapa salvo. Transporte entre cidades. Os ônibus regionais são baratos e chegam ao destino, mas os horários variam. A Busto Perucho opera rotas regulares para Assunção, Encarnación e Ciudad del Este. Passagem de Assunção para Encarnación custa uns 12 dólares e leva aproximadamente 6 horas. O conforto é básico, ar-condicionado funciona na maioria das vezes. Deixar reserva é recomendável na alta temporada, principalmente nos finais de semana, quando há mais fluxo de brasileiros cruzando a fronteira.

Documentação. Brasileiros entram sem visto com RG ou passaporte. A taxa de turismo de 100 guaranis, equivalente a menos de 2 dólares, é cobrada na fronteira. Alguns postos pedem comprovante de hospedagem, mas na prática raramente solicitam. O ideal é levar o cartão de hospedagem preenchido pelo hotel mesmo assim, caso perguntem. Resumo sem resumo: Paraguai é viável, mas exige adaptação. O destino tradicional de compras rápidas funciona. O turismo cultural e natural pede um roteiro pensado com antecedência. Assunção e Encarnación dão conta do recado com orçamento apertado. O resto pede investimento de tempo e planejamento logístico.