Puno não é o que todo mundo espera
Puno fica a 3.820 metros de altitude. A maioria das pessoas que chega lá passa mal por alguns dias. Eu passei mal nos primeiros dois dias e depois simplesmente me acostumei. Beber muita água desde o primeiro minuto, não comer nada pesado no primeiro dia e não tentar fazer trilhas longas logo de chegada salvou minha viagem em Lima em 2018. Sem esse cuidado, você passa três dias trancado no quarto com dor de cabeça, não importa o quanto de solteiro tenha comprado na farmácia.
O que fazer em puno
O Lago Titicaca é o lago navegável mais alto do mundo, e as ilhas Uros são o principal attraction, mas tem coisas melhores acontecendo ao redor. As ilhas de Taquile e Amantani valem o desvio porque são onde a vida local ainda se mostra de verdade, sem a encenação que todo turista vê em Uros. Em Uros, você vê um barco feito de totora passando para uma foto e pronto. Você sai dali gastando 80 soles em algo que poderia ter sido 20 se fosse direto pra Taquile. A rota que funciona na prática: saia cedo de Puno de bote, tipo 7 ou 8 da manhã. Parando primeiro em Uros (você pode pular se quiser economizar), depois Taquile para almoçar. O almoço em Taquile geralmente custa entre 25 e 40 soles, inclui pollo o cordero, e serve umas três horas. Depois siga pra Amantani, fique até o final da tarde, durma na casa de uma família local. O custo de hospedagem e jantar é uns 60 soles por pessoa, tudo incluso. No dia seguinte, volta de bote pela manhã, chega em Puno por volta das 11 horas. Isso elimina a pressão de fazer tudo no mesmo dia, que é onde a maioria dos viajantes erra.
Acho que a informação que ninguém conta sobre Puno é que o transporte terrestre para Sillustani, aquelas torres funerárias pré-incas, é mais complicado do que parece. Não tem ônibus direto da Plaza de Armas. A maioria das agências cobra 80 a 120 soles pelo tour, mas dá pra conseguir um taxi compartilhado na esquina das ruas Junín e Grau por uns 20 soles ida e volta. O problema é que o motorista espera duas horas e você perde a luz boa para as fotos se chegar atrasado. Chegue cedo. O lugar é bonito, especialmente no fim da tarde, mas não é gigante e você não precisa de mais tempo do que isso. Uma coisa que me pegou desprevenido: a temperatura. Durante o dia pode chegar a 18 graus de sol, mas à noite cai pra perto de zero facilmente. Levar casaco térmico é obrigatório, mesmo se você estiver viajando em janeiro. Já vi gente comprando casaco em Puno por 150 soles porque achou que o ar-condicionado do ônibus seria suficiente. Isso não funciona.
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Se você tiver tempo extra, o templo de Q’ero é interessante. Fica a cerca de uma hora de combi de Puno. É um sítio sagrado aos locais, então a experiência é mais sobre o que as pessoas sentem do que sobre arquitetura em si. Se você não tem interesse em espiritualidade andina, pode ignorar. Mas se tem, vale a pena entrar com respeito e sem expectativas de encontrar algo que pareça um museu ocidental. O mercado central de Puno é subestimado. Ele fica atrás da catedral, entra pela lateral da Praça Bolognesi. Tem comida local barata, artesanato que não é fabricado na China, e algumas barracas de quinua que oferecem degustação. O preço justo de uma xícara de sopa de quinua ali é 5 soles. Agências no centro cobram 25 pelo mesmo prato servido em restaurante turístico perto da praça principal. A diferença de preço existe porque o turismo em Puno ainda depende muito de intermediários.
Os combois entre Puno e Cusco passam por La Raya, o ponto mais alto da estrada com 4.300 metros. O ônibus para por quinze minutos e a altitude bate forte. Muita gente não leva chá de coca e se arrepende. Leva. O remédio de dor de cabeça que eu comprei na farmácia lá em cima era o mesmo de toda parte, mas não resolveu nada porque o problema era oxigênio, não inflamação. Há uma alternativa se a altitude for realmente um problema: voar de Puno até Cusco. A LATAM opera esse trecho duas vezes ao dia, custa entre 250 e 400 soles dependendo da antecedência da compra. Se você já chegou mal em Puno, esse gasto faz sentido. Se está bem, o ônibus é econômico e mostra o paisaje.
A melhor época para ir é entre maio e setembro. Chuva no Peru significa dias completamente cinzentos com visibilidade zero nas ilhas. Já fui em fevereiro e não consegui ver o Uru Uru porque a névoa cobria tudo. Maio em diante traz céu aberto quase todo dia. O contra é que os preços de hospedagem sobem 30 ou 40 por cento na alta temporada. Não recomendo ficar mais do que dois dias em Puno se o objetivo é conhecer o lago. A cidade em si não oferece mucho além do essencial: a catedral, a praça, o mercado, o lago. Passeios de barco ao pôr do sol estão disponíveis na praia de El Olivar por 30 soles e são agradáveis, mas curtos. Se você quer mais ação, segue pra Arequipa ou Cusco depois. Puno funciona como base, não como destino final.