O Que Tem Na Urina - Entenda o Significado de Nitrito na Urina: Causas, Implicações e o Que ...
Entenda o Significado de Nitrito na Urina: Causas, Implicações e o Que ...

A Composição Real da Urina Humana

A urina é um filtrado sanguíneo que passa pelos rins, e o que ela carrega reflete diretamente o estado metabólico do corpo. Quando você olha para uma amostra padrão, está vendo basicamente água com solutos nitrogenados e eletrólitos. Nada místico. A maior parte do volume é mesmo HO, mas os componentes dissolvidos é que fazem o exame ter valor clínico.

O que tem na urina: componentes principais e sua função

Ureia representa cerca de cinquenta por cento do nitrogênio excretado diariamente. É o produto final do metabolismo das proteínas, gerada no fígado pelo ciclo da ureia e eliminada pelos rins. Em adultos saudáveis, a concentração varia entre trezentos e quinhentos miligramas por decilitro, dependendo da ingestão proteica e do estado de hidratação. Se o paciente está desidratado, a ureia sobe rapidamente porque o rim reabsorve mais água. Creatinina vem do metabolismo muscular e tem uma produção constante, proporcional à massa magra. Homens produzem mais que mulheres porque têm mais tecido muscular. A taxa de filtração glomerular é estimada justamente pela creatinina sérica e urinária. Quando o rim não filtra bem, a creatinina acumula no sangue e o excesso vai parar na urina, mas em concentrações menores do que o normal porque o filtro está prejudicado. Ácido úrico é o produto final do catabolismo das purinas. Em dietas ricas em carne vermelha ou frutos do mar, a excreção urinária aumenta. Excesso crônico pode levar a cálculos de ácido úrico nos rins, principalmente se o pH urinário estiver abaixo de cinco vírgula cinco. Esse é um detalhe que muitos clínicos gerais deixam passar. Os eletrólitos — sódio, potássio, cálcio, magnésio, cloreto e fosfato — variam conforme a dieta e a regulação hormonal. O aldosterona controla o sódio e o potássio nos túbulos renais. Desidratação aumenta a reabsorção de sódio; diuréticos do tipo tiazídico aumentam a excreção. O cálcio urinário é monitorado em pacientes com histórico de litíase renal. Hipercalciúria assintomática é mais comum do que se imagina.

Eletrólitos e substratos menores incluem cloretos, fosfatos, sulfatos e pequenas quantias de amônia. A amônia é produzida pelas células tubulares para regular o pH, neutralizando ácidos metabólicos. Em acidoses metabólicas, a excreção de amônia aumenta significativamente.

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Quando eu trabalhava em um laboratório de análise clínica, entrou uma amostra que parecia normal macroscopicamente mas apresentava cristais de oxalato de cálcio incomuns ao microscópio. O paciente negava cálculo renal prévio. O detalhe era que ele consumia grandes quantidades de suco de romã concentrado, algo que eleva a excreção de oxalato de forma discreta mas persistente. O laboratório tinha um protocolo padrão para cristalúria, mas o protocolo não mencionava alimentos específicos. Ajustei a conduta para solicitar dosagem de oxalato urinário de vinte e quatro horas e orientei a suspensão do suco. Três meses depois, o paciente fez urotomografia computadorizada e não havia sinais de litíase. O caso ficou arquivado como exemplo de como a dieta pode mascarar problemas renais subclínicos.

Métodos de Análise e Interpretação Prática

O exame de urina completo inclui aspecto físico, reagência com fita e análise microsscópica. A fita reativa lê pH, densidade, proteína, glicose, corpo cetônico, sangue oculto, bilirrubina, urobilinogênio e nitrito. Cada tira reage de forma diferente e os resultados precisam ser lidos no tempo correto. Ler depois do tempo indicado gera falso positivo em proteína e sangue. A densidade urinária mede a capacidade de concentração dos rins. Valores entre 1,005 e 1,030 são considerados normais. Densidade fixa em 1,010 sugere perda de capacidade concentradora, comum na doença renal crônica avançada. Já densidades altas com glicose positiva indicam provável diabetes melito descompensado, porque a glicose aumenta a osmolaridade urinária. A presença de proteína na urina é um marcador importante.albuminúria mínima detectada por fita começa em trinta miligramas por decilitro. Valores entre trinta e duzentos miligramas porgrama são considerados microalbuminúria e sugerem dano renal incipiente, especialmente em diabéticos e hipertensos. Acima de duzentos miligramas por grama de creatinina, considera-se proteinúria franca. Glicose urinária aparece quando a carga filtrada de glicose ultrapassa o limiar de reabsorção tubular, que é aproximadamente cento e oito miligramas por decilitro de glicemia. Em pacientes diabéticos controlados, a glicose urinária deve estar ausente. Quando aparece, é sinal de hiperglicemia significativa. Corpos cetônicos na urina indicam catabolismo de gorduras. Podem aparecer em jejum prolongado, dietas cetogênicas ou cetoacidose diabética. Na cetoacidose, acetona, acetoacetato e beta-hidroxibutirrato estão elevados simultaneamente. O teste de fita detecta principalmente acetoacetato, então cetonúria negativa não descarta completamente cetose, especialmente se o beta-hidroxibutirrato predomina. Sangue oculto na urina pode indicar hematuria real ou mioglobinúria. A fita reage com a peroxidase da hemoglobina. Se o exame microsscópico não mostrar hemácias, mas a fita for positiva, considere mioglobinúria ou hemoglobinúria. Isso exige investigação complementar com dosagem de creatinoquinase sérica. A análise microsscópica revela elementos particulados: hemácias, leucócitos, epitélio, cilindros, cristais e micro-organismos. Cilindros hialinos são comuns em desidratação. Cilindros granulosos ou celulares indicam doença renal ativa. Leucocituria com nitrito positivo sugere infecção do trato urinário. A ausência de nitrito não descarta infecção, porque nem todas as bactérias reduzem nitrato a nitrito. O pH urinário varia entre quatra e oito em condições normais. Dietas vegetarianas tendem a alcalinizar a urina; dietas ricas em proteínas a acidificam. pH persistente abaixo de cinco vírgula Cinco favorece cálculos de ácido úrico. pH acima de seis vírgula Cinco favorece cálculos de fosfato de cálcio. Em infecções por bactérias urease positivas, como Proteus mirabilis, o pH pode subir para sete ou oito, formando cálculos estruvíticos.

Uma limitação importante da fita reativa é a variação entre lotes e marcas. Diferentes fabricantes usam cromóforos distintos e os intervalos de interpretação podem variar ligeiramente. Sempre verifique o manual do kit usado pelo laboratório. Resultados borderline devem ser confirmados com métodos quantitativos, especialmente quando o resultado altera conduta clínica.

Cristais urinários merecem atenção especial. Cristais de oxalato de cálcio são os mais comuns e geralmente benignos, mas em excesso indicam risco de litíase. Cristais de ácido úrico são radiotransparentes e só são visíveis por ultrassonografia ou tomografia, nunca por raio X simples. Cristais de estruvita têm formato de tampa de caixão e estão associados a infecções por bactérias urease positivas. Cristais de cistina são raros e indicam cistinúria hereditária, uma doença autossômica recessiva que exige tratamento específico. A coleta de urina de vinte e quatro horas é o padrão ouro para dosagem quantitativa de diversos analitos. O problema é que a coleta é inconveniente e errors de coleta são frequentes. Pacientes esquecem amostras, exageram na coleta ou não conservam a urina corretamente. Para contagem de proteínas ou cálcio urinário, a relação proteína/creatinina ou cálcio/creatinina em amostra aleatória substitui com segurança a coleta de vinte e quatro horas na maioria dos casos clínicos. A proporção elimina a variabilidade do volume urinário e dá resultado comparável em menos tempo.