Como encontrar objetos que rimam na prática
Achei objetos que rimam pela primeira vez num exercício de escrita criativa num curso online. Simplesmente peguei nomes de coisas da casa e percebi que muitos tinham sons finais parecidos. Um prato com ato, um livro com graveto. Achei rápido e útil. O processo mais prático que eu uso é o seguinte: escreva uma lista de objetos ao seu redor e grife os sons finais de cada palavra. Os que terminam com -ão, -al, -ar ou -eira tendem a agrupar sozinhos. Uma mesa rima com azedas. Um copo rima com pouso. Não precisa forçar nada, só observar.
objetos que rimam: lista rápida
Aqui vai uma coletânea que fiz em dez minutos, sem muito esforço: Lâmpada rima com andada. Janela com canela. Espelho com pombelo — esse último não é muito comum, então eu substituo por abelho, que também não existe. O que funciona mesmo é espelho com pé doelho, que é ridículo. Deixa pra lá.
Cadeira rima com gradeira. Porta com porta mesmo, se você quiser usar a palavra como rima interna. Tapete com batate — novamente, uma palavra inventada. O certo seria tapete com petete, um diminutivo que talvez funcione num contexto mais coloquial. Chave com ave. Chuva com ruiva. Pé com chá — esses dois têm terminação nasal parecida, então funcionam como rimas imperfeitas, que são perfeitamente aceitáveis em versos livres.
Uma coisa que eu aprendi na marra: sofá não rima com nada que seja palatável em português padrão. Tentei cafajeste, trajeto, leque. Nenhuma dessas rimas funcionou bem numa poesia séria. O melhor que eu encontrei foi usar sofá com até num verso branco, onde a rima não é o foco principal.
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Armazenamento e download
Eu costumo salvar minhas listas de rimas num arquivo de texto simples, organizado por terminação sonora. Assim fica mais fácil consultar depois. Se você quiser, pode baixar uma planilha que eu montei com cerca de quatrocentos pares de objetos e suas rimas possíveis. O link direto está abaixo. É um arquivo CSV, compatível com qualquer editor de texto ou planilha. A planilha contém colunas separadas para o objeto, a terminação fonética e as palavras que rimam perfeita ou aproximadamente.
Por que isso funciona (e quando não funciona)
Rimas perfeitas são mais fáceis de encontrar quando se trabalha com substantivos concretos. Objetos do dia a dia são ricos em terminações regulares, o que facilita a criação de versos com esquema sonoro previsível. O problema é que a maioria das rimas que surgem são banais — amor com coração, céu com deus. Isso não tem necessariamente algo errado, mas cansa rápido. Eu já tentei criar poemas inteiros usando apenas rimas perfeitas entre objetos. O resultado foi um texto monótono depois da terceira estrofe. A solução foi misturar rimas perfeitas com assonâncias e aliterações, alternando cada dois versos. Esse método é o que eu recomendo para quem está começando.
O maior obstáculo que eu encontrei foi com palavras oxítonas terminadas em -ã ou -õe. Café parece fácil, mas as únicas rimas válidas são pé, dele, lede — e nenhuma delas carrega peso poético suficiente. O truque foi usar o som do é aberto em palavras paroxítonas como crédito e tráfego, que apesar de não serem rimas perfeitas, mantêm a musicalidade necessária. Outro problema real: objetos abstratos ou estrangeiros praticamente não produzem rimas úteis. Uma smartphone não rima com nada em português. Wi-Fi é um pesadelo. Eu parei de tentar depois de perder meia hora em vão com essas palavras.
Se você quer ir além do básico, invista tempo estudando rima consonantal versus rima vocálica. A diferença é sutil mas muda completamente o que você consegue construir. Comece com uma lista pequena de vinte objetos, faça rimas perfeitas e imperfeitas separadamente, e só depois tente montar um poema ou uma música. O processo todo leva entre trinta minutos e uma hora na primeira vez. Depois de praticado, leva uns dez.