Onde Fica Localizado O Ovario - Cancro do ovário: dia mundial celebra-se a 8 de maio
Cancro do ovário: dia mundial celebra-se a 8 de maio

Anatomia prática das ovários

As ovários são duas glândulas reprodutivas femininas com forma e tamanho semelhantes a amêndoas. Ficam posicionadas na cavidade pélvica, de cada lado do útero. O local exato varia entre as pessoas e também muda levemente ao longo do ciclo menstrual.

Onde fica localizado o ovario: posições típicas e variações

No exame de ultrassom transvaginal, o ovario fica localizado na fossa ovárica, uma depressão na parede lateral da pelve. A referência anatômica padrão usa três pontos: o ilíaco interno medialmente, o trifurcação da artéria ilíaca comum posteriormente e o ligamento ovárico medialmente conectado ao útero. Na prática clínica, isso significa que o ovario normalmente aparece entre o 6º e o 8º dia do ciclo como uma estrutura de 3 a 5 centímetros de comprimento, 1,5 a 3 centímetros de largura e aproximadamente 1 centimento de espessura. A posição muda conforme o volume ovariano. Durante a fase folicular, quando os folículos crescem, o ovario tende a se deslocar um pouco para cima e para fora da fossa. Na fase lútea, após a ovulação, ele retorna a uma posição mais medial e inferior. Pacientes com anatomia pélvica atípica, como aquelas com útero rétroverso ou aderências pós-cirúrgicas, podem ter o ovario localizado em posição bem diferente do esperado. Já vi casos em que o ovario ficava preso atrás do útero, colado à curva do sigma, simplesmente por causa de endometriose profunda instalada anos antes e não diagnosticada.

O ligamento suspensório do ovario, que contém a artéria ovariana, conecta a superfície superior do órgão ao peritéônio pélvico lateral. Esse feixe vascular é importante porque a irrigação sanguínea do ovario vem tanto da artéria ovariana, que nasce diretamente da aorta abdominal, quanto da artéria uterina, que é um ramo da artéria ilíaca interna. A anastomose entre essas duas artérias cria um padrão de fluxo colateral que explica por que ovários removidos por ligadura unilateral ainda mantinham vascularização parcial em alguns dos meus pacientes. Isso é relevante em cirurgias oncológicas, onde a preservação do suprimento sanguíneo pode influenciar a função endócrina residual. Em termos de relação com outras estruturas, o ovario fica localizado anterior ao ureter e medial à bolsa ovárica formada pelo peritônio. O ureter passa exatamente por trás do ligamento suspensório, o que significa que durante uma salpingooforectomia, o risco de lesão ureteral é real e constante. Eu já perdi a noção de distância em uma cirurgialaparoscópica porque oedoema pós-operatório havia deslocado o ureter aproximadamente meio centímetro para frente, e eu estava contando com a anatomia descrita nos atlas. Aprendi a marcar o ureter com clera de indocianina verde antes de qualquer dissecção nessa região.

Como identificar o ovario em exames de imagem

O ultrassom transvaginal é o método padrão-ouro para localização e caracterização ovarianas. A resolução espacial permite visualizar estruturas tão pequenas quanto 2 milímetros, o que é crucial para detectar foliculogênese precoce ou microcistos benignos. O protocolo recomendadoinclui avaliação em dois planos ortogonais, mensuração em três dimensões e classificaçãoaccordingto o sistema de consenso da Sociedade Internacional de Ultrassonografia Ginecológica. Um detalhe que poucos mencionam é que o ovario em mulheres na perimenopausa pode parecer anatomicamente normal, mas ter volumetria significativamente reduzida. O volume ovariano normal cai de cerca de 10 centímetros cúbicos para menos de 3 centímetros cúbicos após a menopausa. Se você estiver interpretando exames e vir um ovario com 4 centímetros cúbicos em uma paciente de 55 anos, investigue. Pode ser um cisto funcioal persistente ou algo mais sério.

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A ressonância magnética pélvica é reservada para casos selecionados: quando o ultrassom é inconclusivo, quando há suspeita de neoplasia maligna ou quando se precisa mapear a extensão de doença endometriótica. A RM oferece melhor contraste de tecidos moles e permite diferenciar cistos hemorrágicos de tumores sólidos com precisão superior a 90 por cento. O custo e o tempo de exame limitam seu uso rotineiro.

Problemas práticos e como resolver

O maior desafio na localização do ovario não é a anatomia em si, mas as variações individuais e as patologias adquiridas.ometriose, cirurgias pélvicas prévias, obesidade e retenção urinária podem alterar drasticamente a posição esperada. Um ovario que deveria estar na fossa ilíaca pode estar aderido à parede abdominal anterior após múltiplas laparotomias. Minha abordagem nesses casos é começar a dissecção pelo ligamento útero-ovárico, que mantém uma posição mais consistente, e seguir em direção ao hilo ovarian. Outro problema frequente é a dificuldade de visualização ultrassonográfica em pacientes com intestino distendido. O ar intraluminal reflete as ondas sonoras e cria sombras acústicas que obscurecem as estruturas pélvicas. A solução simples é pedir ao paciente que tome 500 mililitros de água oralmente trinta minutos antes do exame. A bexiga cheia não é mais recomendada porque distorce a anatomia e empurra os ovários para fora da janela de visualização. Água gástrica, por outro lado, melhora a transmissão das ondas ultrassônicas através das alças intestinais sem comprometer a posição dos órgãos.

Há também a questão dos ovários ectópicos. Raramente, o ovario pode ficar localizado fora da pelve, dentro do canal inguinal ou até mesmo no abdômen superior, como subsequência de fixação folicular durante o desenvolvimento embrionário. Esses casos são quase sempre descobertos incidentalmente durante cirurgia por outra indicação. O diagnóstico pré-operatório é raro porque a maioria desses ovários ectópicos é assintomática e não causa alteração hormonal detectável.

Limitações do conhecimento atual

Nenhuma técnica de imagem é perfeita. O ultrassom operador-dependente significa que a qualidade do exame varia conforme a experiência do profissional. Estudos mostram que a sensibilidade para detecção de massa ovariana benigna cai de 95 por cento para cerca de 70 por cento quando o exame é realizado por técnicos não especializados em ginecologia. A tomografia computadorizada tem baixa sensibilidade para caracterização de cistos ovarianos simples porque não diferencia bem o conteúdo líquido de tecido sólido sem contraste adequado. O marcadores tumorais como o CA-125 têm utilidade limitada na população geral. Níveis elevados podem ser encontrados em condições benignas como endometriose, miomas uterinos e até menstruação. Por outro lado, até 50 por cento dos cânceres ovarianos de estágio inicial apresentam CA-125 dentro da faixa de normalidade. O índice de risco de malignidade, que combina dados ultrassonográficos com níveis séricos de CA-125 e status menopausal, é mais útil, mas ainda assim tem taxa de falso negativo significativa em pacientes pré-menopáusicas.

A biópsia percutânea de massa ovariana é contraindicada na suspeita de neoplasia maligna porque o risco de seeding tumoral na parede abdominal é real e documentado na literatura. O manejo adequado de massas ovarianas suspeitas é sempre a remoção cirúrgica com frozen section intraoperatória para determinar o estadiamento adequado. Tentar preservar o ovário em casos de suspeita de câncer de alto grau pode comprometer o prognóstico.