Onde Fica O Ovulo - Onde Ficam Os óvulos - FDPLEARN
Onde Ficam Os óvulos - FDPLEARN

A anatomia básica que a maioria das pessoas nunca consegue localizar direito

O óvulo fica dentro do ovário, preso na parede do órgão, mas isso é só o início. Quando as pessoas perguntam onde fica o ovulo, na verdade querem saber uma cadeia de eventos que envolve ovário, tuba uterina e útero, tudo junto. O óvulo maduro não fica boiando num lugar fixo — ele é liberado e entra numa jornada de poucos dias. O ovário fica do lado de fora do útero, preso por ligamentos. Na exame de ultrassom transvaginal, ele aparece como uma estrutura ovalada com cerca de 3 a 5 centímetros, bem ao lado do útero. Dentro dele estão os folículos, cada um contendo um óvulo imaturo. Durante o ciclo, geralmente um folículo dominante amadurece e rompe, liberando o óvulo.

onde fica o ovulo no ciclo e no corpo

Na ovulação, o óvulo sai do ovário e entra na tuba uterina. A partir daí, ele viaja em direção ao útero. Esse trajeto pela tuba leva em média de 12 a 24 horas para ser percorrido, e é nesse período que a fecundação pode acontecer. Se não houver fecundação, o óvulo se degrada e é reabsorvido pelo corpo. Não cai no útero como muita gente imagina. O óvulo maduro é minúsculo — cerca de 0,1 mm de diâmetro. É uma das maiores células do corpo feminino por padrão biológico, mas ainda assim é invisível a olho nu. Em procedimentos de fertilização in vitro, os embriologistas precisam de microscópio com aumento de 100x para manuseá-lo com precisão. Sem aumento adequado, é fácil perder um óvulo na lavagem do meio de cultura.

Uma coisa que vejo muitos profissionais iniciantes na área de fertilidade errarem: tentar localizar o óvulo diretamente pelo ultrassom. O óvulo livre não dá para ver. O que aparece é o folículo dominantes antes da ovulação, e depois o corpo lúteo após a liberação. O óvulo em si só é visualizado durante uma coleta cirúrgica em técnicas de reprodução assistida, ou quando já está dentro de um folículo de cerca de 18 a 24 mm de diâmetro antes da ovulação.

O processo prático de acompanhamento

A acompanhamento do ciclo usando ultrassonografia serial é o método mais confiável para rastrear o desenvolvimento folicular. O protocolo padrão começa por volta do dia 10 do ciclo (considerando dia 1 como o primeiro dia de sangramento). Aos poucos dias seguintes, o ecografista mede o folículo dominante e acompanha seu crescimento, que gira em torno de 1 a 2 mm por dia. Quando o folículo atinge 18 a 24 mm, a ovulação é esperada nas próximas 24 a 36 horas. Nesse momento, o folículo está prestes a romper e liberar o óvulo. A partir daí, o que se observa é o desaparecimento do conteúdo folicular e o aparecimento de um pouco de líquido livre na cavidade pélvica, que é um sinal indireto de que a ovulação ocorreu.

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Já vi pacientes em clínica de fertilidade com folículos que cresciam normalmente mas não rompiam. É a síndrome do folículo luteinizado não rompido. O folículo atinge o tamanho certo, o corpo lúteo se forma, os hormônios mostram que a ovulação aconteceu, mas o óvulo fica preso. Isso ocorre em cerca de 5 a 10% dos ciclos em mulheres com endometriose leve. O diagnóstico é feito pela ausência do óvulo na punção folicular guiada por ultrassom durante um ciclo de FIV. A solução prática é o uso de gonadotrofinas combinadas com agonistas ou antagonistas de GnRH para induzir a ovulação de forma mais controlada. Outro detalhe importante: o óvulo é captado pelas fímbrias da tuba uterina. Elas criam correntes de fluido que direcionam o óvulo para o interior da tuba. Se houver aderências tubárias por infecção prévia, como uma clamídia não tratada, esse mecanismo falha. O óvulo pode ser despejado na cavidade pélvica em vez de entrar na tuba. Nesse caso, não há fecundação possível por via natural.

Questões que as pessoas sempre fazem

O óvulo sobrevive cerca de 12 a 24 horas após a ovulação. O espermatozoide, por outro lado, pode sobreviver até 5 dias no trato reprodutivo feminino. Isso significa que a janela de fertilidade é determinada mais pela longevidade do espermatozoide do que pela do óvulo. Ter relações nos 5 dias antes da ovulação tem mais chance de resultar em gravidez do que ter relação no dia da ovulação em si. Muita gente acha que o óvulo desce pelo útero. Ele não desce. Ele é empurrado pelos cílios que revestem a tuba uterina e pelo movimento peristáltico da tuba. O trajeto da tuba até o útero leva de 3 a 4 dias em média, mas se não houver fecundação nesse caminho, o óvulo degenera antes de chegar ao útero.

Quando se fala em "colheita de óvulos" em FIV, o procedimento é feito por punção aspirativa transvaginal guiada por ultrassom. Uma agulha fina é introduzida através da parede vaginal até o ovário, e cada folículo é aspirado individualmente. O óvulo é identificado no líquido folicular sob microscópio. O procedimento leva cerca de 20 minutos e é feito com sedação. Não é possível fazer isso de forma ambulatorial simples sem preparo médico.

Limitações que ninguém gosta de ouvir

O ultrassom não consegue prever com certeza absoluta se um folículo vai liberar um óvulo viável. Um folículo de 20 mm pode ter um óvulo anuclear ou com alterações citoplasmáticas que tornam a fecundação impossível. O tamanho do folículo é um indicador útil, mas não é definitivo. A única forma de avaliar a qualidade do óvulo é observá-lo diretamente, o que só é possível em laboratório. A dosagem de hormônio luteinizante (LH) por teste caseiro também tem limitações. O pico de LH antecede a ovulação em cerca de 24 a 36 horas, mas em mulheres com síndrome dos ovários policísticos (SOP), os níveis de LH podem estar cronicamente elevados, gerando testes positivos falsos. Nesses casos, o acompanhamento ultrassonográfico é muito mais confiável do que testes de urina.

Em mulheres acima de 38 anos, a taxa de óvulos com aneuploidia (número errado de cromossomos) aumenta significativamente. Mesmo com folículos de tamanho normal e ovulação regular, a qualidade genética do óvulo é o fator que mais limita a fertilidade nessa faixa etária. Nenhum acompanhamento ultrassonográfico ou hormonal consegue avaliar isso diretamente. O teste pré-implantacional em embriões de FIV é o único método disponível atualmente.