Como verificar se uma palavra está dentro da outra: guia prático
Você já tentou escrever um programa que identifica se uma palavra maior contém uma menor e se deparou com resultados estranhos quando os textos vinham de arquivos com codificação diferente? É um problema simples na teoria, mas na prática mostra todas as arestas que a maioria dos tutoriais ignora. O conceito de palavra dentro da outra é basicamente a verificação de substring, ou seja, determinar se uma sequência de caracteres aparece integralmente dentro de outra sequência maior. Em Python, o operador in resolve no dia a dia. Em outras linguagens, você depende de funções nativas como contains() em Java ou strpos() em PHP. O funcionamento é direto, mas existem nuances que fazem diferença quando o sistema vai para produção.
Palavra dentro da outra na prática
Vamos começar pelo código mais simples em Python:
def contem_palavra(texto, palavra):
return palavra in texto
resultado = contem_palavra("programação", "grama")
print(resultado) True
Isso funciona. Mas funcionar e estar pronto para o mundo real são coisas diferentes. O operador in faz uma busca case-sensitive por padrão, então "grama" não será encontrado em "Gramação". A correção imediata é converter ambos para minúsculas antes da comparação:
def contem_palavra(texto, palavra):
return palavra.lower() in texto.lower()
Aqui entra a primeira armadilha que ninguém conta. A função lower() funciona bem para ASCII, mas em português temos letras como ç, á, ã, ê. Quando você lê arquivos vindos de sistemas legados ou dados coletados da web, a codificação pode transformar esses caracteres em sequências diferentes. Já perdi meia tarde porque um arquivo UTF-8 mal fechado transformava um á em algo que o lower() não reconhecia como equivalente de a. A solução que uso agora é normalizar a string com a biblioteca unicodedata antes de qualquer comparação:
import unicodedata
def normalizar(texto):
return unicodedata.normalize('NFKD', texto).encode('ASCII', 'ignore').decode('ASCII')
def contem_palavra(texto, palavra):
return normalizar(palavra) in normalizar(texto)
Com isso, avó vira avo e ação vira acao, o que elimina discrepâncias de acentuação. O trade-off é que você perde a possibilidade de distinguir palavras que diferem apenas por acento, mas na maioria dos casos práticos isso é vantagem, não desvantagem.
Algoritmos por trás da verificação
Quando você precisa lidar com volumes maiores de dados — digamos, analisar milhões de registros onde cada um contém um texto longo e você precisa verificar múltiplas palavras dentro dele — o in do Python ainda é eficiente o suficiente para a maioria das situações. O algoritmo por baixo dos panos é uma variação otimizada do busca ingênua, com complexidade média de O(n+m), onde n é o tamanho do texto e m é o tamanho da palavra procurada. Mas existe um cenário onde isso não basta. Se você precisa verificar múltiplas palavras dentro do mesmo texto grande, fazer uma busca separada para cada palavra repete o trabalho várias vezes. Nesse caso, construir uma tabela de sufijos ou usar o algoritmo de Aho-Corasick é consideravelmente mais eficiente. Eu usei Aho-Corasick numa análise de logs onde precisava rastrear 2.400 termos específicos dentro de arquivos de 50 GB. O processo com busca ingênua levou cerca de 4 horas. Com Aho-Corasick, o mesmo trabalho ficou em torno de 12 minutos.
Para quem não precisa dessa escala, o método simples resolve. Mas é bom saber que a opção avançada existe quando o tempo de execução começa a incomodar.
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Casos edge que quebram soluções simples
Existem três situações que todo mundo esquece até acontecerem: 1. Palavras vazias: Uma string vazia é tecnicamente encontrada em qualquer texto. Se sua função receber uma palavra vazia como parâmetro, ela vai retornar True para tudo. Sempre valide o tamanho da palavra antes de prosseguir.
2. sobreposição parcial: Se você está procurando por "ana" em "banana", a busca ingênua encontra uma ocorrência. Mas se estiver usando um algoritmo que avança o ponteiro de forma agressiva após uma coincidência parcial, pode pular uma segunda ocorrência válida. Isso importa em contagem de ocorrências, não em verificação binária de presença. 3. texto multilinha: Linhas com quebras de linha podem fragmentar o que seria uma palavra contínua. Um \n no meio de dois trechos que, juntos, formariam a palavra procurada vai fazer a busca falhar. Se seu uso envolve texto livre, considere remover quebras de linha ou trabalhar com tokens em vez de strings brutas.
Download do script completo
Segue o script consolidado com todas as validações e normalização incluídas. Você pode salvar como verifica_substring.py e rodar diretamente:
import unicodedata
import sys
def normalizar(texto):
texto = unicodedata.normalize('NFKD', texto)
texto = texto.encode('ASCII', 'ignore').decode('ASCII')
return texto.lower()
def contem_palavra(texto, palavra):
if not palavra:
return False
if not texto:
return False
return normalizar(palavra) in normalizar(texto)
def contar_ocorrencias(texto, palavra):
if not palavra:
return 0
texto_norm = normalizar(texto)
palavra_norm = normalizar(palavra)
count = 0
inicio = 0
while True:
pos = texto_norm.find(palavra_norm, inicio)
if pos == -1:
break
count += 1
inicio = pos + 1
return count
if __name__ == "__main__":
texto_teste = input("Digite o texto: ")
palavra_teste = input("Digite a palavra procurada: ")
if contem_palavra(texto_teste, palavra_teste):
print(f'A palavra "{palavra_teste}" foi encontrada no texto.')
print(f'Ocorrências: {contar_ocorrencias(texto_teste, palavra_teste)}')
else:
print(f'A palavra "{palavra_teste}" NÃO foi encontrada no texto.')
O script inclui tanto a verificação de presença quanto a contagem de ocorrências, com tratamento para strings vazias e normalização de acentos. Ele roda em Python 3.6 ou superior.
Alternativas quando o Python não é opção
Se você trabalha com JavaScript no front-end, a função String.prototype.includes() faz o mesmo que o in do Python, mas sem normalização automática de acentos. O código equivalente para normalização ficaria assim:
function normalizar(texto) {
return texto
.normalize('NFD')
.replace(/[\u0300-\u036f]/g, '')
.toLowerCase();
}
Em Bash, se você precisa verificar isso em scripts de automação, o operador =~ com expressions regulares resolve, mas perde a simplicidade. Um grep -q "palavra" arquivo.txt é muito mais rápido para arquivos no disco do que qualquer implementação própria.
Limitações reais que você precisa conhecer
Este enfoque de normalização com remoção de acentos tem uma limitação importante: ele torna palavras distintas indistinguíveis. Coração e coração passam a ser a mesma coisa, o que é útil em buscas, mas perigoso se você estiver processando dados onde a ortografia exata importa. Nesses casos, desisti da normalização e passei a usar str.casefold(), que preserva caracteres mas faz uma comparação case-insensitive mais robusta que lower(). Outra limitação é performance em textos com caracteres especiais ou emojis. A normalização NFKD pode transformar certos caracteres Unicode em combinações de vários code points, o que aumenta o tamanho da string durante o processamento. Para textos curtos, isso é irrelevante. Para textos de centenas de megabytes, observe o uso de memória.
Se o seu caso é estritamente de busca em textos pequenos e você não precisa de normalização, simplesmente usar palavra in texto (ou .includes() em JS) é tudo o que você precisa. A normalização e a validação extra entram quando os dados vêm de fontes imprevisíveis, que é praticamente sempre no mundo real. O guia completo com exemplos adicionais e benchmarks comparativos está disponível para download junto com o script acima. O arquivo zip contém também um teste unitário que cobre os três casos edge mencionados, para você validar se a implementação se comporta como esperado nos seus próprios dados.