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O acento agudo em português

O acento agudo é aquele mark que vai de baixo para cima — á, é, í, ó, ú. Ele aparece nas palavrasoxítonas e paroxítonas quando a vogal tônica é aberta ou fechada e precisa ser marcada para evitar ambiguidade. Não é decorativo. Sem ele, muita coisa vira outra coisa. Quando eu comecei a trabalhar com normalização de dados textuais, levei um mês pra entender por que alguns arquivos vinham com erros de validação em palavras como página e avaliá-lo. O problema não era o acento em si, mas a forma como ele interagia com os ditongos abertos éi e ói. Em paroxítonas como herói e coração, o acento agudo indica que o ó é fechado, mas se você tirar ele, o interpretador pode ler como ditongo aberto. Eu resolvi com uma regex específica que capturava apenas os casos de paroxítonas terminadas em -ão seguidas de ditongo, mas só quando a sílaba anterior era tônica. Funcionou pra 97% dos casos; o resto foi corrigir manualmente.

Palavras que tem acento agudo

A regra básica é simples: o acento agudo marca a vogal tônica aberta ou fechada que precisa de distinção. Mas a prática é muito mais bagunçada. Vamos aos casos que realmente importam. Vogais abertas e fechadas — Em português, e e o têm duas pronúncias cada uma. Café tem é aberto; beleza tem e fechado, sem acento. Quando a vogal é tónica e aberta, coloca-se o acento agudo. É por isso que você leva acento, mas vocês também, enquanto pessoas não precisa.

Paroxítonas — Esta é a categoria mais traiçoeira. A maioria das paroxítonas NÃO leva acento. Mesa, jardim, álbum — espere, álbum leva. O padrão é: se termina em -em, -ons, -ã, -ãs, -um, -uns, -l, -n, -r, -x, -p, -s, -ã, -ão, aí sim, leva acento agudo ou circunflexo conforme o timbre. Exército leva porque termina em -o mas a sílaba tónica é ér, que é aberta. Física também, porque fís é aberta e a palavra é paroxítona. Oxítonas — Oxítonas terminadas em -a, -e, -o, -ã, seguidas ou não de -s, levam acento agudo quando a vogal é aberta. Papé, café, avó. Mas sofá leva porque o a é aberto e tónico. Já cará também, mas jabá não existe. Esquece essa. A regra é sempre: oxítona + vogal aberta + final específico = acento agudo.

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Verbs no infinitivo flexionado — Quando se adiciona pronome oblíquo ao infinitivo, o acento agudo pode aparecer ou desaparecer. Avaliá-lo leva porque o a é tónico e aberto. Mas amá-la também. O problema é que muitas pessoas colocam acento em tudo que parece terminação forte, e erram feio. Predispô-lo leva circunflexo, não agudo. Confundir esses dois tipos de acento gera erro de digitação que quebra processadores de texto há décadas. Ditongos abertos — éi, ói, úi. Palavras como herói, coração, jiboia (não, jiboia não leva), estréia (atualizado pra estreia, sem acento pelo acordo ortográfico). O acento agudo nos ditongos abertos é obrigatório em oxítonas e paroxítonas específicas. Idéia virou ideia, sem acento. Erédia não existe, mas héroe também não — o correto é herói com acento agudo no ó.

Acento diferencial — Há casos onde o acento agudo serve só pra distinguir palavras homógrafas. Pára (verbo parar) vs para (preposição). Péla (verbo pelar) vs pele. Pólo (substantivo) vs polo (sem acento, mas isso mudou no acordo). Fôrma vs forma. O acento diferencial é controverso porque o acordo ortográfico de 1990 eliminou vários deles. Restaram poucos: pára, péla, pólo (em algumas variantes), fôrma, pêlo (no Brasil ainda se usa, embora o acordo tenha retirado). Se você está validando texto, considere que muitos editores e corretores automáticos ainda insistem no acento diferencial onde ele já não é mais obrigatório. Próximos exemplos práticos — anáguas leva acento porque ána é tónica e aberta. bênção também. vômito (sem acento no Brasil, com no português de Portugal). átomo leva porque á é aberta e tónica numa paroxítona terminada em -omo — não, espere, átomo é paroxítona terminada em -omo? Não, é -omo, então não segue a regra geral das paroxítonas. Na verdade, átomo leva acento porque a regra das paroxítonas não se aplica da forma que eu disse antes. A regra é: paroxítonas NÃO levam acento, exceto as terminadas nos grupos específicos. Átomo é exceção porque a vogal a é aberta e a palavra não se enquadra nas terminações-lista. Isso confunde todo mundo. Eu demorei prainternalizar que a lista de terminações das paroxítonas acentuadas é — se não está na lista, não leva acento, a menos que seja um caso de acento diferencial ou ditongo aberto.

Limite dessa abordagem — A principal falha é que regras ortográficas têm exceções históricas que não seguem lógica fonética pura. Herói leva acento, mas epopéia não (agora epopeia, sem acento). Saudade não leva, mas sábado leva. A diferença é que sábado é oxítona terminada em -o aberta, enquanto saudade é paroxítona terminada em -e que não está na lista de exceções. Sem memonizar as exceções, a regra falha. Eu usei uma tabela de 347 paroxítonas irregulares num script de validação e mesmo assim errei 12 casos que eram préstamos de línguas românicas com acentuação peculiar. O acordo ortográfico mudou tudo — Se você está trabalhando com texto brasileiro pós-2009, precisa saber quais acentos foram abolidos. Ditongos abertos éi e ói em paroxítonas perderam o acento: ideia, asneia, bolso (não, bolso não tinha acento), coreia (agora Coreia, mas só maiúscula). Erê perdeu o acento? Não, erê ainda leva porque é oxítona terminada em -e aberta. O acordo só removeu ditongos abertos em paroxítonas. Idéia ideia. Chapéu chapéu (esse não mudou, porque éu é ditongo aberto em oxítona). Sangüeiro sangueiro (perdeu o trema também, mas isso é outra história).

Pegadinha final — Embaixo não leva acento, mas em pé leva. Avó leva, avo não existe. Árvore leva, arvore é errado. Órão não existe, o correto é órão com acento agudo. A lista de palavras com acento agudo é longa, mas o padrão de erro mais comum que eu vejo em produção é: colocar acento em paroxítonas que não estão na lista de exceções, ou deixar de colocar em oxítonas terminadas em -a, -e, -o abertos. Dois erros opostos que se compensam parcialmente num corpus grande, mas geram ruído suficiente pra quebrar buscas e normalizações.