Para Que Serve O Memorando - Memorando de Entendimentos: entenda o que é e para que serve - Caputo ...
Memorando de Entendimentos: entenda o que é e para que serve - Caputo ...

O que é um memorando e como funciona na prática

Um memorando é um documento interno usado para comunicação formal dentro de uma organização. Ele registra decisões, instruções, atualizações de procedimento ou solicitações entre departamentos. Não é uma carta, não é um e-mail informal, e muito menos uma ata de reunião. É algo com peso documental que pode ser arquivado e consultado depois. Na maioria das empresas, o memorando substituiu em grande parte os comunicados escritos em papel. Ainda assim, muita gente não sabe escrever um direito. O problema principal é que o formato varia muito de uma organização para outra, e quando você tenta padronizar, esbarra com pessoas que insistem em transformar tudo em relato longo demais.

Para que serve o memorando no cotidiano organizacional

O uso mais comum é documentar alterações em processos. Trocaram o fornecedor de insumos? Memorando. Mudou a política de benefícios dos funcionários? Memorando. Um departamento precisa que outro tome alguma providência e quer ficar registrado? Memorando. Também serve como prova de que uma informação foi comunicada. Se você envia um memorando sobre um prazo e seis meses depois surge uma questão sobre quem era responsabilidade do quê, o documento está lá. Isso é especialmente relevante em setores regulados, onde a rastreabilidade das comunicações internas é exigência da fiscalização.

Eu já vi memorando ser usado de forma inapropriada como se fosse instrumento de cobrança jurídica, o que não faz sentido. Memorando não tem força de contrato. É uma ferramenta de comunicação interna, ponto. Quem tenta usar como se fosse notificação extrajudicial geralmente acaba ficando sem argumento quando o assunto chega a uma instância maior. O formato padrão geralmente inclui data, remetente, destinatário, assunto e corpo do texto. Alguns setores adicionam número de protocolo e referência a documentos anteriores. O corpo deve ser direto, sem floreios. Você escreve o que precisa comunicar em duas ou três páginas no máximo. Se precisa de mais, provavelmente está usando a ferramenta errada.

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Um detalhe que muita gente esquece: o memorando ganha força quando é referenciado corretamente. Um documento sem número, sem data clara e sem cópia aos interessados relevantes vira pó quando alguém precisa provar que foi comunicado. Eu aprendi isso na prática quando precisei reconstruir a cronologia de uma mudança de processo que envolvia três departamentos e oito meses de discussão. O memorando chave estava arquivado sob um nome de assunto que ninguém lembrava. Passei duas horas procurando até encontrar. Depois disso, passo a usar uma nomenclatura padrão para arquivos de memorando: data no formato AAAA-MM-DD, sigla do departamento remetente e palavra-chave do assunto. Funciona bem há anos.

Há limitações importantes. Memorando não resolve conflito de responsabilidades por si só. Se dois departamentos têm interesses divergentes, o memorando apenas registra que a informação foi enviada. Não garante que foi compreendida ou que será executada. Para questões assim, o adequado é combinar com um termo de responsabilidade assinado ou um acordo de nível de serviço, dependendo do contexto. Também não é adequado para comunicação com terceiros externos à organização. Memorando é interno. Para assuntos com parceiros, clientes ou fornecedores, use contrato, carta formal ou e-mail institucional com os devidos encaminhamentos.

Se quiser um modelo base, a estrutura mínima funcional é: cabeçalho com data e identificação dos envolvidos, linha de assunto clara, parágrafos objetivos e, ao final, cópia aos interessados e espaço para assinatura ou confirmação de recebimento. O resto é adaptação à cultura da sua organização.