Patagonia Verao - Confira 5 atrações imperdíveis do verão na Patagônia Argentina
Confira 5 atrações imperdíveis do verão na Patagônia Argentina

O que precisa saber sobre a Patagônia no verão

A temporada de verão na Patagônia vai de dezembro a fevereiro, e o clima não é brincadeira. Estou falando da parte sul, aquela que fica entre o Chile e a Argentina. Temperaturas variam bastante dependendo da altitude e da latitude. Em Ushuaia, por exemplo, o máximo durante o dia gira em torno de 12°C, às vezes chegando a 15°C quando o vento sopra do norte. Em bariloche, o calor pode passar dos 25°C em janeiro.

Patagonia verao: planejamento prático

O erro mais comum que vejo viajantes cometerem é chegar achando que verão significa roupas leves. Já vi gente chegar em El Chaltén com bermudas e tênis de corrida, achando que ia passear tranquilo pelo campo de gelo. O tempo muda em minutos. Num mesmo dia, você pode sair de casa com sol forte e voltar encharcado de chuva gelada sem aviso prévio. A recomendação é sempre pensar em camadas. Uma malha de lã merino por baixo, uma camisa de poliéster respirável no meio, e uma jaqueta impermeável por cima. Botas de trilha com cano alto são praticamente obrigatórias se você pretende walkar o Fitz Roy ou fazer alguma coisa fora das trilhas pavimentadas. O vento é o fator que mais subestima. Ele pega qualquer temperatura e faz parecer cinco graus a menos. Já passei uma tarde inteira esperando as nuvens passarem para tirar uma foto na Laguna de Tres Colores e o vento me obrigou a recolher o equipamento porque estava balançando a câmera perigosamente. A solução foi esperar a noite, quando o vento costuma calmar um pouco, e ir de volta no dia seguinte. Demorei três dias para conseguir imagens razoáveis naquele lugar. Nem sempre vale a pena insistir.

Reservas para trekking no Parque Nacional Los Glaciares precisam ser feitas com antecedência, especialmente entre dezembro e fevereiro. O acesso ao Mirador de Torre e o campo base do Fitz Roy têm limite diário de visitantes. Sem reserva, você perde o dia inteiro. O sistema de agendamento funciona pelo site do parque argentino, e as vagas abrem com algumas semanas de antecedência. É comum esgotar em poucos minutos nos finais de semana. Há uma vantagem em viajar na baixa temporada: hotéis e pousadas cobram menos. Mas o preço cai quando você aceita o risco de ficar sem trilhas abertas. O gelo pode estar instável em fevereiro, e algumas rotas são fechadas preventivamente. Já vi grupos inteiros retornando de trekkings porque a ponte de gelo sobre um rio havia sido interditada pelo parque. Não há muita o que reclamar. A segurança vem primeiro, e o parque fecha o que considera arriscado sem negociação.

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Para quem prefere a costa chilena, Torres del Paine também tem sua logística. O refúgio Grey precisa de reserva com pelo menos dois meses de antecedência no verão. Sem esse resgate, você dorme no camping, que é mais barato mas lota rápido. O camping tem banheiros, mas a água fria não é luxo, é obrigação. A temperatura da água no banho pode ser próxima de zero se o aquecedor solar não funcionar, o que acontece com frequência quando há muitas nuvens. O transporte interestadual na Patagônia argentina é limitado. Ônibus entre El Calafate e Ushuaia levam cerca de dez horas. Se você estiver de carro, considere que as distâncias são grandes e os postos de gasolina podem sumir por centenas de quilômetros. Eu já cheguei com o tanque quase vazio entre Río Gallegos e Puerto San Julián. A recomendação é abastecer sempre que possível, mesmo que o posto seguinte pareça estar muito longe. O celular também não funciona em grande parte desses trechos, então baixar o mapa offline é essencial.

Se o objetivo é avistar animais, elefantes-marinhos e lobos-do-mar aparecem nas praias do sul entre novembro e março. Penguins também aparecem nessa época, principalmente em colônias como a de Magdalena na Península Antártica. É preciso manter distância. Multas por se aproximar demais dos animais existem e são aplicadas com firmeza. Um detalhe que poucas pessoas mencionam é o horário de verão. A Patagônia argentina não adota horário de verão atualmente, mas no verão civil o sol nasce por volta das 7h30 e se põe após as 21h. Isso significa dias longos para caminhar, mas também noites claras. Se você gosta de fotografia noturna, tenha isso em conta. A Via Láctea aparece nítida em lugares sem poluição luminosa, como ao redor da Laguna de los Tres.

O orçamento mínimo para uma viagem de uma semana na região custa entre mil e dois mil dólares por pessoa, considerando hospedagem econômica e refeições em restaurantes locais. Excursões guiadas para o Glaciar Perito Moreno podem custar entre quarenta e oitenta dólares, dependendo do nível de aventura. Trilhas livres não têm custo de entrada, mas o parque cobra taxa de visitação, que varia conforme o tipo de visitante e a temporada. Se você está planejando ir nessa época, pense no que realmente quer ver. A Patagônia é vasta e não dá para conhecer tudo em uma única viagem. Escolha uma região, reserve com antecedência e leve roupas adequadas. O clima lá testa até os mais preparados.