Os príncipes de Shrek: quem são e o que acontecem
Quando a franquia Shrek se dedica a desconstruir contos de fadas, os príncipes aparecem quase sempre como vilões ou figuras cômicas em vez de heróis tradicionais. O Príncipe Encantado da segunda parte é o exemplo mais claro disso. Ele não é um sujeito bonito por fora; é calculista, manipulador e ainda por cima usa magia enganosa para roubar o destino da Aurora. Esse personagem mostra exatamente como a série inverte expectativas desde o início.
Personagens de Shrek príncipe
O Príncipe Encantado, dublado no original por Bruno Campos, aparece exclusivamente em Shrek 2. Ele se passa por um herói de conto de fadas genérico quando encontra a Aurora, mas na verdade tem planos muito mais sombrios. Ele contrata a bruxa Mama Loki para trocar os destinos dele e do príncipe Phillip, fazendo com que todos acreditem que ele é o verdadeiro herói. A revelação acontece quando ele tenta beijar a Aurora e descobre que ela está protegida pelo feitiço que foi manipulado. Já o Príncipe Phillip, que aparece brevemente no filme anterior, é mais interessante do que parece num primeiro olhar. Ele é o noivo original da Aurora, aquele que deveria receber o beijo do verdadeiro amor no conto tradicional. A cena em que a Bruxa Má tenta transformar a Aurora numa coruja enquanto ele dorme mostra como o personagem funciona como contraponto direto ao Príncipe Encantado. Um é legítimo, o outro é fraude.
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Não dá para ignorar também os Príncipes dos Contos de Fadas em geral, que aparecem como figurantes nas sequências. Eles fazem parte do cenário da Vila dos Contos de Fadas e incluem figuras como o Príncipe Sapinho e diversos outros personagens masculinos de histórias clássicas. A vila inteira é uma metalinguagem sobre como esses arquétipos são tratados no cinema tradicional. O problema mais comum que as pessoas encontram ao tentar organizar informações sobre esses personagens é a confusão entre o nome no dublagem brasileira e no original. O Príncipe Encantado é chamado simplesmente de "Prince Charming" no roteiro americano, mas no Brasil ganhou esse nome que já carrega a ironia da obra. Quem pesquisa nos bancos de dados internacionais precisa ter cuidado com essa diferença de nomenclatura para não perder referências úteis.
O que muita gente não percebe é que o design do Príncipe Encantado carrega camadas de crítica à estética de herois Disneyanos que estavam no auge na época do lançamento. Ele parece perfeito demais, e essa perfeição é propositalmente desagradável. Os animadores deixaram propositalmente alguns detalhes artificiais no rosto dele para transmitir essa sensação de falsidade sem precisar dizer nada em diálogo. Se você quer ver os dois príncipes em cena juntos, vale a pena dar uma assistida em Shrek 2 prestando atenção nas diferenças entre o Phillip (mais humano e vulnerável) e o Príncipe Encantado (sóbrio e frio). A diferença de atuação entre eles marca exatamente a linha entre o herói genuíno e o impostor, algo que a franquia explora repetidamente.