Picareta De Dima - Picareta de Dima - Desenho de Vittinho121 - Gartic
Picareta de Dima - Desenho de Vittinho121 - Gartic

O que é e como usar a picareta de dima

A picareta de dima é um instrumento odontológico básico, daqueles que todo mundo conhece mas pouca gente domina de verdade. Ela tem a forma de um picaretinha pequena com uma extremidade em colher e a outra em ponta. Serve para remover cárie, extrair material de restauração antigo e limpar cavidades durante procedimentos restauradores. O funcionamento é simples em teoria, mas na prática depende mais de técnica do que de força. A maioria dos iniciantes erra ao aplicar pressão vertical demais, o que escorrega e pode lesionar a polpa. O movimento correto é de tração, puxando o instrumento em direção ao operador, nunca empurrando para dentro da lesão.

picareta de dima

Existe uma variedade de números no sistema de classificação de instruments odontológicos, normalmente entre 2R e 7R para as versões com ponta reta, e variações como G9 e H10 para as curvas. A diferença principal está no ângulo do cabo e no tamanho da lâmina. Eu costumo usar a 2R para lesões mais superficiais e a 7R quando preciso de mais alcance em cavidades profundas. O mercado oferece opções de aço inoxidável comum, aço carbono revestido e titânio. A diferença prática: o aço inoxidável desafia menos corrosão mas escorrega mais na mão. O titânio dá melhor aderência mas é mais caro e amassa fácil se você deixar cair na bandeja. A versão mais comum que vejo em consultório é a de aço inox com cabo curto, porque o cabo longo exige mais espaço bucal e na maior parte dos casos não cabe.

Eu já passei por um problema específico há alguns anos com uma cavidade Classe II profunda em um paciente que recusava anestesia local. A picareta deslizava em vez depegar a cárie, e eu estava correndo risco de expor a polpa. A solução foi usar a picareta molhada com água, criando um leve efeito de sucão que dava mais aderência ao metal na superfície úmida. Foi meio brega, mas funcionou. Evitou a exposição pulpar naquela ocasião. Uma coisa que poucos contam é que a picareta de dima não serve apenas para remover cárie. Ela é excelente para levantar bordas de restaurações antigas de amálgama ou composite antes de remover o material completo. Se você tentar arrancar uma restauração velha direto com broca, o risco de fratura do dente é alto. A picareta entra por baixo e levanta com alavancagem controlada.

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O outro erro comum é usar a mesma picareta para tudo. Tem gente que usa a ponta reta para limpar sulcos e depois a colher para cavar lesão profunda. Isso contamina o instrumento e perde-se o controle do ângulo. O ideal é ter pelo menos duas unidades: uma dedicada à remoção grossa de cárie e outra para refinamento. Na minha experiência, isso economiza cerca de 3 a 5 minutos por procedimento e reduz o cansaço da mão. Para quem quer adquirir, a picareta de dima padrão é encontrada em casas de instrumentos odontológicos como a Duflex, Satake e GM Instruments. Os preços giram em torno de R$ 15 a R$ 40 por unidade, dependendo do fabricante e do acabamento. Existe também a opção de kits com múltiplos instrumentos, que saem mais em conta se você faz procedimento restaurador frequentemente.

As limitações são reais. A picareta de dima não substitui a broca para cáries extensas ou duras, especialmente em dentina esclerótica de pacientes mais velhos. Nesses casos, o instrumento desliza e não remove material eficiente. Também não serve para preparos de cavidade que exigem geometria precisa, como as paredes de uma preparing de coroas. Para isso, aí sim, a broca é indispensável. Se você está começando na odontologia e ainda não tem familiaridade com a ferramenta, o recomendado é praticar primeiro em dentes extraídos ou em simuladores de cera. A sensação tátil de saber quando a cárie foi completamente removida e quando a dentina sadia foi atingida leva tempo para ser desenvolvida. Não adianta ter o melhor instrumento do mercado se a mão não tem memória muscular para a pressão correta.

Manutenção básica: lave imediatamente após o uso, passe álcool 70% e encape antes de esterilizar. Não deixe seca na bandeja, pois resquícios de sangue e tecido orgânico grudam no metal e aceleram a corrosão. Uma picareta corroída escorrega mais e precisa de mais força, o que aumenta o risco de lesão iatrogênica. Eu recomendo ter sempre uma picareta de dima de reserva no consultório. Quando a principal perde o fio de corte natural ou entorta, a secundária evita interrupto no procedimento. Na média, uma picareta bem cuidada dura entre 6 meses e 1 ano de uso diário antes de precisar ser substituída.