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O que é a próstata e por que ela existe

A próstata é uma glândula do tamanho de uma noz, situada logo abaixo da bexiga e à frente do reto, em homens. Ela tem uma função bem específica e, quando funciona como deveria, praticamente passa despercebida. O problema é que, com a idade, ela tende a dar trabalho. Isso é rotineiro na prática clínica.

Próstata para que serve: a produção do fluido seminal

A principal função da próstata é produzir uma parte do fluido que compõe o sêmen. Esse líquido é rico em citrato, enzimas como a psamina e zinco, e ajuda a nutrir e proteger os espermatozoides depois da ejaculação. Sem esse fluido, a mobilidade e a sobrevivência dos espermatozoides caem significativamente. É um mecanismo simples, mas essencial para a fertilidade masculina. A próstata também contribui com substâncias que facilitam a liquefação do sêmen após a ejaculação. Logo depois de sair do corpo, o sêmen é mais grosso. As enzimas prostáticas vão afinando ele gradualmente, o que permite que os espermatozoides se movam melhor. Isso acontece em cerca de 15 a 30 minutos.

Problemas comuns que todo mundo enfrenta

Hiperplasia benigna da próstata é o termo técnico para o crescimento não canceroso da glândula. É extremamente comum. Aproximadamente 50% dos homens acima de 50 anos têm algum grau de HBPM, e esse número sobe para cerca de 90% após os 80. O crescimento da próstata comprime a uretra, o que causa sintomas urinários como fluxo fraco, dificuldade para começar a urinar, necessidade de urinar frequentemente especialmente à noite, e a sensação de que a bexiga não esvazia completamente. Outro problema frequente é a prostatite, que é a inflamação da próstata. Pode ser bacteriana ou não bacteriana. A prostatite bacteriana aguda causa febre, dor intensa na região perineal, dificuldade para urinar e às vezes retenção urinária completa. Isso é uma emergência urológica que precisa de antibióticos e, em alguns casos, dreno. A prostatite crônica é mais insidiosa e muito mais difícil de tratar. Câncer de próstata é a terceira maior preocupação. Ele muitas vezes não causa sintomas nas fases iniciais. Por isso o rastreamento com PSA e o toque retal são importantes. O PSA sozinho não diagnostica câncer, pois pode estar elevado por HBPM ou prostatite também.

O que eu vi na prática e como resolver

Já atendi homens que chegavam com retenção urinária aguda porque a próstata estava completamente obstruindo a uretra. Em um caso específico, um paciente de 67 anos chegou à urgência sem conseguir urinar há mais de 12 horas. Ocatetismo vesical de demora foi necessário, e depois de resolvida a urgência, iniciamos tratamento com alfabloqueadores como a tamsulosina. Em dois dias, ele conseguiu urinar normalmente. Esse tipo de quadro é comum, mas quando surge repentinamente é assustador. Uma coisa que poucos explicam direito: o tamanho da próstata nem sempre corresponde à gravidade dos sintomas. Já vi homens com próstatas grandes que urinizavam relativamente bem, e outros com próstatas moderadamente aumentadas que tinham sintomas debilitantes. O que importa é como a glândula está crescendo em relação à uretra, não apenas seu volume total. Uma expansão para dentro do canal uretral causa mais obstrução do que um crescimento externo. Outro ponto que as pessoas ignoram: medicamentos para hipertensão podem piorar sintomas prostáticos. Bloqueadores alfa usados para pressão arterial têm efeito semelhante aos usados para próstata, mas em dosagens diferentes. Se você está tomando medicação para pressão e nota piora urinária, converse com seu médico sobre ajustes. Nada disso é motivo para automedicação.

Quando procurar um urologista

Se você tem mais de 50 anos e notou alguma mudança nos hábitos urinários, marque uma consulta. Homens afrodescendentes ou com histórico familiar de câncer de próstata devem começar os exames a partir dos 45 anos. O exame de toque retal e o PSA são os dois pilares do rastreamento. Juntos, oferecem uma visão razoavelmente confiável do estado da próstata. Se houver indicação de procedimento, existem opções desde medicamentos orais até cirurgias minimamente invasivas. A ressecção transuretral da próstata (RTUP) ainda é o padrão-ouro para casos mais graves, mas técnicas como vaporização a laser e embolização das artérias prostáticas têm mostrado resultados bons com recuperação mais rápida em pacientes selecionados. Manter hábitos saudáveis ajuda. Reduzir café e álcool, especialmente à noite, diminói a frequência urinária em muitos casos. Atividades físicas regulares estão associadas a menor risco de sintomas prostáticos progressivos. Nada disso substitui acompanhamento médico, mas faz diferença no dia a dia.