O baralho do Truco não é completo e essa é a primeira coisa que os iniciantes não entendem
A maioria das pessoas tenta jogar Truco com um baralho padrão de 52 cartas e logo percebe que algo está errado. Os pontos não batem, o jogo fica estranho e não conseguem explicar por quê. A resposta é simples: no Truco tradicional paulista, as cartas 8 e 9 são retiradas do baralho, restando apenas 40 cartas para toda a partida. Isso significa que temos 10 cartas por naipe em vez das 13 habituais. Os naipes continuam sendo o mesmo — copas, ouros, espadas e paus — mas o conjunto de valores muda completamente. O ranking de força das cartas no Truco é:
3 (a maior carta, chamada de "trunfo" ou "mapa") 2 (segunda maior)
A (Ás) 7 (em algumas variantes, tem valor especial)
K (Rei) Q (Dama)
J (Valetes) 4
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5 6
Essa hierarquia é o que causa mais confusão. O 3 ser a carta mais forte do jogo é contra-intuitivo para qualquer um que veio de Bridge ou Poker. E o ás vem depois do 2, não como o mais alto. Isso existe porque o Truco nasceu de jogos populares que remontam ao século XVIII, quando os naipes e valores tinham significados diferentes dos que usamos hoje.
Quais cartas nao tem no truco
Voltando à pergunta central: as cartas que simplesmente não existem no baralho de Truco são os 8 e os 9 de todos os naipes. Ou seja, são 8 cartas ausentes no total. Se você tiver um baralho comum e tirar essas oito, sobra o conjunto correto para jogar. Existem variações regionais que merecem atenção. No Truco Mineiro, por exemplo, também se remove o 7, ficando com apenas 37 cartas (ou 40 se contar o 7 de cada naipe como curinga). Já no Truco Paulista convencional, mantêm-se os 7 mas eles perdem força para as figuras. No Truco Bahiano, às vezes se joga com 40 cartas mas com regras de pontuação diferentes. O importante é saber qual versão vocês vão jogar antes de misturar as regras no meio do jogo — isso já vi causar briga feia em boteco.
Uma experiência prática que vou deixar aqui: uma vez, em uma mesa de bar em São Paulo, um colega trouxe um baralho novo lacrado e começou a reclamar que faltavam cartas. Ele estava certo em parte — o baralho tinha 52, então realmente estavam "faltando" as de 8 e 9. Mas o problema real era que ninguém à mesa sabia disso e estava contando pontos com o baralho errado, resultando em rodadas com placar absurdamente alto. A solução foi rápida: remover as 8 cartas fisicamente e avisar ao adversário. Ninguém reclamou mais. O erro mais comum que vejo ocorrer é as pessoas tentarem adaptar o Truco usando baralhos espanhóis ou desenhados para outros jogos, achando que dá na mesma. Não dá. O Truco depende da contagem de 40 cartas para funcionar matematicamente. Se você alterar esse número, a probabilidade de mãos, a estratégia de blefe e toda a estrutura do jogo muda. Não recomendo experimentar com baralhos incompletos de outra origem — o resultado é sempre confuso e o jogo perde o sentido.
Outro detalhe que pouca gente sabe: quando se retiram os 8 e 9, os naipes ficam desbalanceados em termos de quantidade de cartas altas. Em um baralho completo, cada naipe tem 13 cartas. Removendo 8 e 9, cada naipe passa a ter 10. Isso afeta diretamente a probabilidade de distribuir mãos fortes. É por isso que o "Truco Paulistano" funciona com 40 cartas — é o mínimo necessário para manter a tensão do jogo sem torná-lo totalmente previsível. Se quiser testar na prática, a configuração básica é: pegue um baralho comum, retire os quatro 8 e os quatro 9, embaralhe e distribua três cartas para cada jogador. O jogo segue normalmente a partir daí. A maioria das casas de jogo já vende baralhos específicos de Truco, que vêm separados dessas cartas, mas um baralho comum bem tratado resolve qualquer situação.