Entendendo vogais e semivogais no português
A gente passa muito tempo nessa confusão porque os livros de gramática explicam de forma muito seca. O conceito real é bem mais simples se você pensar em termos de função silábica, não de letra.
quais sao as vogais e semivogais
Vogais são os sons que formam o núcleo da sílaba. No português brasileiro, temos cinco vogais orais: a, e, i, o, u. Cada uma delas pode ter variação aberta ou fechada dependendo da região e do contexto fonológico, mas isso não muda a classificação. Semivogais são sons parecidos com vogais, mas que não fazem parte do núcleo silábico. Eles atuam como borda da sílaba, sempre aparecendo junto com uma vogal verdadeira para formar um ditongo, hiato ou tritongo. As semivogais do português são basicamente duas: o som de /j/ (como em "yeit") e o de /w/ (como em "we"). Na escrita, eles aparecem representados por letras como i, u, e, o dependendo da palavra e da estrutura silábica.
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O problema é que a mesma letra pode ser vogal ou semivogal. Olha só: em "pide", o i é vogal porque faz o núcleo da sílaba. Já em "paixi", o i final é semivogal porque o núcleo da última sílaba é o ditongo, e o i não carrega a força tônica sozinho. A mesma coisa com o u em "guerra": ele é mudo lá, não conta como semivogal também. É confuso, eu sei. Eu já vi gente errar isso em revisão de texto contratada porque a regra não é só olha a letra, é identifica onde está o núcleo silábico. Quando eu tava fazendo análise fonológica de textos técnicos na época que trabalhava com editora, minha solução era dividir as palavras em sílabas foneticamente, não graficamente. A sílaba "cai" se divide como ca-i foneticamente, mas graficamente depende do dicionário. O i aqui é semivogal porque vem depois da vogal a e fecha o ditongo crescente. Já em "dia", temos di-a, onde o i é vogal e o a é outra vogal separada — isso é hiato, não ditongo.
Um detalhe que muita gente perde: semivogais também existem como consoantes reais em posições iniciais de sílaba. O som de "y" em "yoiô" ou o de "w" em "water" são semivogais consonantais. No português padrão, esses sons aparecem principalmente em palavras estrangeiras ou empréstimos linguísticos, mas o mecanismo fonológico é o mesmo. Elas são sons de transição entre vogais, nunca núcleos. Outra armadilha comum é o tratamento do "r" e do "l" em encontros consonantais seguidos de i ou u. Em palavras como "frita" ou "grudo", o i e o u podem funcionar como semivogais dentro de um ditongo decrescente. Isso significa que a sílaba toda funciona como um bloco fonológico, não como duas vogais separadas. Na prática, isso altera a classificação métrica de versos e a contagem silábica em análises poéticas, então preste atenção nisso se for fazer algo relacionado a literatura.
Quando você não tem certeza se uma vogal é semivogal, o teste mais confiável é verificar se a letra isolada consegue formar uma sílaba tônica por conta própria. Se conseguir, é vogal. Se depender de outra vogal vizinha para existir como núcleo, é semivogal. Funciona em quase todos os casos, exceto nas situações mais marginais onde o português tem variabilidade dialectal forte, como na pronúncia do e tônico no sudeste versus no nordeste.