Quais São Os Hormônios Sexuais - Quais Sao Os Hormonios Sexuais - NAZAEDU
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O que você precisa saber sobre hormônios sexuais

Os hormônios sexuais são moléculas sinalizadoras produzidas principalmente pelas gônadas, e a pergunta quais são os hormônios sexuais tem uma resposta que parece simples mas esconde variações importantes na prática clínica. O estradiol, a testosterona e a progesterona são os três nomes que aparecem em qualquer livro. Mas na vida real, olhando laudos e acompanhando pacientes, a coisa é mais desordenada. Tem o estriol, a testosterona livre, a DHEA-sulfato, a progesterona natural versus a sintética. Cada um comHalf-vidas diferentes, cada um mediado por proteínas de transporte que mudam a interpretação do resultado.

quais são os hormônios sexuais e o que cada um faz

Estradiol (E2) é o principal estrogênio em mulheres pré-menopáusicas. Produzido pelos folículos ovarianos, regula o ciclo menstrual, mantém a densidade óssea, influencia o endométrio e tem efeitos cardiovasculares. Em homens, também está presente em quantidades menores, convertido da testosterona pela enzima aromatase. Níveis elevados de estradiol em homens podem causar ginecomastia e disfunção erétil. Baixo estradiol em mulheres leva a atrofia vaginal, osteoporose e sintomas vasomotores. Testosterona é o andrógeno principal. Cerca de 95% é produzida nos testículos em homens e nos ovários e adrenal em mulheres. A testosterona livre é a fração biologicamente ativa. A maior parte circula ligada à SHBG (globulina ligadora de hormônios sexuais) e albumina. Testar apenas testosterona total é insuficiente. A testosterona livre calculada ou medida diretamente dá uma imagem muito mais precisa, especialmente em pacientes com alterações na SHBG como obesidade, doenças hepáticas ou uso de esteroides anabolizantes.

Progesterona é produzida pelo corpo lúteo após a ovulação e pela placenta na gravidez. Na prática, o nível de progesterona no dia 21 do ciclo (ou 7 dias antes da espera pelo sangramento) é o marco padrão para confirmar se houve ovulação. Valores acima de 3 ng/mL sugerem ovulação; acima de 10 ng/mL indicam progesteronemia adequada. Mas esse número varia de mulher para mulher e o timing precisa ser preciso. Erro de dois dias na coleta já compromete a interpretação.

Como a terapia de reposição funciona na prática

Reposição hormonal não é só jogar hormônio no sangue e torcer. Tem farmacocinética, tem via de administração, tem interação com proteínas plasmáticas. A via transdérmica do estradiol evita o efeito de primeiro passo hepático, o que reduz o risco de tromboembolismo comparado à via oral. Já a progesterona micronizada via oral tem efeito sedativo que muitos pacientes relatam como benefício para insônia, mas outros não toleram. Em homens com hipogonadismo, a testosterona via gelApplication diária mantém níveis estáveis, mas o risco de transferência para terceiros é real. Já as injetáveis de testosterona enantato ou cypionato criam picos e vales. O pico causa agitação, retenção hídrica e aumento do hematócrito. O vale traz fadiga e perda de libido. O esquema de doses frequentes (semanais ou bissemanais) mitiga esse problema, mas exige comprometimento do paciente.

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Um detalhe que pouca gente leva a sério: a aromatização. Testosterona extra conversão em estradiol. Isso é normal e necessário. O problema é quando a conversão é excessiva. Neste caso, o bloqueador de aromatase (anastrozol) é indicado, mas a dose deve ser mínima. Anastrozol em dose alta pode levar a perda óssea acelerada, dislipidemia e piora da sensibilidade à insulina. Eu vi um paciente com níveis de estradiol de 60 pg/mL que foi tratado com anastrozol 1mg diário. Em seis semanas, o estradiol caiu para 15 e os joelhos começaram a doer. Ajustei para 0,25mg quatro vezes por semana e estabilizei. O estradiol ficou em 35, os sintomas sumiram.

Interpretação de laudos: o que realmente importa

Valores de referência variam entre laboratórios. Sempre use a faixa do seu laboratório, não a de livros. Um estradiol de 40 pg/mL pode ser normal em uma mulher na fase folicular precoce e baixo demais em uma pós-menopáusica em reposição. A interpretação depende sempre do contexto clínico e do momento do ciclo. A relação entre testosterona livre e SHBG é crítica. Em síndromes metabólicas, a SHBG cai, então a testosterona total pode parecer normal enquanto a livre está baixa. Aqui entra a importância de calcular a testosterona livre disponível usando a equação de Vermeulen, que considera albumina, SHBG e a constante de afinidade de cada hormônio. Ferramentas online fazem esse cálculo em segundos.

Outro ponto negligenciado: o cortisol. Estresse crônico e cortisol elevado suprimem o eixo hipotálamo-hipófise-gonadal. Testosterona baixa em um homem obeso com apneia do sono pode ser secundária ao cortisol elevado, não primária. Tratar a apneia e reduzir o peso pode normalizar a testosterona sem necessidade de reposição. Eu tive um caso assim: paciente de 42 anos, T. total de 280 ng/dL, queixas de fadiga e baixa libido. O TSH e o cortisol matinal estavam alterados. Após tratamento da tireoide e orientação para perda de peso, a testosterona subiu para 520 em três meses. Nada de gel ou injeção.

Limitações e cenários onde a abordagem hormonal falha

A reposição hormonal não resolve tudo. Sintomas como fadiga crônica, depressão e redução de libido têm causas múltiplas. Hormônios normais não significam saúde. Já vi pacientes com todos os marcadores dentro da faixa que eram tratados como "caseiros" quando na verdade tinham deficiência de ferro, hipotireoidismo não diagnosticado, ou depressão reagiva. A terapia de reposição em mulheres na menopausa tem janelas de oportunidade. Começar após os 60 anos ou mais de 10 anos após a menopausa aumenta o risco cardiovascular e de demência. Os dados do WHI (Women's Health Initiative) em 2002 mudaram a prática, e os benefícios precisam ser ponderados contra riscos individuais. Mulheres com histórico pessoal de trombose venosa profunda, doença hepática moderada a grave, câncer de mama hormônio-dependente ou doença vascular coronariana ativa são contraindicações relative ou absolute para TRH sistêmica.

Para homens, o rastreamento de câncer de próstata é obrigatório antes de iniciar testosterona. PSA basal, toque retal e, se indicado, ressonância magnética prostática. A testosterona não causa câncer de próstata, mas pode estimular tumores pré-existentes. Isso é consenso na literatura desde os anos 2000. O monitoramento deve ser periódico. Hematócrito a cada 3-6 meses nos primeiros anos, perfil lipídico, função hepática, PSA em homens, Ultrassom endometrial em mulheres com útero íntegro. A falta de acompanhamento transforma terapia hormonal em tiro no escuro.