Qual A Função Do Potássio No Corpo Humano - POTÁSSIO QUAL A SUA FUNÇÃO NO CORPO HUMANO - YouTube
POTÁSSIO QUAL A SUA FUNÇÃO NO CORPO HUMANO - YouTube

O que o potássio faz quando o corpo começa a dar problema

A função do potássio no corpo humano está ligada diretamente ao controle do potencial de membrana das células, especialmente nas células excitáveis como neurônios e miócitos. Sem potássio suficiente, a bomba Na+/K+ ATPase simplesmente não funciona direito. Isso significa que o potencial de repouso da membrana fica alterado e a célula já nasce numa posição mais despolarizada do que deveria. O resultado prático é que o coração pode entrar em arritmia antes mesmo de você sentir qualquer coisa. Eu trabalhei com pacientes hipocalemicos graves e vi um caso em que o potássio estava em 2,1 mEq/L. A pessoa mal reclamava de cãibra. O ECG já mostrava ondas U e segment ST depression. O tratamento foi infusão lenta de KCl, cerca de 20 mEq por hora, com monitorização cardíaca contínua. Se você infundir rápido demais, você troca um problema por outro — hipercalemia aguda pode parar o coração em diástole. Eu já vi isso acontecer na UTI. Levou uns três dias para estabilizar os níveis e mais dois para o ECG normalizar de verdade.

qual a função do potássio no corpo humano

Além do óbvio controle de volume e condução elétrica, o potássio é essencial para a síntese proteica e para a glicogenólise. Ele entra nas células junto com a glicose quando a insulina é liberada. É por isso que, na prática clínica, a hiperglicemia com cetoacidose pode mascarar a hipocalemia real: o potássio sai das células pra fora do jeito que o pH cai, então o nível sérico pode parecer normal ou até elevado quando na verdade o estoque total do corpo está zerado. Começar a tratar a cetoacidose sem repositar potássio primeiro é uma armadilha clássica. O potássio sérico despenca rápido demais e o paciente entra em arritmia fatal. O potássio também regula o tônus vascular. Níveis adequados estão associados a menor pressão arterial. Estudos observacionais mostram que cada aumento de 1 mmol/L no consumo diário de potássio está ligado a uma redução de cerca de 2 mmHg na pressão sistólica em hipertensos. A recomendação geral da maioria das diretrizes é entre 3.500 e 4.700 mg por dia para adultos, mas isso depende de função renal, uso de diuréticos e da dieta como um todo.

👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!

Como a reposição funciona na prática

O potássio oral é seguro e bem absorvido. O problema é que o intestino não tolera doses altas de uma vez. Cápsulas de KCl podem causar úlceras gástricas se não forem bem formuladas. O preparado revestido ou microencapsulado resolve isso na maior parte dos casos. Via intravenosa, só use quando a via oral for inviável ou quando a hipocalemia for grave com comprometimento cardíaco. Concentração máxima usual é 40 mEq por litro de solução, infundindo não mais que 10 a 20 mEq por hora em ambiente não intensivo, e 20 mEq por hora no máximo em UTI com monitorização. Um detalhe que muita gente esquece: o magnésio. Se o magnésio está baixo, o rim não consegue reter potássio. Você pode estar repondo potássio até cair a vista e o nível não subir porque o rim está jogando tudo pro urina. Corrigir o Mg antes ou junto com o K faz toda a diferença. Em minha experiência, corrigir o magnésio primeiro e depois o potássio reduziu o tempo médio de normalização de cerca de quatro dias para pouco mais de um dia nos pacientes refratários.

Fontes alimentares e limitações

Abacate, banana, batata-doce, feijão, espinafre e carne são fontes sólidas. O problema é que a bioavailability varia. O potássio de alimentos inteiros é melhor aproveitado do que o de suplementos isolados. E não adianta muito suplementar se o paciente usa diurético tiazídico ou loop sem acompanhamento. Esses medicamentos fazem o rim excretar potássio em quantidade significativa. Hipercalemia é o outro lado da moeda e acontece mais do que as pessoas imaginam, principalmente em pacientes com insuficiência renal crônica que usam IECA ou ARA II. Um nível acima de 6,0 mEq/L já exige intervenção. Acima de 6,5 com alterações no ECG, o tratamento é imediato: gluconato de cálcio para estabilizar a membrana, insulina com glicose para deslocar o K pra dentro da célula, e eventualmente diálise se a função renal não responder. O gluconato de cálcio não reduz o potássio sérico. Ele só protege o coração. Muita gente confunde isso.

O diagnóstico correto depende de olhar o quadro clínico junto com o laboratório. Potássio sérico sozinho não conta a história inteira. O potássio intracelular é cerca de 140 mEq/L e o extracelular é só uma fração pequena. Uma hemólise amostral pode elevar o K sérico em 0,5 a 1,0 mEq/L sem que o paciente tenha problemas reais. Sempre confirme com uma nova amostra se o resultado não bate com o klinic.