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Entendendo a Diferença entre Tipos e Gêneros Textuais

Essa é uma daquelas questões que cai em todo concurso e vestibular, e a maioria das pessoas erra porque não consegue distinguir tipo textual de gênero textual de cara. Eu já vi gente confundir até o dia da prova.

Qual das alternativas abaixo contém somente gêneros textuais

Vamos direto ao ponto. Os tipos textuais são os modos estruturais da linguagem: narração, descrição, dissertação, argumentação e injunção. São cinco. Ponto final. Eles são classes abstratas, mais próximas da gramática do que da prática comunicativa. Já os gêneros textuais são as variedades concretas que aparecem no dia a dia. Carta, receita, notícia, bula de remédio, postagem de rede social, edital, e-mail corporativo, poema, tirinha, sermão, aula expositiva, piada, legenda de foto. O rol é aberto e infinito, porque cada novo meio de comunicação cria novos gêneros.

Na prática, a pegadinha clássica é colocar um tipo textual misturado com gêneros na mesma alternativa. Por exemplo: uma questão pode trazer "narração, conto, descripción, crônica" juntos. Se você não prestar atenção, marca essa como certa porque "conta, crônica" são gêneros válidos. Mas "narração" e "descripción" (grafia errada de passagem) são tipos, não gêneros. A alternativa está contaminada. O erro mais frequente que eu vejo candidatos cometendo é o oposto também: algumas bancas colocam "texto" ou "linguagem" como gênero, o que é completamente vago. Gênero textual precisa ter uma situação comunicativa reconhecível. Um gênero sabe-se o que é: é uma carta, um e-mail, uma charge.

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Outra armadilha sutil que muita gente não percebe: modo e tipo às vezes são tratados como sinônimos em materiais didáticos ruins. "Modo narrativo" e "tipo narrativo" são a mesma coisa. Se uma alternativa trouxer "modo dissertativo" como se fosse um gênero, já descarta. Isso é tipo, não gênero. Um caso específico que eu lembro bem: num simulado, vi uma questão com "editorial, crônica, notificação, carta pessoal, resumo, esquema". A armadilha ali era o "resumo". Resumo é um tipo de síntese, um exercício acadêmico, mas não é propriamente um gênero textual consolidado no mesmo sentido. Alguns especialistas defendem que é um gênero, outros não. Depende da banca. Em provas do Cebraspe, por exemplo, resume costuma ser aceito como gênero. Na FGV, já vi questão considerar como não gênero. A menos que você saiba o perfil da banca, fica no limbo.

Para resolver essas questões com segurança, o método mais confiável é o seguinte: liste os itens de cada alternativa e classifique cada um como TIPO ou GÊNERO. Se sobrar qualquer tipo textual na lista, a alternativa está errada. Gêneros que você pode considerar seguros: bilhete, carta, relatório, artigo de opinião, reportagem, fábula, lenda, mito, poema, prosa poética, manual, receita, verbete de enciclopédia, anúncio publicitário, meme, thread, story, podcast roteiro, roteiro de vídeo, ata, acta, despacho, memorando, requerimento, declaração, atestado, currículo, cover letter, pitch, debate transcript, aula gravada, tutorial, FAQ,Terms of Service, privacy policy. O último par é recente porque os termos de uso e políticas de privacidade viraram gêneros com estrutura própria e circulação massiva nos últimos anos. O que eu recomendo na hora da prova: se restar dúvida entre duas alternativas, desconfie da que tiver palavras mais amplas ou abstratas. "Texto", "comunicação", "discurso", "narrativa" costumam ser armadilhas disfarçadas de gênero. E nunca, em hipótese alguma, marque uma alternativa que contenha "narração" junto com gêneros — isso é erro fatal.

Se quiser praticar, a melhor fonte são as provas anteriores da banca que vai aplicar o seu concurso. Cada banca tem um gosto diferente pelo que considera ou não gênero. A Cebraspe tende a ser mais generosa, a FGV mais restrita, o Cesgranrio no meio. Estudar pelo histórico da banca específica costuma ser mais eficaz do que resolver questões genéricas da internet.