Ferramentas de Extração Dentária no Dia a Dia
Quando o assunto é extração dentária, o dentista não conta com uma única ferramenta mágica. O procedimento depende de um conjunto instrumental que varia conforme o tipo de dente, a posição na arcada e se há fraturas ou raízes retidas. A pergunta mais comum entre pacientes é qual dessas ferramentas é usada pelo dentista para arrancar dentes, e a resposta honesta envolve dois grupos principais: os elevadores e as forças (forceps).
Qual dessas ferramentas é usada pelo dentista para arrancar dentes
O elevador é a peça que entra primeiro. Ele funciona como uma alavanca para luxar o dente do ligamento periodontal e ampliar levemente o alvéolo. Depois vem a força, que faz a tração final. As forças são específicas para cada dente e cada quadrante — existem forças para molares superiores, incisivos inferiores, pré-molares, sem contar as variantes para extrções cirúrgicas com remoção de osso. Aqui vai algo que poucos explicam: o elevador não "quebra" o dente. Ele separa o órgão dentário da parede óssea alveolar ao agir como alavanca de primeira ou segunda classe, dependendo do modelo. O erro mais comum entre iniciantes é aplicar força vertical excessiva logo de cara. O correto é trabalhar com movimentos de rotação controlados e pequenos impulsos, sentindo a resistência do ligamento ceder. Quando o dentista sente o "pop" da ruptura das fibras periodontais, o dente já está solto o suficiente para a força entrar.
👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!
As forças, por sua vez, têm design anatomicamente específico. As bocas da força têm que coincidir com a morfologia da coroa ou raiz. Usar força errada é o principal motivo de fratura radicular durante extrações simples. Para molares superiores, a força típica é a #150 ou #151, com bicos largos e levemente curvados. Para molares inferiores, a #17 ou #18 é o padrão. Incisivos usam forças mais finas, como a #150A, com bicos que abraçam a face vestibular e lingual de forma simétrica. Numa extração cirúrgica, onde é necessário remover osso ou seccionar o dente, o dentista acrescenta o fres (broca cirúrgica), o compridor de osso e, em alguns casos, a pinça de osso. Também uso frequentemente o elevador de Collin, que tem ponta reta e é excelente para molares inferiores quando há acesso limitado. Já encontrei situação em que o dente estava parcialmente reabsorvido e a luxação convencional não funcionava — nesse caso, seccionar o dente com a broca para remover cada raiz separadamente resolveu o problema sem precisar de retalho extenso.
Outro detalhe prático: a escolha entre extração simples e cirúrgica nem sempre é óbvia pela radiografia. Raízes curvadas, fusão radicular ou densidade óssea aumentada no local podem transformar uma extração que parecia simples num procedimento muito mais demorado. Na prática, sempre tempo extra e leve instrumentação para contingências, inclusive forceps reserva de tamanhos diferentes e elevadores de pontas variadas. Se você está estudando a área ou apenas quer entender o que acontece na cadeira, a regra básica é essa: elevador para luxar, força para extrair, e a combinação certa de ambos depende do conhecimento anatômico de cada dente. Ferramenta errada no dente errado é a causa número um de complicações evitáveis em extrações de rotina.