Baralho de truque: o que todo mundo esquece de checar antes de começar a mesa
Um baralho padrão tem 52 cartas. Mas o truco não joga com esse baralho todo. A maioria dos jogadores começa a mesa sem saber exatamente quantas cartas tem no truco porque depende da variante e do regulamento que vocês combinaram antes de sentar. Isso gera confusão, discussão no meio do jogo e às vezes gente saindo brava porque as regras não estavam claras desde o início. Eu lembro de uma vez em que jogamos numa rodízio. Ninguém havia definido a variante na mesa. Quando a mão já ia no caminho, surgiu a pergunta: será que tem o dois ou não tem? A gente parou o jogo, pegou o baralho, contou as cartas e descobriu que tinha 40 mesmo, mas alguém tinha trazido um baralho diferente com os curingas incluídos. Tivemos que decidir no meio do jogo se íamos usar those curingas ou não. Perdeu-se uns quinze minutos. A lição foi simples: sempre defina a variante antes de embarcar as cartas pela primeira vez.
quantas cartas tem no truco
O Truco Paulista, que é o formato mais comum no Brasil, usa um baralho de 40 cartas. São retirados os oito e o nove de todos os naipes. Sobra o ás, o dois, o três, o quatro, o cinco, o seis, o sete, o valete, a dama e o rei. Cada naipe fica com dez cartas, e são quatro naipes, totalizando quarenta. Na variante do Truco Mineiro, também se usa um baralho de 40 cartas, mas a hierarquia das cartas é completamente diferente. O oito e o nove entram de volta, e aí o Baralho de Truco Mineiro passa a ter as mesmas quarenta cartas, só que com valores diferentes na mesa. O quatro é a carta mais alta nessa versão, seguida pelo valete, dama, rei, ás, três, dois, sete, seis, cinco, oito e nove.
Já o Truco Português e o Truco Espanhol seguem tradições mais antigas e podem variar entre 40 e 48 cartas, dependendo do região e do clube. O Truco Português tradicional emprega um baralho espanhol de 40 cartas, enquanto algumas variações regionais aceitam até 48. Se você for jogar numa partita que envolve jogadores de outras regiões, pergunte antes qual o baralho que estão usando. Não adianta chegar com o pé direito se a regra não estiver combinada. A parte que muitos iniciantes não entendem é que a contagem das cartas não é só uma curiosidade. Ela define diretamente a probabilidade de certas mãos aparecerem, a chance de sair a quadra de cartas altas e o risco de ser varrido nas mãos finais. Com 40 cartas, cada jogador recebe três cartas, então em cada mano são repartidas doze cartas do baralho inteiro. Isso significa que, ao longo de uma partida, o baralho esvazia rápido e as probabilidades mudam conforme as cartas vão saindo.
Tenho um exemplo prático disso. Durante uma partida longa, eu estava anotando mentalmente quais cartas já tinham saído. Quando faltavam duas mãos para o fim, percebi que o quatro e o valete de copas já haviam sido jogados. Como o quatro é a carta mais alta no mineiro, eu sabia que minhas chances de fechar uma mão forte estavam menores do que pareciam à primeira vista. Anotar as cartas que saem ajuda muito a calcular o risco real, mas exige concentração. Na pressão do jogo, é fácil deixar passar e tomar uma decisão errada por não ter feito esse acompanhamento. Outro detalhe importante é que o Truco gaúcho, que segue padrões mais próximos do Truco Paulista, também opera com 40 cartas. Mas há uma nuance que poucos mencionam: em alguns círculos de jogo, usa-se o baralho completo de 52 cartas, removendo apenas os ordens abaixo do valete. Ou seja, sobram as cartas que vão do valete até o ás, mais o dois, o três, o quatro, o cinco e o seis. Esse formato altera completamente a dinâmica porque introduz cartas extras que modificam a hierarquia tradicional.
O problema com essa flexibilidade toda é que ela abre espaço para mal-entendidos. Eu já vi mesa onde um jogador insistia que o baralho devia ter 48 cartas porque era o padrão europeu, enquanto o outro argumentava que 40 era o padrão brasileiro. A discussão durou cerca de dez minutos. No final, fomos para o mais simples: decidimos usar 40 cartas e seguíamos o regulamento paulista, que é o que a maioria dos jogadores de rua conhece. Se você está começando agora e quer evitar dor de cabeça, aqui vai um roteiro rápido que funciona na prática:
👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!
-
Pergunte qual variante está sendo jogada antes de qualquer coisa. Paulista, mineiro, gaúcho ou outra coisa.
-
Confira o baralho fisicamente. Conte as cartas. Se tiver 40, está OK para o Truco Paulista.
-
Se tiver 52, verifique se os oito e os nove foram retirados. Se não foram, ajuste ou mude de mesa.
-
Anote as cartas que já saíram durante a partida. Isso melhora sua leitura do jogo significativamente.
Uma limitação honesta que preciso mencionar: contar cartas mentalmente durante o jogo não é algo que funcione para todo mundo. Alguns jogadores têm mais facilidade com memória, outros simplesmente não conseguem acompanhar além de duas ou três cartas. Se esse for o seu caso, anote as cartas que sai em um papel ou use uma planilha. Não tem vergonha nisso, e a vantagem competitiva que isso dá é real, especialmente em partidas longas onde o desgaste mental é maior. Outro ponto que costuma ser negligenciado é a questão dos baralhos defeituosos. Cartas gastos, cantos dobrados ou marcas na superfície podem revelar informações sobre quais cartas já foram jogadas. Eu já joguei com baralhos tão gastos que era possível identificar cartas pelo desgaste. Nesse cenário, a contagem mental fica ainda mais importante, porque o adversário pode estar usando marcas físicas como atalho para saber o que está fora do baralho.
Se você quer uma alternativa mais confiável do que contar cartas no calor do jogo, existem aplicativos que registram as cartas jogadas automaticamente. Eu uso um deles há alguns anos e ele me ajuda a manter o controle sem precisar de esforço cognitivo extra durante a partida. A desvantagem é que nem toda mesa permite o uso de tecnologia, então você precisa verificar a permissão antes de abrir o app na frente dos outros jogadores. O que eu mais vejo genteerrando é assumir que todas as mesas usam o mesmo baralho. Isso não é verdade. Cada região, cada grupo de amigos, cada torneio pode ter suas próprias convenções. O ideal é sempre começar perguntando, confirmar o baralho e só então sentar para jogar. Leva trinta segundos e evita dez minutos de discussão no meio do jogo.