Questão Sobre Concordancia Nominal - Exercícios de Concordância Nominal: Questão 1 | PDF | Blog | Deficiência
Exercícios de Concordância Nominal: Questão 1 | PDF | Blog | Deficiência

Concordância nominal: o que você precisa saber na prática

Se você está estudando português para concurso, vestibular ou trabalho corporativo, a questão sobre concordancia nominal costuma aparecer com frequência e, pelo que vejo, a maioria das pessoas erra nos mesmos lugares. Vou explicar de forma direta, sem rodeios, porque o conteúdo em si já é seco o suficiente.

Entendendo a questão sobre concordancia nominal antes de tudo

A concordância nominal é, basicamente, a regência que os adjetivos, artigos, pronomes e outros determinantes fazem em relação ao substantivo. O acordo precisa existir em gênero (masculino/feminino) e número (singular/plural). Parece simples até você se deparar com uma construção como "bastante" ou "mesmo" e perceber que o significado muda completamente dependendo de como elas são flexionadas. Eu tinha uma questão em um simulado há alguns anos atrás que travou minha resolução por quase vinte minutos. A frase dizia algo como: "As moças estavam bastante cansadas". A pegadinha era que "bastante" poderia ser advérbio ou pronome. Se fosse advérbio, permanecia invariável. Se fosse pronome, concordaria com "moças". O contexto da questão pedia a variação, então a resposta correta era "bastantes". Esse tipo de ambiguidade aparece com relativa frequência e exige atenção ao papel sintático da palavra, não apenas à sua forma.

Regras fundamentais que não são tão óbvias assim

Adjetivo pósposto ao substantivo: quando o adjetivo vem depois do substantivo e se refere a todos os núcleos, ele flexiona no plural. Exemplo: "Alunos e alunas preparados". Mas se o adjetivo se referir a apenas um dos núcleos, fica no singular: "Aluno e alunaprepareda" (só a aluna está preparada). Em concursos, essa distinção aparece muito. Anexo, incluso, obrigado, próprio: essas palavras variam. "Os documentos estão anexos" (e não "anexo"), "as cartas estão inclusas" (e não "incluso"). "Obrigado" também varia quando quem fala é mulher: "Ela disse obrigado". "Próprio" concorda: "as próprias crianças".

Bastante: já comentei acima, mas merece destaque. Como advérbio de intensidade, é invariável: "Eles são bastante competentes". Como pronome, varia: "Eles têm bastantes livros". A diferença é sutil mas faz toda a diferença na hora da correção. Meio: quando significa "metade", varia: "Ela está meio enjoada". Quando significa "um pouco", é invariável: "Ela está meio cansada". A ambiguidade existe nos dois casos, e a banca cobra essa distinção.

Palavras que todo mundo erra

"À medida que" exige concordância proporcional: "À medida que os custos aumentavam, os lucros diminuía m". Não esqueça o "s" no final. "Anexo" e "incluso" exigem flexão. "Mesmo" como advérbio não varia: "Eles agiram mesmo mal". "Só" como advérbio também não varia: "Eles ficaram só aqui". Quando "só" significa "apenas", permanece invariável. Quando é adjetivo sinônimo de "solitário", varia: "Os sócios ficaram sós". Outro ponto que custa caro em provas: "halb" ou "havia de". Não, isso é outro assunto. Mas "hal" e "al" como pronomes relativos exigem atenção ao antecedente. "Hal" não existe em português padrão. "Al" é pronome demonstrativo neutro e raramente cobra-se em concordância nominal, mas vale saber que "o al" se flexiona: "os ais". Na prática, isso é muito raro.

👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!

Pegadinhas avançadas

Uma regra que poucos dominam: quando o adjetivo antepõe-se a dois ou mais substantivos de gêneros diferentes, ele pode concordar no masculino plural (padrão da língua) ou no singular masculino (quando se pensa em um conceito único). "Ruim sabor e cor" é aceitável, mas "ruins sabores e cores" também é. A banca pode cobrar as duas formas como corretas, dependendo do contexto. A concordância com "o mesmo" é outra armadilha clássica. "Eles receberam o mesmo livro" está correto. "Eles receberam as mesmas livro" está errado. O adjetivo "mesmo" concorda com o substantivo ao qual se refere, não com o sujeito da oração. Isso confunde muita gente porque o instinto é concordar com "eles" e colocar "mesmos", mas o correto depende de "livro/livros".

Um erro comum em redações profissionais é usar "conforme" como adjetivo variável. "Conforme" é prepósito invariável quando introduz oração subordinativa. Nunca diga "as normas conformes". Diga "as normas que estão em conformidade com..." ou simplesmente "as normas conforme o regulamento". A primeira forma é a correta; a segunda é redundante mas aceitável em contextos informais.

Como resolver questões na prática

A melhor estratégia que eu uso (e recomendo) é identificar primeiro o núcleo do substantivo e, em seguida, verificar quais palavras estão modificando-o. Depois, verifique se a palavra em questão é variável ou invariável na função que exerce. Para "mais", "menos", "tanto", "quase" — são advérbios e invariáveis. Para "bastante", "meio", "próprio", "anexo", "incluso", "obrigado" — são variáveis, e o gênero/número dependem do substantivo modificado. Se a questão apresentar uma frase com mais de uma palavra a ser analisada, resolva uma por vez. Não tente fazer tudo de uma vez. Eu costumo sublinhar o substantivo núcleo, passar um risco sobre cada determinante e verificar individualmente. Isso reduz drasticamente o tempo de resolução e evita erros de distração.

Quando houver ambiguidade entre advérbio e adjetivo (como em "bastante" e "meio"), leia a frase inteira com atenção ao contexto. Se fizer sentido como grau, é advérbio. Se fizer sentido como qualificação, é adjetivo. Em exames objetivos, essa análise contextual geralmente resolve a questão sem ambiguidade.

O que não funciona

Memorizar listas extensas de palavras variáveis e invariáveis sem praticar com exercícios reais é ineficiente. Eu vi gente estudar durante semanas apenas com tabelas e, na hora da prova, errar questões simples porque não conseguia distinguir o papel sintático da palavra. A teoria sem prática não fixa. Resolva pelo menos dez questões de concordância nominal por dia durante duas semanas e você verá diferença real no desempenho. Também não adianta depender de regras mnemônicas sem entender o fundamento. "Tudo começa pelo sujeito" não funciona para concordância nominal. O fundamento é o núcleo do substantivo e a função sintática do modificador. Entender isso elimina dúvidas que listas não resolvem.

Resumo rápido para consulta

Invariáveis: bastante (adv.), meio (adv.), só (adv.), quase, mais, menos, tanto, muito (adv.). Variáveis: bastante (pron.), meio (adj.), só (adj.), próprio, anexo, incluso, obrigado, mesmo (adj.), alterado. A flexão sempre segue o substantivo que o modifica em gênero e número. Quando houver dúvida sobre a função, analise o contexto sintático da frase inteira antes de marcar a alternativa.