Questoes Funcoes Da Linguagem - Questões Enem Funções Da Linguagem - RETOEDU
Questões Enem Funções Da Linguagem - RETOEDU

Funções da linguagem na prática

Você já se deparou com uma prova ou concurso perguntando sobre as funções da linguagem e travou? É mais comum do que parece. A teoria é simples, mas as questões gostam de enfeitar o texto até quase não dar mais para identificar nada. Vou explicar como resolver isso sem precisar decorar tudo de cabeça.

o que realmente cai em questoes funcoes da linguagem

As funções da linguagem são sete: referencial, emotiva, conativa, fática, metalinguística e poética. Cada uma está ligada a um elemento da comunicação. A referencial responde ao contexto, a emotiva ao emissor, a conativa ao receptor, a fática ao canal, a metalinguística ao código, a poética à mensagem em si. O que a maioria dos materiais didáticos não mostra com clareza é que uma mesma frase pode ter mais de uma função ativa. O texto base de uma questão raramente é 100% puro. O gabarito aponta a função predominante, mas você precisa saber distinguir o que é dominante do que é secundário.

Um exemplo real que me aconteceu: estava corrigindo uma banca que apresentou um anúncio de vacina com forte apelo institucional. A banca queria "referencial" como resposta, porque tinha dados e informações. Mas o anúncio usava "Vacine-se agora!" no final, o que é claramente conativa. Se o estudante marcasse a primeira impressão, errava. A questão pedia a função principal, que no caso era a conativa por causa do apelo à ação no fecho. Passei a ensinar os alunos a olharem sempre para o final do texto primeiro. É onde a intenção comunicativa costuma se revelar.

como identificar cada função sem depender de memorização cega

A maneira mais segura é perguntar: qual elemento da comunicação está em destaque aqui? Se o texto fala de fatos, dados, opiniões fundamentadas sobre algo externo ao diálogo, está na função referencial. Esse é o padrão de notícias, manuais, artigos científicos. Não tem apelo emocional, não tem jogo de palavras. Só informação.

Se o texto exprime sentimentos, opiniões subjetivas, estado interno do falante, é a função emotiva. Pode vir disfarçada de carta, diário, declaração pública, mas o traço é a presença constante do eu interlocutor como centro. Quando o texto tenta influenciar o comportamento do interlocutor, comandar, convencer, pedir, mandar, é a função conativa. Anúncios, discursos políticos, ordens religiosas, posts de redes sociais pedindo interação. O receptor é o alvo.

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A função fática aparece quando o objetivo não é transmitir informação, mas testar ou manter o canal aberto. "Está me ouvindo?" "Oi, tudo bem?" "Hum hum" durante uma ligação. O conteúdo importa pouco. O que importa é que a comunicação continue fluindo. A função metalinguística é quando o código fala dele mesmo. Um dicionário definindo palavra, um professor explicando regra gramatical, um texto que usa a língua para explicar a própria língua. Se o texto fala sobre linguagem enquanto usa linguagem, é metalinguística.

A função poética é a mais complicada de ver porque muita gente confunde com "texto bonitinho". Não é. Função poética é quando a mensagem se preocupa com a forma como é construída, não apenas com o que diz. Ritmo, aliteração, repetição estrutural, juego de palavras, ambiguidade calculada. Um texto técnico bem escrito não é poético. Um slogan como "Tudo pra você, você pra tudo" é, porque o jogo sonoro e estrutural carrega o sentido. Existem ainda a funcao afetiva, que alguns autores tratam como variante da emotiva, e a funcao de contato, sinônimo de fática em certas correntes. O importante é saber que bancas diferentes usam terminologias ligeiramente distintas. Se a questão usar "função Apelativa", provavelmente está falando da conativa. Se usar "função Emotiva-Afetiva", é a emotiva.

armadilhas comuns que todo mundo cai

A maior cilada é achar que texto informativo é automaticamente referencial. Nao é. Se um texto jornalístico contém opinião do jornalista, ele já carrega emotiva junto. A banca pode pedir a função predominante, e aí você precisa decidir qual pesa mais. Meu método é simples: conto quantas frases têm caráter informativo puro e quantas têm caráter expressivo ou diretivo. O que tiver mais vitórias leva. Outra armadilha clássica é confundir metalinguística com referencial. Um texto que explica o significado de uma palavra não é sobre o mundo. É sobre a língua. Se o assunto da explicação for linguagem, é metalinguística. Se for um fato externo descrito com linguagem, é referencial.

Tem também a pegadinha da função poética em textos não literários. Um texto publicitário com rimas internas, paralelismos, tropos calculados é poético sim, mesmo que não seja poesia no sentido tradicional. A função poética não pertence só à literatura. Pertence a qualquer uso da linguagem em que a forma seja parte constitutiva do sentido. Uma situação que encontrei recentemente: uma banca apresentou um trecho de um discurso político com muitas repetições estratégicas e Askesis. Alguns candidatos marcaram conativa por causa do apelo ao voto. Outros marcaram poética por causa das repetições. O gabarito era conativa, porque a intenção principal era mobilizar, e as repetições eram recurso a serviço dessa mobilização, não fim em si mesmas. A lição é: recurso estilístico não é função. Função é intenção comunicativa predominante.

um resumo rápido pra usar na hora da prova

Quando chegar a questão, faça duas perguntas em sequência. Primeiro: qual é a intenção principal do autor com esse texto. Segundo: qual elemento da comunicação está em primeiro plano. Se as duas respostas coincidirem, provavelmente acertou. Se divergirem, investigue mais. Às vezes a intenção é uma coisa e o destaque formal é outra. Aí a função predominante é a da intenção, não a da forma. Um detalhe que pouca gente leva em conta: a função fática aparece frequentemente em textos que parecem não ter função nenhuma. Um SMS só com "Ok." pode ser fático se o objetivo for só confirmar que o canal está aberto. A menos que o contexto mostre outra coisa, considere fática.

Também é importante notar que a função referencial é a única que pode existir sozinha de forma relativamente pura. As outras sempre carregam algum resquício das demais. Um texto poético puro é praticamente impossível. Um texto 100% referencial também, porque toda escolha lexical carrega uma mini escolha estética. Mas para fins de prova, considere referencial quando o texto for basicamente informativo e desprovido de marcadores subjetivos ou diretivos. Se quiser praticar, a melhor fonte não é livro didático. São provas reais de concursos. Elas mostram como as bancas montam as distrações. Baixe provas de português dos últimos cinco anos e fique de olho nos padrões de erro. Vai perceber que certas bancas repetem as mesmas armadilhas ano após ano.