Entendendo a concordância na prática
A maioria das questões sobre concordância verbal e nominal que aparecem em provas e concursos não testa se você decorou regras. Testam se você consegue identificar quando a regra muda ou quando há exceções. A concordância verbal depende do sujeito em relação ao verbo, enquanto a nominal depende da relação entre substantivos, adjetivos, artigos e pronomes. Eu já vi muita gente errar porque tentou aplicar a regra geral sem analisar o contexto completo. Vou explicar como funciona de verdade, com alguns exemplos que aparecem com frequência.
Onde encontrar questões sobre concordância verbal e nominal
Se você está procurando materiais para estudar, pode baixar PDFs gratuitos de editores como Gran Cursos, Estratégia Concursos e other similar platforms. O site do INEP também disponibiliza edições anteriores do ENEM. O que importa não é onde você pega, mas como você resolve. Semana passada, um aluno me mostrou uma questão que diz: "Devem haver muitos problemas pela frente." A resposta correta é "deve haver muitos problemas pela frente." Muita gente marca o errado porque identifica "muitos problemas" como sujeito e flexiona o verbo. O verbo "haver" no sentido de existir é impessoal. Não tem sujeito. Fica sempre na terceira pessoa do singular. Eu já caí nessa pegadinha anos atrás durante uma prova de servidor público. Levei um tempo até fixar isso de forma definitiva.
Concordância verbal: o básico que todo mundo esquece
O verbo concorda com o sujeito em número e pessoa. Parece simples, mas as armadilhas aparecem quando o sujeito vem posposto, quando há expressões partitivas ou quando o sujeito é composto. Sujeito composto antes do verbo: verbo no plural. "O diretor e o coordenador compareceram." Sujeito composto depois do verbo: verbo no plural ou pode concordar com o mais próximo. "Compareceram o diretor e o coordenador." Ou "Compareceu o diretor e o coordenador." Ambas são aceitas, mas a primeira é mais formal.
Expressões partitivas como "a maioria de", "grande parte de" podem generar dúvida. Quando o núcleo é "a maioria", o verbo pode ir para o singular ou plural dependendo do que vem depois. "A maioria dos alunos foi" ou "A maioria dos alunos foram." Ambas são consideradas corretas. Cuidado com sujeito coletivo. "A família inteira viajou para o litoral." O verbo fica no singular porque o sujeito é coletivo, mesmo que o sentido seja plural.
Concordância nominal: as pegadinhas reais
A concordância nominal exige que adjetivos, artigos, numerais e pronomes se adaptem ao substantivo. Mas existem casos em que a flexão não é obrigatória. Adjetivo após dois ou mais substantivos de gêneros diferentes: o adjetivo vai para o plural masculino. "A casa e o apartamento novos." Plural porque o masculino masculino prevalece sobre o feminino. Regra geral que funciona na maioria das vezes.
Os adjetivos "próprio", "mesmo" e "só" podem funcionar como advérbio ou como adjetivo. Quando são advérbios, não flexionam. "Eles agiram sós." Significa que agiram sozinhos. "Eles são só professores." Aqui "só" é advérbio e não varia. Isso confunde muita gente em provas. "Meio" como advérbio também não varia. "Ela está meio cansada." Se quiser usar como numeral, aí flexiona: "Ela comeu meia maçã." A diferença é sutil, mas constante em questões de concurso.
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Casos avançados que todo mundo erra
O uso de "anexo", "incluso", "obrigado" e "leste" segue regras específicas. "Os documentos seguem anexo." Errado. O certo é "anexos" porque concorda com "documentos". O mesmo para "incluso": "As planilhas seguem inclusas" se forem femininas. "Obrigado" varia de gênero quando se refere ao falante. Homem diz "obrigado." Mulher diz "obrigada." Mas se usar "muito obrigado," a forma pode permanecer invariável em contextos informais. Em provas formais, siga a variação.
Locuções adjetivas com "a mando de", "a título de", "adiante de" exigem cuidado. O adjetivo concorda com o substantivo mais próximo, não com a locução. "Uma carta a mando do chefe." Aqui "mando" não tem gênero que determine o adjetivo. Uma situação que eu encontrei recentemente: uma questão pedia a concordância correta em "É necessário paciência." A resposta era "É necessária paciência." O adjetivo "necessário" concorda com "paciência," que é feminino. Muita gente marca o errado achando que "é necessário" é impessoal. Não é. O verbo ser pode ser predicativo e exigir concordância.
Erros frequentes e como evitá-los
O erro mais comum é concordar o verbo com o primeiro termo de uma locução ou com um termo que não é o sujeito. Sempre identifique o sujeito real antes de flexionar. Outro erro comum é esquecer que "faz" indica tempo e é impessoal. "Faz dois anos que não vejo." Nunca "fazem dois anos." O verbo fazer aqui não tem sujeito. É impessoal por definição.
Quando o sujeito é "eu, tu, ele, nós, vós, eles" ligado por "ou," a concordância depende do sentido. Se for exclusão, o verbo fica no singular. "João ou José será o vencedor." Se for adição, o verbo vai para o plural. "João ou José serão os vencedores." O contexto que define. Também vale lembrar que verbos como "caber," "bastar" e "haver" têm comportamentos específicos. "Cabem a nós resolvermos." Errado. O certo é "Cabe a nós resolvermos." O verbo "caber" concorda com o objeto direto "a nós resolvermos," que é singular.
Resumo prático
Para responder questões sobre concordância verbal e nominal com mais segurança, leia a frase inteira antes de marcar qualquer alternativa. Identifique o sujeito, o núcleo do sujeito e a relação de dependência entre os termos. Teste substituindo por pronome para verificar a concordância. Questões de concordância nominal exigem atenção aos adjetivos que acompanham substantivos de gêneros diferentes, às locuções adjetivas e ao uso de palavras que podem ser advérbio ou adjetivo. Questões de concordância verbal exigem identificar se o verbo é impessoal, se o sujeito é composto, posposto ou coletivo.
Não existe atalho. A prática com questões reais é o que realmente fixa o conteúdo. Dedique pelo menos vinte minutos por dia resolvendo exercícios e revisando os erros. Em um mês, a taxa de acerto tende a subir significativamente.