Resenha Crítica Abnt Exemplo - Resenha Crítica Abnt Exemplo - RETOEDU
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Como montar uma resenha crítica em formato ABNT

A resenha crítica é um texto analítico que avalia uma obra — pode ser um livro, artigo, filme ou pesquisa. No contexto acadêmico brasileiro, ela segue as normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), especificamente a NBR 6028 e a NBR 10520 para citações. Muita gente confunde resenha com sumário ou sinopse. A diferença é que a resenha crítica não só resume: ela julga, questiona e posiciona o avaliador diante do material analisado. Quando eu comecei a escrever resenhas para publicações e trabalhos de conclusão de curso, o maior problema que encontrei foi a estrutura. Professores e editores querem clareza, mas a ABNT não dá um template pronto com campos preenchidos. Cada instituição tem suas variações. Meu primeiro erro foi tratar a resenha como se fosse um artigo científico completo, com introdução longa, desenvolvimento segmentado e conclusão fechada. O resultado foi um texto de doze páginas sobre um livro de duzentas. Ninguém quer ler isso.

Exemplo prático de resenha crítica ABNT

Um exemplo real ajuda a visualizar. Suponha que você vai resenhar o livro "Introdução à Crítica da Razão Prática", de Kant, publicado pela Editora Pensamento, 2019, com 340 páginas. A referência bibliográfica inicial ficaria assim: KANT, Immanuel. Introdução à crítica da razão prática. São Paulo: Pensamento, 2019. 340 p.

Depois vem o título da resenha, o nome do resenhista e o corpo do texto. O corpo geralmente tem entre quatro e oito páginas, dependendo da exigência da revista ou da banca. A estrutura interna varia, mas um esqueleto funcional é: apresentação da obra, síntese dos temas centrais, análise crítica e veredito final. Não existe um modelo rígido de parágrafos, mas algumas coisas funcionam na prática. Comece identificando a obra e seu contexto. Em seguida, destile os argumentos principais do autor. Depois, entre com sua avaliação — aqui é onde a parte crítica acontece. Finalize com uma recomendação clara: para quem esse livro serve, quais são suas limitações e o que ele não consegue entregar.

Um detalhe que quase ninguém leva a sério são as citações diretas. Se você for citar trechos do livro resenhado, use a norma ABNT corretamente. Citação direta com mais de três linhas deve ter recuo de quatro centímetros, fonte tamanho 10 e espaçamento simples. Citação indireta (paráfrase) só precisa do sobrenome do autor e ano entre parênteses. O erro mais comum é colocar citação direta demais, transformando a resenha em colcha de retalhos. Isso mata o texto. A resenha é sua voz, não um compilado de frases alheias. Outro ponto que gera confusão: a resenha crítica ABNT não é sinônimo de resenha enumerativa. Existem basicamente dois tipos. A resenha temática faz um panorama amplo de uma área do conhecimento, analisando múltiplas obras. A resenha crítica, que é o que estamos discutindo aqui, foca em uma única obra e a submete a escrutínio. Muitos estudantes usam o termo "crítica" mas escrevem uma descrição passiva sem qualquer julgamento. Isso não é crítica, é resumo expandido.

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Uma dica técnica: use ferramentas de geração de referências como o GerBib ou o plugin do Mendeley para montar a referência bibliográfica. Isso evita erros de formatação que parecem pequenos mas podem invalidar todo o trabalho em uma banca. Eu já vi resenhas rejeitadas porque o sobrenome do autor estava em caixa baixa na referência. A norma é caixa alta para o sobrenome. Sim, parece bobo. Não é. O tempo médio para produzir uma resenha crítica bem-feita, considerando leitura, anotação, escrita e revisão, gira em torno de seis a dez horas para uma obra de até trezentas páginas. Se o livro for mais denso ou técnico, conte com mais duas ou três horas de imersão. Não subestime a fase de leitura ativa. Anotar enquanto lê economiza pelo menos quarenta por cento do tempo de escrita depois.

Se você precisa de um exemplo completo para consultar, existem modelos disponíveis em sites de universidades federais brasileiras. A UFMG, a Unicamp e a USP têm repositórios com resenhas publicadas em seus programas de pós-graduação. Copiar a estrutura deles é mais útil do que tentar inventar algo do zero, porque cada programa tem suas convenções internas que a norma ABNT geral não cobre.

Pegadinhas comuns na hora de escrever

O erro número um é escrever a resenha antes de terminar a leitura. Parece óbvio, mas acontece muito. Você começa a escrever com apenas metade do livro lido e precisa retrabalhar metade do texto depois. Leitura completa primeiro. Anotações depois. Escrita por último. O erro número dois é usar um tom neutro demais. A resenha crítica pede posicionamento. Frases como "o autor apresenta seus argumentos" soam como descrição, não como análise. Troque por "o autor argumenta que... porém essa tese esbarra em..." O posicionamento é o que diferencia uma resenha de um fichamento.

Outro problema frequente é a falta de domínio do vocabulário da área. Se você está resenhando um livro de filosofia, não use linguagem de psicologia. Isso mostra desatenção e enfraquece a credibilidade. Leia algumas resenhas publicadas na mesma área antes de começar a escrever. Isso calibra seu tom e seu nível de profundidade. E se o livro for muito recente e ainda não tiver sido amplamente discutido? Nesse caso, baseie sua crítica nos critérios internos da obra: coerência argumentativa, originalidade das proposições, solidez das evidências e relevância para o campo de estudo. Não tente comparar com outras obras se elas não existem no momento. É válido e até necessário deixar isso claro no texto.

A formatação final também merece atenção. Margens: superior e esquerda com dois centímetros, inferior e direita com um centímetro e meio. Fonte Arial ou Times New Roman, tamanho 12. Espaçamento entre linhas de 1,5 cm no corpo do texto. Citações longas com fonte tamanho 10. Título em negrito, centralizado. Tudo isso parece burocracia, mas é o que garante que seu trabalho seja aceito sem solicitações de correção. Por fim, lembre-se de que uma resenha crítica boa não precisa ser negativa. Crítica não significa reprovação. Significa análise fundamentada. Um livro pode ser excelente e sua resenha pode destacar isso com argumentos sólidos. O importante é que o julgamento seja transparente e embasado, não apenas uma opinião pessoal disfarçada de texto acadêmico.