Resumo Da Cinderela - História da Cinderela (ou A Gata Borralheira): resumo e significado ...
História da Cinderela (ou A Gata Borralheira): resumo e significado ...

A história de Cinderela além do óbvio

A versão mais conhecida da Cinderela não é a única que existe. Você provavelmente conhece o resumo da cinderela baseado no desenho da Disney: menina maltratada, madasta cruel, fadas, baile e sapatinho de vidro. O problema é que essa é uma adaptação muito específica e recente para um conto que tem mais de três mil anos. A história circula pelo mundo todo em dezenas de versões, e cada uma muda coisas importantes que você provavelmente não sabe.

O verdadeiro resumo da cinderela

O núcleo da narrativa é simples. Uma jovem é submetida a maus-tratos por quem vive na mesma casa. Ela recebe ajuda de uma força externa, geralmente ligada ao sobrenatural, e comparece a um evento social onde chama a atenção. No fim, é identificada por um objeto que ela deixa para trás e acaba em uma posição social muito melhor. Esse esqueleto aparece em mais de quinhentas versões registradas. A versão chinesa mais antiga, Yexian, escrita por Feng Menglong no século onze, já tinha todos esses elementos. A menina perde a mãe cedo, é maltratada pela madrasta, recebe ajuda de um esqueleto mágico de peixe, vai a um festival e perde um sapato de ouro. A versão europeia que chegou até nós veio principalmente de Giambattista Basile, que publicou "La Gatta Cennerentola" em 1634, e depois de Charles Perrault com "Cendrillon" em 1697. Perrault é o responsável pelo sapato de cristal, pela abóbora que vira carruagem e pela fada madrinha. Antes dele, a madrasta era muito mais sinistra e os irmãos tinham seus dedos cortados para caber nos sapatos, coisa que o conto original inclui mas que os adaptadores modernos ignoram completamente.

O que muita gente não leva em conta ao resumir a Cinderela é que o final nunca foi puramente romântico. Nas versões mais antigas, o casamento com o príncipe é apenas um capítulo. A história continua com a jovem enfrentando desafios ainda maiores dentro do palácio. Na versão dos Irmãos Grimm, intitulada "Aspermont", Cinderela se casa, mas depois é forçada a fugir com seus dois filhos porque a madrasta armou outra trama. Ela sobrevive trabalhando como faxineira, cuida de plantas milagrosas que aparecem na tumba da mãe, e só volta à corte quando seus filhos revelam quem ela é. Existe também a questão do nome. Cinderela é uma tradução francesa. No original italiano de Basile, ela se chama ze-Ze-zellino. Na Alemanha, os Grimm usaram Aschenputtel, que significa literalmente "pequena cinza". O nome Cinderela que fixou no Brasil veio mesmo das traduções francesas do século dezenove e do desenho de 1950, que padronizou uma versão específica da história como sendo a correta.

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Por que a história continua aparecendo em lugares inesperados

Um exemplo bem concreto de como o conto é maleável está em produções modernas. Em 2015, o filme "Cinderella" da Disney usou a base do conto de Perrault mas adicionou um diálogo onde a personagem principal diz que precisa ter coragem, não esperar que alguém a salve. Isso mudou completamente o tom do final. O príncipe ainda aparece, mas a protagonista age ativamente na própria fuga. Outro ponto que passa despercebido é a variação do objeto identificador. Na maioria das versões ocidentais é um sapato. Na chinesa Yexian também é um sapato, mas de ouro. Na versão coreana Kongji and Patzi, o objeto é um anel. Na versão japonesa "Ashikari Shinobu", não há sapato nem anel; a garota usa suas habilidades com agulhas para ganhar a aceitação da família real. A estrutura básica permanece idêntica, mas o detalhe que permite o reconhecimento final muda conforme a cultura.

Tem também a questão do que acontece com a madrasta e as irmãs. Nas versões de Perrault, elas são punidas de forma simbólica. Nos Grimm, o castigo é muito mais gráfico. Pássaros puxam um olho de cada irmã durante o casamento. Isso costuma ser cortado de todo resumo que circula hoje em dia, e provavelmente por um motivo. A história original carrega uma moralidade muito mais sombria do que a versão infantilizada que as pessoas conhecem.

O que vale a pena observar antes de resumir a Cinderela

Se você vai fazer um resumo da Cinderela para usar em algum trabalho ou apresentação, o mais importante é decidir qual versão está resumindo. Dizer "a Cinderela" sem especificar é como dizer "o Romeo e Julieta" sem mencionar Shakespeare. Existem muitas. A versãoDisney é uma delas, e a mais popular, mas não é a mais fiel ao conto folclórico original. A versão dos Grimm é outra. A de Basile é outra ainda. Uma coisa que as pessoas costumam esquecer é que o passo mais importante na análise do conto não é o final feliz. É o momento em que a protagonista é forçada a escolher entre permanecer vitimada ou agir. Em todas as versões sérias, esse momento existe. Cinderela pede ajuda, ela planta uma semente, ela reza na sepultura da mãe. A assistência sobrenatural responde, sim, mas sempre a partir de uma ação dela. Isso separa o conto de Cinderela de histórias onde o salvador chega e resolve tudo do nada.

Se o objetivo é usar esse resumo para estudo literário, sugiro comparar diretamente a versão de Perrault com a dos Grimm. São aproximadamente duzentas páginas de diferença em termos de tom e conteúdo. A de Perrault tem trezentas linhas. A dos Grimm ultrapassa quinhentas e mostra um processo de crescimento muito mais doloroso. Ambas são válidas, mas são histórias diferentes com o mesmo esqueleto.