Comprar as revistas antigas da Turma da Mônica não é tão simples quanto parece
Eu comecei a reunir os números dos anos 80 e 90 por volta de 2012, na época ainda dava para encontrar edições em bom estado por cem reais ou menos nas feirões de Porto Alegre. Hoje em dia, um exemplar da Coleção Globo de 1982 com capa inteira e sem rasgos custa entre trezentos e quinhentos reais, dependendo do estado de conservação. O mercado mudou demais. As bancas que vendiam revistinha turma da monica em preto e branco foram sumindo aos poucos, substituídas por versões coloridas que foram aparecendo a partir dos anos 90, e isso alterou completamente o valor de coleção. O que muita gente não sabe é que existem basicamente três linhas editoriais diferentes ao longo da história. A primeira foi a da Editora Globo, que começou em 1970 e durou até o final dos anos 80. Depois veio a fase mais longa, também da Globo, com periodicidade quinzenal e depois mensal, que produziu centenas de edições com histórias mais curtas. A terceira linha importante são os especiais e encadernados que começaram a ser lançados nos anos 2000, alguns com arte mais cara e enredos maiores. Cada linha tem critérios de avaliação diferentes para quem quer comprar usado.
Se você quer montar uma coleção séria, o mais importante é saber avaliar o estado de conservação antes de desembolsar dinheiro. Olhe a lombada, o miolo, se há manchas de umidade nas páginas internas, e principalmente se a capa está colada no miolo. Nos números mais antigos, especialmente dos anos 70 e início dos 80, é comum encontrar cola ressecada que faz a capa separar quando você abre muito forte. Isso não é defeito menor. Revistas com capa solta valem cerca de sessenta por cento do preço de uma unidade em estado perfeito. Eu já comprei duas edições da Coleção Globo sem perceber esse detalhe na mesa do vendedor e tive que aprender na prática que a gente precisa abrir cada exemplar até a metade para testar a colagem antes de fechar negócio. Uma coisa que os colecionadores iniciantes sempre subestimam é a variação de impressão entre os anos. A Globo mudava de fornecedor de papel algumas vezes nas décadas de 80 e 90, e isso faz diferença real na durabilidade. Um número impresso em papel mais espesso dos anos 85 tende a preservar melhor que um dos anos 89 em papel mais fino. Se você for montar uma coleção cronológica, vai notar que há edições onde as cores dos traços do Maurício de Sousa ficam mais esmaecidas simplesmente porque a prensa usou menos tinta naquela tiragem. Não é defeito, é característica da época. Vendedores experientes às vezes escondem isso passando a revista embaixo de uma luz forte para disfarçar, então sempre peça foto das páginas internas antes de fechar compra online.
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Os álbuns encadernados da Coleção Globo são outra categoria. Eles reunem várias edições avulsas em volumes maiores, o que é interessante para quem quer ter as histórias sem precisar guardar cento e sessenta números separados. O problema é que muitos desses álbuns foram impressos em papel de jornal bem fino nos anos 90, e com o tempo as páginas escurecem. Não dá pra recuperar isso. Se você encontrar um álbum com páginas marrons, não pague mais do que sessenta reais por ele, não importa o que o vendedor falar. Acho que vale mencionar também que existem edições especiais que nunca foram vendidas em banca. Algumas tiragens promocionais da Globo foram distribuídas em eventos e feiras de quadrinhos nos anos 90. Essas edições costumam aparecer nos sites de venda usados sem identificação clara, muitas vezes listadas como "edição rara" com preço inflacionado. A verdade é que elas têm valor de coleção razoável, mas não é esse valor absurdo que os vendedores cobram. Eu já vi gente vendendo uma edição promocional de Cebolinha por mil reais quando o catálogo de referência da sociedade de colecionadores de quadrinhos do Brasil indica sessenta a noventa reais para o mesmo exemplar em bom estado. Vale pesquisar antes de qualquer compra.
revistinha turma da monica: onde encontrar e o que evitar
O Mercado Livre e o Enjoei são os canais mais óbvios, mas o grupo de Facebook "Coleccionadores Turma da Mônica" tem vendedores mais confiáveis porque exige troca de fotos reais do exemplar antes da venda. Eu costumo entrar em contato e pedir foto da lombada, da página dois e da contracapa. Se o vendedor recusar ou mandar apenas a foto da capa, é sinal de que tem algo errado. Na minha experiência, esses três ângulos revelam o estado real da revista em noventa por cento dos casos. Feirões de quadrinhos em São Paulo, Porto Alegre e Curitiba ainda acontecem, mas os melhores exemplares saem rápido e os preços subiram. Leve uma lanterna pequena e um par de luvas de algodão. As manchas de oleosidade dos dedos estragam papel velho em segundos, e a luz natural das ruas não mostra detalhes importantes como rasgos minúsculos nas páginas internas.
Evite editoras piratas dos anos 90 que reeditaram histórias da Turma sem autorização. Essas edições têm impressão mais grossa, cores berrantes e o papel amarela em poucos anos. Muitas vezes são identificadas por terem o logo da "Globo" na capa mas com tipografia ligeiramente diferente. Se você é sério sobre coleção, não invista nessa linha. Ela não tem valor de revenda e dura pouco tempo em prateleira. O site oficial da editora não vende números antigos, apenas os lançamentos atuais. A Revista do Mex e as turmas derivadas da era digital são outras coisinhas, mas já fogem do escopo do que eu entendo por coleção clássica. De todo jeito, se você curte a linha atual, avise que eu tenho dicas separadas sobre ela também.