Roçadeira À Gasolina - Roçadeira a Gasolina Husqvarna 236RS Profissional - Potência e ...
Roçadeira a Gasolina Husqvarna 236RS Profissional - Potência e ...

Como funciona e como usar uma roçadeira à gasolina na prática

Roçadeira à gasolina é uma motosserra sem guia, movida por um motor dois tempos. O nome completo já diz o básico, mas o que muita gente não entende direito é que ela serve pra mais coisas do que cortar grama alta. O uso real acontece em terrenos irregulares, mato espesso, canavial e áreas onde o acesso elétrico simplesmente não existe. Dito isso, o negócio não é só ligar e passar a fio no mato. Tem alguns detalhes que fazem diferença entre trabalhar com eficiência ou voltar pra casa com o braço formigando e o equipamento estragado antes da hora. O motor é dois tempos, então óleo e gasolina são misturados. A proporção varia de acordo com o fabricante, mas a maioria dos modelos modernos pede 50 para 1. Isso quer dizer 1 litro de óleo sintético para dois tempos a cada 49 litros de gasolina. Usa óleo errado, mistura fora do ponto ou enche o tanque com gasolina velha e o motor vai grudar. Já vi gente queimar pistão e cilindro em menos de 20 horas de uso por causa disso. A regra prática: use sempre óleo 2T de boa qualidade e gasolina recem abastecida. Nunca deixe combustível parado no tanque por mais de 30 dias.

roçadeira à gasolina

Obrigatoriamente. Antes de qualquer coisa sobre o modelo específico, tem que entender o sistema de partida. A maioria das roçadeiras tem partida por corda com amortecedor. Quando o motor está frio, você puxa uma vez ou duas com o amortecedor acionado para encher a câmara de combustível. Depois disso, desliga o amortecedor e puxa normalmente. Se pular essa etapa e começar puxando direto sem amortecedor, o motor vai afogar. Eu já passei vergonha fazendo isso na primeira vez que peguei uma Yamaha de 56 centímetros cúbicos. Demorei oito minutos pra ligar num dia quente, quando na verdade bastava seguir o procedimento correto de priming. O arrefecimento é por resfriamento a ar, então as aletas do cilindro precisam estar limpas. Graxa, resina de mato e poeira grudam nessas aletas com o tempo e o motor esquenta mais do que deveria. O resultado é perda de potência e, em casos piores, detonação prematura. Limpe as aletas a cada 10 horas de uso com um pincel e ar comprimido. Leva dois minutos e evita problemas sérios.

Sobre a transmissão: a maioria dos modelos profissionais usa eixo flexível de aço com junta esferográfica na ponta. Isso permite que a cabeça de corte gire mesmo quando o eixo de acionamento faz um ângulo. Modelos mais baratos usam eixo rígido. Se você vai trabalhar em terreno muito irregular, o eixo flexível compensa melhor. O eixo rígido é mais econômico e dura mais, mas exige que você mantenha o ângulo de trabalho mais estável. O sistema de corte tem duas opções principais: disco de aço com três ou cinco dentes, ou linha de nylon rotativa. O disco corta madeira fina, arbustos e mato duro. A linha é para grama e ervas macias. Muita gente tenta usar linha em mato seco e resistente e se preocupa quando a linha quebra em vinte minutos. Não é defeito do equipamento. É uso inadequado. Disco ou cabeça de nylon, depende do material. Trocar entre um e outro leva cerca de três minutos com uma chave allen e uma luva.

O filtro de ar é outro ponto que muita gente negligencia. Filtro sujo = mistura rica demais = vela molhada = motor falhando. Em campo, com muito pó e resina no ar, o filtro entope rápido. Levantar o capô do filtro e limpar com um pano seco a cada duas horas de uso já resolve a maior parte dos problemas de desempenho. Se o filtro for de espuma, lave com água morna e sabão neutro, seque bem e volte a usar. Filtro de papel não se lava. Troque quando estiver saturado, não limpe. Um detalhe que quase ninguém menciona: o cabos de controle. O acelerador tem retorno por mola e trava de segurança. Quando você aperta o gatilho, a trava de pulso vai junto e mantém o acelerador aberto. Quando solta, a mola retorna tudo. Se a mola de retorno estiver fraca ou quebrada, o acelerador não volta. Isso é perigoso. Verifique o retorno do acelerador antes de cada uso. Aperte o gatilho e solte. Ele deve voltar suavemente em menos de dois segundos. Se demorar ou travar, troque a mola ou o conjunto antes de ligar o motor.

A vela também merece atenção. Usar vela errada causa falhas de ignição e aumento no consumo. A maioria das roçadeiras usa vela do tipo NGK CMR6A ou equivalente. Verifique o folga do eletrodo a cada 50 horas. O valor padrão é 0,6 a 0,7 milímetros. Passe a régua de folga e ajuste se necessário. Vela gasta ou com eletródo erodido gera faísca fraca e o motor perde rotações nos altos regimes. O carburador é ajustável por três parafusos: H (alta), L (baixa) e T (marcha lenta). O parafuso H controla a mistura na rotação máxima. O L controla na rotação baixa. O T controla a velocidade da marcha lenta. Se o motor acelera sozinho sem toque no gatilho, ajuste o parafuso T no sentido horário até estabilizar. Se o motor morre ao soltar o gatilho, afrouxe o T. O ajuste fino do H e do L deve ser feito com o motor quente e a roçadeira suspendida, sem carga de corte. Girar o H no sentido horário empobrece a mistura. No sentido horário demais, o motor superaquece e pode fundir. No sentido anti-horário, enriquece. O ponto ideal é quando o motor acelera responde rápido e não há perda de potência na transição.

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Um problema real que eu tive recentemente: numa roçadeira Stihl FS 360 que eu usava para limpar uma área com capim-annoni e brachiária seca, o motor estava perdendo potência progressivamente. Liguei, funcionou normal nos primeiros dez minutos. Depois foi esfraindo. Não era problema de combustível novo. O cheiro de gasolina queimada indicava mistura rica. Troquei a vela, limpei o filtro, testei o carburador e nada. Aí percebi que o silenciador tinha acumulado carbono suficiente para restringir a saída dos gases. Abri o escape, raspou o carbono com uma chave de fenda e o motor voltou a ter performance instantaneamente. Limpeza do escape a cada 100 horas é essencial em trabalho pesado com mato seco. A lubrificação do cabeçote de corte é crítica. A maioria dos modelos com eixo flexível tem um redutor de ângulo na ponta do eixo que precisa de graxa específica. Use graxa de molibdênio ou sulfeto de molibdênio. Encha o redutor a cada 25 horas de uso. Se deixar secar, os rolamentos desintegram e o eixo trava. Eu já vi isso acontecer com frequência em equipamentos que não recebem manutenção preventiva. A troca do redutor completo custa entre 80 e 150 reais, enquanto a graxa custa cerca de 20 reais. O investimento é irrisório perto do prejuízo.

O manuseio correto faz toda a diferença na produtividade e na fadiga. Posicione a roçadeira ao lado direito do corpo, com a cabeça de corte paralela ao solo. Segure o cabo traseiro com a mão direita e o punho superior com a esquerda. O braço esquerdo deve estar levemente flexionado, nunca travado. Avançar o movimento de corte de esquerda para direita, usando o quadril como eixo de rotação, não o braço. Isso reduz o cansaço em até quarenta por cento em comparação com quem segura travado e força só o braço. Protetores auditivos são obrigatórios. O nível de ruído de uma roçadeira à gasolina varia entre 102 e 112 decibéis. Usar sem proteção por uma jornada de oito horas causa perda auditiva cumulativa e irreversível. Tampões de espuma ou conchas anuladoras custam entre 15 e 60 reais. Não pule esse item.

Óculos de proteção também são essenciais. Linha ou fragmentos de mato podem sair da cabeça de corte a mais de cem quilômetros por hora. Um fragmento no olho pode causar lesão permanente. Use óculos com laterais fechadas ou viseira. Óculos de grau por dentro não protegem contra impactos laterais. Luvas aderentes reduzem a vibração transferida para as mãos e melhoram o controle. Calcados de biqueira de aço são recomendados para evitar acidentes com pedras e raízes que podem ser arremessadas. Roupas de manga longa e calça comprida protegem contra atrito e contato com vegetação cortante.

Quanto ao consumo de combustível: uma roçadeira de 45 a 55 centímetros cúbicos consome entre 0,8 e 1,2 litro por hora em uso normal. Com um tanque de 0,7 litro, isso dá cerca de quarenta a cinquenta minutos de operação contínua. Em trabalho pesado, com mato denso, o consumo sobe para 1,5 litro por hora. Isso significa que um tanque dura trinta minutos. Ter um segundo tanque abastecido e alterná-los evita paradas frequentes para reabastecer. Armazenamento também é importante. Após o uso, deixe o motor esfriar completamente antes de guardar. Limpe resíduos de mato e terra do corpo do equipamento. Drene o combustível do tanque e do carburador se for armazenar por mais de duas semanas. Isso evita que a borracha do diafragma do carburador ressec e que o combustível forme resina dentro do sistema de alimentação. Um tratamento com estabilizador de combustível permite armazenar por até três meses sem problemas.

Se você trabalha em área pequena, com grama e ervas macias, e tem acesso a energia, uma roçadeira elétrica pode ser mais prática. Menos peso, menos manutenção, zero emissão. Mas para terreno grande, isolado, com mato grosso e arbustos, a roçadeira à gasolina continua sendo a ferramenta certa. O custo operacional por hora é alto comparado ao elétrico, mas a autonomia e a força motriz não têm equivalência direta. A manutenção preventiva segue uma escala simples: a cada 5 horas, limpar filtro de ar. A cada 25 horas, lubrificar redutor e verificar parafusos. A cada 50 horas, trocar vela e limpar aletas de refrigeração. A cada 100 horas, inspecionar embreagem, cabo de aceleração e sistema de ignição. A cada 200 horas, serviço completo no carburador e troca de componentes de desgaste. Seguir essa escala aumenta a vida útil do equipamento em pelo menos três vezes em comparação com o uso sem manutenção.