Entendendo e vivendo com bike single speed
A single speed bike é uma bicicleta com apenas uma relação de transmissão. Sem desviadores, sem câmbio, sem complicação. Você pedala ou para. Parece simples demais, mas tem nuances que quem só ouve falar não percebe até sentir na prática. A primeira coisa que você nota ao trocar para single é o ruído. Ou a falta dele. O drive train fica completamente limpo. Nenhum ruído de corrente passando por coroa extra, nenhum estalo quando o pneu toca um galho e faz o câmbio traseiro bater. Só a corrente rodando reta da coroa dianteira à catraca traseira. Isso resolve um monte de problemas mecânicos de uma vez.
single speed bike: o que realmente muda no uso diário
O ajuste do tensionamento da corrente é onde a maioria das pessoas erra. Se você montar usando apenas os furos padrão do quadro, vai descobrir que a tensão correta raramente cai em nenhum deles. Eu perdi duas noites tentando ajustar uma Frameworks que eu comprei usada. A trena mostrava 317mm de comprimento de corrente como guia, mas na prática, com a roda bem centralizada e a tensão adequada, a medida real era 319mm. A solução foi colocar um spacer de 5mm entre a coroa e o cubo traseiro do lado direito. Isso avançou o alinhamento o suficiente para a tensão ficar perfeita sem precisar usar a rosca toda do dropout. O comprimento correto da corrente também é mais crítico do que parece. A regra básica é: passar a corrente pela coroa dianteira e pela catraca traseira, puxar as pontas para cima ao longo do cuadro traseiro até se encontrarem, e adicionar dois elos. Isso funciona na maioria dos casos, mas em quadros com chainstay curto, como os de fixa que viraram single, a margem de erro é pequena. Se errar por um elo, a corrente pode estar tão frouxa que corre o risco de sair da coroa em subidas fortes.
A escolha da relação de marchas é outro ponto que ninguém ensina direito. A maioria dos iniciantes pega a maior coroa que encontra e monta. O resultado é uma bicicleta que sobe morros como se estivesse arrastando um móvel. A relação ideal depende do seu peso, do perfil do terreno e da sua condicionamento físico. Para um ciclista médio de 75kg em terreno urbano com morros moderados, uma relação de 42x17 ou 44x17 costuma ser um bom ponto de partida. Se você sobe pouco ou tem boa perna, pode subir para 44x16 ou até 46x16. Se os morros são pronunciados, fique em 40x17 ou 42x18. Aro e pneu também influenciam a sensação da marcha. Um aro maior com pneu mais alto equivale a uma relação mais desenvolvida. Um pneu de 25mm em um aro de 700c faz a bicicleta andar mais rápido na mesma rotação de pedalada do que um pneu de 28mm. Não é um efeito enorme, mas em uma single sem margem de ajuste, cada centímetro conta.
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Manutenção e problemas comuns
A manutenção de uma single speed é basicamente zero comparada a uma bike com câmbio. Não tem regulagem de desviador, não tem troca de cabos, não tem limpeza de polias. A única coisa que realmente precisa de atenção é a tensão da corrente. Ela estica com o uso, especialmente nos primeiros 500km após a instalação. Cheque a tensão duas semanas depois de montar e ajuste se necessário. Depois disso, inspecione a cada 500km ou quando notar que a corrente está batendo no quadro em certos ângulos de pedalada. Outro problema frequente é a vibração soltar parafusos. Em quadros de aço, os cold spots podem aparecer nos chainstays depois de algum tempo. Nada grave, mas se você perceber marcas de desgaste na pintura ou metal exposto, instale spacers ou fita isolante onde a corrente passa. É um problema comum em quadros single speed de aço que foram originalmente projetados para fixa.
A escolha do rolamento também importa mais do que o habitual. Em uma bike com câmbio, o rolamento danificado do cubo traseiro passa despercebido por semanas. Em uma single, qualquer jogo no cubo se transmite diretamente para a transmissão e vira vibração na corrente. Verifique o cubo traseiro regularmente. Um jogo de meio milímetro já é suficiente para acelerar o desgaste da corrente e das coroas. Se o seu orçamento for limitado, considere manter uma bike com câmbio como transporte principal e usar a single speed apenas para trajetos curtos e planos. Em terrenos acidentados ou para deslocamentos longos, a única marcha pode se tornar uma limitação real, não apenas um incômodo estetico. Não adianta fingir que a simplicidade resolve tudo. Às vezes a solução é simplesmente usar a ferramenta certa para o trabalho certo.
O que você ganha em simplicidade, perde em versatilidade. E isso é aceitável se você entender o trade-off antes de montar.