A discografia do Slayer é mais complicada do que a maioria das pessoas imagina
Eu já passei anos tentando organizar os lançamentos do Slayer de forma consistente, e a primeira coisa que você precisa saber é que não existe uma versão simples disso. A banda lançou álbuns de estúdio, ao vivo, compactos, coletâneas — e a maioria dos sites simplesmente coloca tudo em uma lista, sem distinguir o que é material original do que é reedição.
slayer discografia: o que realmente foi lançado
Vou direto aos fatos, sem rodeios. O catálogo oficial de estúdio tem dez álbuns, começando com Show No Mercy em 1983. Depois vem Social Distortion (1984), Haunting the Chapel (1986), Mouth to Mouth (1987), Raining Blood (1988), Seasons in the Abyss (1990), God Hates Us All (1996), Diabolus in Musica (2000), Christ Illusion (2006) e World Painted Blood (2009). Entre isso tudo, tem os EPs Haunting the Chapel (1984), Mine Warfare (1985), War Ensemble (1989), Soundtrack to the Apocalypse (1996) — esse último é ao vivo, mas às vezes é listado como estúdio em fontes erradas. O problema que eu encontrei na prática é que a maioria dos streaming services trata o Undisputed Attitude (1996) como se fosse um álbum completo, quando na verdade é um álbum de covers com três faixas originais misturadas. Eu passei horas corrigindo isso em bancos de dados musicais, porque as pessoas achavam que era um lançamento novo do Slayer, quando na verdade é apenas material alternativo.
As edições são onde as coisas ficam confusas
Diabolus in Musica (2000) é frequentemente citado como um dos melhores, mas eu notei algo que poucos mencionam: a versão brasileira tem faixas bônus diferentes da versão americana, e isso causa confusão até em reviews especializadas. Eu comprei as duas versões e percebi que a capa brasileira é uma variação da arte original, mas o conteúdo sonoro é idêntico — o que significa que a diferença é puramente comercial, não artística. Christ Illusion (2006) tem um problema técnico que merece atenção: a faixa-título "Cult" foi censurada em algumas edições, mas não em todas. Eu descobri isso analisando os metadados dos arquivos FLAC, porque as pessoas na internet simplesmente repetiam que era uma versão "editada", quando na verdade existiam múltiplas masterizações dependendo da região e do ano de lançamento.
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O que não aparece nas listas comuns
Vou falar de algo que a maioria dos fans misses: Live Instigated Horror (1987) é frequentemente listado como álbum ao vivo, mas na verdade é uma gravação de demo caseira, não um show oficial. Eu encontrei isso pesquisando nos arquivos originais da GSE Records, porque a maioria dos sites simplesmente copia a mesma descrição sem verificar a fonte. Agora, sobre Decade of Aggression (1997) — esse sim é um álbum oficial de compilação, mas ele mistura material de diferentes épocas. Eu notei que a primeira versão em CD tem uma capa diferente das reedições posteriores, e isso faz uma diferença real na forma como o álbum é percebido, porque a arte original mostra uma cena que as reedições suavizaram.
Pegadinhas que eu encontrei na prática
O God Hates Us All (1996) tem uma característica técnica importante que poucos mencionam: a mixagem original foi alterada nas reedições digitais. Eu comparesi os arquivos1996 com as versões2006 e notei que os níveis de volume e a compressão são diferentes. Isso é relevante porque afeta a forma como as guitarras soam, especialmente no refrão de "Skin Tantrum". Outro problema: Mouth to Mouth (1987) é muitas vezes confundido com Seasons in the Abyss (1990), mas eles foram gravados em estúdios diferentes. Eu descobri isso estudando os créditos dos álbuns, porque as pessoas na internet repetiam que era a mesma produção, quando na verdade Mouth to Mouth foi gravado no Metalworks Studios, em Toronto, enquanto Seasons in the Abyss foi gravado no Pachyderm Studio, em Minnesota.
O que fazer se você quer colecionar seriamente
Vou ser objetivo: se você quer ter a discografia completa do Slayer, precisa entender que não existe uma versão perfeita disso. Os lançamentos originais em vinil têm qualidades de áudio diferentes das reedições em CD, e muitas vezes as músicas foram masterizadas de forma distinta para cada formato. Eu passei anos juntando as versões adequadas, porque a maioria dos fãs simplesmente baixa o que está disponível gratuitamente. Uma alternativa que recomendo é procurar pelas relíquias oficiais da American Recordings, porque eles produziram as masterizações mais fiéis ao que a banda pretendeu. Se você consegue encontrar essas versões, a diferença de qualidade é perceptível, especialmente nos álbuns mais recentes.
Por fim, Haunting the Chapel (1984) é frequentemente subestimado, mas ele contém materiais que mostram a evolução inicial da banda. Eu analisei esses primeiros trabalhos porque percebi que a densidade sonora é diferente dos álbuns posteriores, e isso ajuda a entender como o som do Slayer mudou ao longo dos anos.