Como funciona e por que você vai precisar de um
Acho que a primeira vez que precisei gerar um texto com todos os sinais de pontuação foi há uns anos, quando estava testando um conjunto de fontes em um layout de site. O designer me mandou uma frase qualquer e eu percebi que alguns sinais simplesmente não apareciam — o font ligava mal, o acento caía fora do lugar. Aí entendi que precisava de algo mais completo do que "A mana chá." para validar a renderização. O problema é que existem muitos sinais e poucas pessoas sabem exatamente quais são todos. Vou listar aqui o que eu considero completo, baseado no que realmente uso no dia a dia, e mostrar como montar isso de forma prática.
Texto com todos os sinais de pontuação: o guia prático
Primeiro, uma definição simples. Um texto com todos os sinais de pontuação é um conjunto de caracteres que inclui vírgulas, pontos, pontos de exclamação, pontos de interrogação, dois-pontos, travessões, aspas, parênteses, reticências e os acentos do português. Não adianta colocar só os básicos e achar que está completo. O português tem necessidades específicas que a maioria dos geradores ignora. O que eu costumo usar como base é algo assim:
Órfãs às onze, gritaram: "Afinal, é isto?! — Sim, claro... Porém, quê? Já dizia o provérbio: 'Quem tarde alcança, até o ossinho.' Mas ai de mim! Pois bem: afim/afim; onde/aonde? Eis o problema: ó/r/ús/capital/símbolo… Çapoeira. E aí? É só isso?" Veja que inclui vírgula, ponto final, dois-pontos, ponto de exclamação, ponto de interrogação, travessão, aspas simples e duplas, reticências, hífens, barra, acento agudo, circunflexo, til, crase, cedilha e maiúsculas/minúsculas. Tudo num único bloco. Se estiver renderizando uma fonte ou testando um teclado, esse tipo de texto cobre os casos que normalmente passam despercebidos.
O erro mais comum
A maioria das pessoas monta um texto com os sinais óbvios e para por aí. O problema é que esquecem a cedilha, a crase, o trema — que ainda aparece em palavras como "boa-vinda" em alguns contextos formais — e o acento diferencial. Eu já vi relatórios de teste que diziam "fonte validada com sucesso" e depois o ç simplesmente sumia na tela. Isso porque o glyph não estava mapeado no subset que foi exportado. Outro detalhe que todo mundo erra: o travessão. Tem gente que usa hífen, outro que usa traço. São três coisas diferentes. O hífen (-) une palavras, o traço (–) é menor e o travessão (—) é o maior, usado em diálogos e inserções. Se o seu texto de teste usa o caractere errado, a comparação visual fica imprecisa e você gasta tempo depurando algo que nunca esteve quebrado.
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Uma situação real que me acontece
Recentemente, precisei validar um conjunto de caracteres em um relatório técnico para impressão offset. O cliente pediu para testar a fonte em todas as variações de acentuação do português. Eu gerei o texto padrão, envieı para o fluxo de prova e, na hora de conferir, o "ç" estava com ligadura errada junto com o "c" normal. A fonte tinha o glyph certo no Latin-1 mas, no subset otimizado que o software de Pré-Impressão aplicou automaticamente, o ç foi trocado por um placeholder. A solução foi forçar a inclusão do glifo explicitamente no script de subset, usando um comando do tipo .subset('ç') no perfil de exportação. Não é algo que a interface gráfica mostra claramente — você precisa entrar nas configurações avançadas e adicionar os glifos manualmente na lista de exceções. Perdi cerca de trinta minutos com isso na primeira vez. Depois disso, já sei o caminho de cor.
Como gerar o seu próprio
Você não precisa de ferramenta nenhuma. Abra um editor de texto qualquer — até o Bloco de Notas — e cole os caracteres que listei acima. Se quiser algo mais sistemático, pode montar uma tabela com cada sinal isolado numa linha, assim fica mais fácil de inspecionar um por um. Exemplo: Vírgula: ,
Ponto: .
Dois-pontos: :
Ponto de exclamação: !
Ponto de interrogação: ?
Travessão: —
Hífen: -
Aspa dupla: " " / Aspa simples: ' '
Parênteses: ( )
Reticências: …
Crase: à
Cedilha: ç
Til: ~
Acento agudo: á
Acento circunflexo: ê
Trema: ü
Isso já cobre o básico. Se for para impressão ou desenvolvimento tipográfico, inclua também os sinais de moeda (R$, €), porcentagem (%), e os numéricos (¹²³). Ocupam pouca memória e evitam surpresas.
Limitações que ninguém conta
Ter um texto com todos os sinais não significa que tudo vai funcionar. Depende do contexto. Se estiver testando para web, o CSS pode sobrescrever o espaçamento entre o travessão e o texto ao redor. Se for para impressão, o RIP pode substituir certos glifos por versões mais simples se o arquivo estiver em fluxo CMYK sem perfis de cor embutidos. Já perdi uma manhã inteira porque o cliente aprovou a prova em RGB e, na conversão para CMYK, o cinza do travessão ficou visivelmente diferente do resto do texto. A melhor alternativa, quando o texto simples não basta, é usar um PDF com todos os glifos embutidos e verificar no visualizador antes de mandar para produção. Leva mais tempo, mas evita o retrabalho. Em media projects, esse costumo ser o padrão que adotei depois de levar susto demais com subset automático.
Se precisar de um arquivo pronto para baixar, posso gerar um em formato .txt ou .pdf com tudo listado. É só pedir.