Texto Ficção Cientifica Pequeno - Texto Ficção Cientifica Pequeno - FDPLEARN
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A estação orbital Alpha-9 estava vazia há três dias quando os sensores detectaram algo que não deveria existir. Um pequeno módulo de emergência, dos antigos modelos da era pré-expansão, flutuava em órbita estável ao redor do setor 4. Ninguém havia lançado nada daquela direção desde 2187. Maria Chen foi a primeira a se aproximar. Ela era a técnica de manutenção mais nova da tripulação, mas também a que mais tempo passava sozinha nos setores periféricos. O módulo parecia intacto, apesar da crosta microscópica de detritos espaciais que cobria sua superfície. O código de registro estava desgastado, mas ainda legível: Projeto Teseu, Ano 2134.

Dentro do compartimento de carga, encontrou apenas uma caixa selada e um registro criogênico. A caixa continha um dispositivo eletrônico simples — um reprodutor de áudio dos primórdios da era espacial. Ao ativá-lo, uma voz feminina falou em português: "Se você está ouvindo isto, significa que o Teseu funcionou. Nósenviamos informações para o passado usando matéria escura como meio de transmissão. Cada pulso carregava dados codificados. Sete mensagens foram enviadas ao longo de dois anos. Esta é a oitava — a última. As respostas que recebemos confirmam algo que não podíamos acreditar: o futuro existe. A humanidade sobrevive. Vocês são reais."

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Maria olhou para o registro criogênico. O nome congelado na placa era o dela. Data de nascimento: treze anos no futuro. Data de congelamento: hoje.

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Ela segurou o dispsITivo com as mãos tremendo. Lá fora, as estrelas permaneciam indiferentes. A estação continuava vazia, silenciosa, antiga. Mas dentro daquelas paredes metálicas, algo impossível estava acontecendo. O reprodutor emitiu mais um som. Desta vez, era apenas estática. Depois, outra voz — a própria voz de Maria, mas mais velha, mais cansada — disse:

"Não abra o registro. Não ainda. Há coisas que precisam acontecer primeiro. Confie em mim. Eu fui você. E eu sei o quanto dói descobrir a verdade." Maria apagou o aparelho. Colocou a caixa de volta no módulo. Fechou a comporta e voltou para a estação sem dizer nada a ninguém. Ela guardou o segredo no peito, junto com a certeza de que o tempo nunca é uma linha reta — é apenas um lugar onde a gente decide ficar.