Tipos De Pernas Tortas - Forma de pernas tortas de perna de mulher idosa asiática do corpo ...
Forma de pernas tortas de perna de mulher idosa asiática do corpo ...

O que acontece quando as pernas curvam

Pernas tortas são um assunto que aparece todo dia na clínica ortopédica, mas a maioria das pessoas só conhece o termo de forma vaga. O termo abrange variações que partem de uma curvatura leve que não incomoda ninguém, até deformidades que comprometem a marcha e antecipam o desgaste articular. Conhecer os tipos ajuda a entender quando observação é suficiente e quando intervir.

Tipos de pernas tortas

O tipo mais conhecido é o genu varum, conhecido popularmente como perna em "O". Nesse padrão, os joelhos ficam afastados quando os tornozelos estão juntos, e a carga do corpo é concentrada no compartimento medial do joelho. Isso acelera o desgaste dessa região. O genu valgum é o oposto: as pernas curvam para dentro, formando um "X", com os joelhos se tocando e os tornozelos separados. A carga recai sobre o compartimento lateral, e a patela tende a sofrer tracionamento excessivo. Ambas as formas podem ser unilaterais ou bilaterais, e a assimetria muitas vezes passa despercebida porque a pessoa se acostuma com a postura viciada. Existe ainda o varo femoral, quando a curvatura acontece no fêmur, e o varo tibial, quando está na tíbia. Às vezes os dois se somam, e o desenho da perna parece torto mas a causa anatômica é diferente. Um detalhe que pouca gente leva em conta: o alinhamento não se mede só pelo olhar. O médico desenha linhas a partir do centro da cabeça do fêmur até o centro do tornozelo, e o ponto onde essa linha cai no joelho define se a força passa pelo centro da articulação ou fora dele. Se cair muito medialmente, a artrose vai vir mais cedo no lado interno do joelho.

Em crianças, é preciso ter calma. Até os dois ou três anos, é normal que as pernas tenham leve varismo fisiológico, e entre quatro e seis anos pode aparecer leve valgismo de compensação. Se o desvio for assimétrico, se piorar depois dos seis anos, ou se houver dor, aí sim o encaminhamento para avaliação radiográfica é urgente. Um erro comum é esperar "a criança crescer e mudar" sem acompanhamento, o que faz perder a janela de intervenção menos invasiva. Um caso que me marcou aconteceu há alguns anos: um homem de quarenta e dois anos, magro, vinha com dor no joelho esquerdo há dois anos, tratado como lesão meniscal. As radiografias mostraram um varo tibial de cerca de oito graus e uma artrose incipiente no compartimento medial. A cirurgia feita antes havia sido indicada apenas para menisco, mas o problema de base estava ali desde sempre. Fiz uma osteotomia de realinhamento, corrigindo uns cinco graus, e a dor diminuiu drasticamente em três meses. O aprendizado foi claro: antes de qualquer procedure intra-articular, é preciso verificar o eixo mecânico do membro inferior.

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A investigação começa com radiografia do membro inferior completo em biposta, com marcadores anatômicos para medir o ângulo femorotibial. Se o ângulo mecânico femorotibial estiver fora de cinco graus da vertical, já se considera deformidade significativa. RadiografiasWeight-bearing são essenciais porque mostram como a carga realmente se distribui. Em casos duvidosos, a tomografia computadorizada com do membros inferiores em software de planejamento 3D ajuda a definir o grau de correção e o corte ósseo. Quando há suspeita de raquitismo ou doenças metabólicas, pedem-se exames de cálcio, fósforo, fosfatase alcalina e vitamina D. O tratamento conservador funciona para deformidades leves e sintomáticas. Calçados com palmilha ortotizada podem ajudar a reduzir a carga assimétrica, e o fortalecimento do glúteo médio e dos estabilizadores do quadril melhora a dinâmica da marcha. A perda de peso é crucial quando há sobrepeso, porque cada quilo extra multiplica a força que atravessa o joelho durante a caminhada. Fisioterapia focada em propriocepção e amplitude de movimento também entra na equação, especialmente no pós-operatório.

Cirurgia é indicada quando há deformidade moderada a grave, progressão da artrose, ou dor refratária. A osteotomia de realinhamento é o procedimento padrão para pacientes jovens e ativos, reposicionando o eixo mecânico para aliviar o compartimento lesado. Em idosos com artrose avançada, a artroplastia total do joelho resolve a deformidade e a dor simultaneamente. A decisão entre uma e outra depende da idade, nível de atividade, grau de artrose e condição óssea. Complicações como inflexão inadequada, nãounião e infecção são possíveis, embora raras em mãos experientes. Um ponto que muitas pessoas desconhecem: corrigir a curvatura não elimina automaticamente toda a dor. Fatores como sensitização central, tensão capsular e padrões motores aprendidos ao longo de anos também contribuem. Por isso, a reabilitação pós-cirúrgica deve ser cuidadosa e prolongada. Resultados soddisfacentes geralmente aparecem entre seis e doze meses após a osteotomia, quando o osso consolida e os músculos se readaptam ao novo eixo.

Para autoavaliação inicial, peça para alguém tirar uma foto de perfil das suas pernas, em pé, com os joelhos e tornozelos juntos. Se houver um espaço visível entre os joelhos ou entre os tornozelos, anote. Não tente se auto diagnosticar nem seguir protocolos de da internet. Um ortopedista especializado em membros inferiores ou em cirurgia do joelho é quem deve conduzir o diagnóstico e o plano de tratamento.