Uma Dor Que Dói Muito É Um Pleonasmo - Uma Dor Que Doi Muito é Pleonasmo - GIVEDU
Uma Dor Que Doi Muito é Pleonasmo - GIVEDU

O que é pleonasmo e por que todo mundo usa (mesmo os gramáticos)

Pleonasmo é a repetição desnecessária de uma ideia que já foi dita. Isso não é poesia, é redundância funcional. Quando você diz "subir para cima" ou "entrar para dentro", o que estava errado ali? Nada, exatamente. A norma culta condena, mas a língua vive assim há séculos. A gente chama de pleonasmo vicioso quando a repetição não traz informação nova. Isso consome tempo de produção de texto e gera ambiguidade em traduções automáticas. Se você escreve legalizações de documentos, já se deparou com "eu vi com meus próprios olhos" em petições. Isso é pleonasmo. Não é erro gramatical no sentido estrito, mas é ineficiente.

uma dor que dói muito é um pleonasmo

Essa expressão entra na categoria de tautologia emocional. "Dor que dói" repete o conceito já contido no substantivo. O verbo "doer" já pressupõe a existência da dor. Adicionar "muito" só intensifica, mas não modifica a redundância estrutural. O correto seria "uma dor forte" ou "uma dor intensa". A diferença entre correto e natural é enorme. Ninguém fala "uma dor intensa" no dia a dia. A gente fala "uma dor que dói muito" porque soa mais emphático, não porque esteja certo. No meu trabalho revisando contratos e peças jurídicas, já encontrei frases como "o réu confessou que confessou" em depoimentos transcritos. O tabelião não corrigiu. A defesa não objetou. O juiz aceitou. Isso mostra que o pleonasmo vicioso não é problema só de redação criativa, é um vício institucional em documentos formais também.

O problema é que a maioria das pessoas não consegue identificar o pleonasmo quando o usa. O cérebro filtra. Você lê "acertar com precisão" e não percebe o exagero. Para detectar, o exercício prático é ler o texto em voz alta e perguntar: essa palavra adiciona algo novo ou só repete? Se não adiciona, ela sobra. O que os cursos de redação não ensinam é que alguns pleonasmos são aceitáveis em contextos específicos. O pleonasmo enfático existe como recurso retórico legítimo. "Eu mesmo fiz" diferencia de "eu fiz com a ajuda de alguém". Aí o "mesmo" tem função pragmática. Dizer "eu vi com meus próprios olhos" sem contexto narrativo é redundância. Dizer numa peça teatral é escolha estilística.

👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!

Outro ponto que muitos não consideram: pleonasmo pronominal. Em português brasileiro, estruturas como "me disse que sim" às vezes geram debate. O "me" pode ser redundante se o sujeito já está claro pelo contexto. Em variedades mais conservadoras da língua, isso é imperdoável. Em português coloquial do Brasil, é cotidiano. Não há consenso normativo porque a variação social é real e documentada. Se você precisa eliminar pleonasmos de textos profissionais, o método mais rápido é usar busca por palavras-chave de redundância comum: "subir para cima", "descer para baixo", "avançar para frente", "girar em torno", "caber dentro". O Ctrl+F economiza mais tempo do que reler o texto três vezes tentando captar erros intuitivamente. Leva cerca de 5 minutos para um texto de 2 páginas.

A ressalva importante: remover todo pleonasmo transforma o texto em algo robótico. Redundância controlada ajuda na clareza, especialmente em textos técnicos onde a precisão é crítica. O equilíbrio é saber quando a repetição serve e quando só atrapalha. Um manual técnico com três sinônimos para "erro" no mesmo parágrafo é pior do que um que repete "erro" dez vezes sem variação desnecessária. O primeiro tenta disfarçar. O segundo comunica. O que muita gente confundem é que pleonasmo e ênfile são a mesma coisa. Não são. Ênfile é a repetição de sons idênticos ou pareados. Pleonasmo é repetição de sentidos. Confundir os dois gera correções inadequadas em revisões textuais. Já vi revisores "corrigirem" aliterações achando que eram pleonasmos. O resultado era um texto sem ritmo e ainda com redundância.

Se o objetivo é escrever sem redundância, começar eliminando advérbios de intensidade genéricos resolve metade dos casos. "Muito bom", "bastante importante", "totalmente certo" — troque por qualificadores específicos. "Bom" vago não diz nada. "Bom para fins administrativos" sim. A precisão substitui a intensificação vazia.