Como funciona "used to used to be" em inglês
A construção "used to used to be" existe, é gramaticalmente correta e soa terrivelmente estranha para qualquer falante nativo. Ela surge quando você precisa descrever um estado ou hábito passado de algo que já não existe mais, criando uma sobreposição temporal que a língua inglesa simplesmente permite, mesmo que seja desconfortável. A primeira parte do "used to" opera no passado remoto, enquanto a segunda mantém o sentido original de hábito ou estado anterior. Eu me deparei com isso pela primeira vez revisando traduções literais de português para inglês. Um texto falava sobre uma cidade que já fora conhecida por sua indústria naval, e a frase literal "a city that used to used to be famous for its shipbuilding" acabou aparecendo em um rascunho. Parecia redundante num primeiro momento, mas tecnicamente estava correta — a cidade tinha sido famosa num passado e essa fama já era coisa do passado em relação ao momento presente da narrativa.
Quando usar "used to used to be"
O cenário mais comum onde essa dupla construção aparece é em narrativas históricas ou biográficas, quando se faz referência a um período ainda mais distante do que o "used to" padrão cobriria. Imagine que você está lendo uma autobiografia escrita na perspectiva de alguém idoso: "My hometown used to used to be a fishing village before the oil boom changed everything." Aqui, o primeiro "used to" marca o ponto de vista do narrador no passado, e o segundo "used to" descreve a condição da cidade antes daquela época já distante. Não é necessário em todo contexto. A maioria das pessoas simplesmente reformula a frase para evitar a repetição. Eu prefiro usar o past perfect ("had used to be") ou reestruturar completamente, mas em certos registros formais ou literários a construção dupla aparece e você precisa reconhecê-la quando encontrar.
👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!
Um problema prático que eu enfrentei foi ao ensinar isso para alunos brasileiros. O português não tem equivalente direto — nós usamos "costumava" ou simplesmente o pretérito perfeito — então os alunos tendem a confundir com "was used to" (estar acostumado a) ou "use to" (na forma negativa e interrogativa). A dica é simples: sempre verifique se há um segundo "to". Se houver, é a construção dupla. Se não, é outra coisa completamente diferente.
Vantagens e limitações
O principal problema com "used to used to be" é que ele é difícil de detectar auditivamente. Na fala, os dois "t" finais se fundem e soa como "us-teeed to bee", o que confunde ainda mais. Em textos escritos, a duplicação visual do "used to" já dá o que pensar, e muitos revisores automáticos acabam sinalizando como erro gramatical mesmo sendo correto. Se você precisa escrever sobre algo que era de outra forma num passado ainda mais remoto, considere alternativas mais claras. O past perfect continuous ("had been") ou a estrutura "would previously be" costumam funcionar melhor na maioria dos contextos. A construção dupla só realmente brilha em narrativa literária onde a ambiguidade temporal é parte intencional do estilo, e mesmo assim com moderação.