Vietnam O Que Fazer - Roteiro Vietnam: o que visitar, ver e fazer em 7, 10 e 14 dias - VagaMundos
Roteiro Vietnam: o que visitar, ver e fazer em 7, 10 e 14 dias - VagaMundos

O básico que ninguém conta sobre viajar para o Vietnam

Vietnam é um país absurdo. Não no sentido dramático — no sentido literal de que a densidade de coisas para ver e fazer em um território alongado de mais de 3.000 km é quase irracional. A maioria dos guias começa listando Hanói, Da Nang, Hoi An e Ha Long Bay como se fosse um checklist. Funciona, mas é insuficiente. A questão de vietnam o que fazer na prática exige entender o ritmo do país primeiro, senão você gasta três dias em filas de ônibus e ainda assim não vê nada. Achei que sabia o que estava fazendo quando fui pela primeira vez em 2019. Planejei duas semanas, cobri Hanói, Ha Long, Hue, Hoi An, Da Nang e Ho Chi Minh. Retrocedendo, fiz errado em pelo menos três frentes que vou detalhar. Vou começar pelo erro mais comum porque é o que quebra mais viagens: tentar abraçar o Vietnam inteiro num roteiro apertado.

A logística é o problema real

O Vietnam é comprido. Muito comprido. A diferença horária de ônibus entre Hanói e Ho Chi Minh é de cerca de 35 horas de estrada. Voos internos custam entre 25 e 60 dólares se você usar airlines como VietJet ou Bamboo Airways com antecedência. O pulo do gato é que a maioria dos viajantes escolhe o ônibus noturno para "economizar uma diária de hotel" e acorda exausto, desidratado e perdendo o melhor dia seguinte. Isso acontece o tempo todo. Eu já fui vítima disso duas vezes — uma vez com uma empresa barata que tinha ar-condicionado funcionando como aquecedor no inverno do norte, o que é uma experiência que não recomendo a ninguém. Se você tem menos de 10 dias, fique no norte ou no centro. Se tem entre 10 e 14 dias, faça norte + centro com voo interno. Se tem 15 dias ou mais, aí sim dá para incluir o sul sem correria. A regra é simples mas contra-intuitiva: mais lugares não significa melhor viagem no Vietnam. Significa mais fadiga e menos imersão.

O que realmente vale a pena (e o que não vale)

Hanói tem um nível de caos controlado que não aparece em foto nenhuma. O bairro antigo é essencial, mas o segredo é sair dele pelo menos uma vez para o Lago da Espada Devolvida de manhã cedo, por volta das 6h. A cidade nesse horário é outra. Feiras locais, idosos fazendo tai chi, vendedores de rua montando barracas. Isso é o Vietnam real, não o que os restaurantes turísticos mostram. Ha Long Bay é polêmico. A baía em si é linda, mas os cruzeiros de dois dias que param em pontos turísticos lotados transformam a experiência em um passeios de barco com 200 pessoas ao redor. A alternativa que funciona melhor é fugir das rotas principais e ir para Bai Tu Long ou Lan Ha Bay, que ficam a 30-45 minutos de navegação dos portos tradicionais. Custam 20 a 40% a mais mas a diferença em qualidade é brutal. Já paguei o upgrade e não me arrependi.

Hue é subestimada. A Cidade Imperial e as tumbas imperiais ao longo do rio Huong merecem pelo menos dois dias. O problema é que muitos viajeros passam apenas meio dia e vão embora achando que "viu tudo". Não viram as tumbas de Minh Mang e Khai Dinh, que ficam espalhadas e exigem moto ou carro alugado. Vale a pena o investimento. Hoi An é bonito mas comercializado demais. Funciona se você for numa terça ou quarta de manhã, antes das 9h, quando as ruas ainda não estão cheias de turistas e lojas abrem. À noite é linda com os lantriços, mas também é quando está mais movimentado. O mercado de noite é autêntico e vale a visita por si só.

No sul, Ho Chi Minh (Saigon) tem o bairro 1 que é puramente turístico mas funcional. As cuevas (túneis de Cu Chi) são interessantes pela história mas a experiência em si é decepcionante — são trechos curtos de túnel escuro com multidões empurrando. A versão recomendada é visitar o museu das reliquias da guerra no centro da cidade, que é muito mais denso em informação e menos exaustivo fisicamente.

Dinheiro, comida e a questão dos vistos

O Vietnam usa dong (VND). Uma conta típica de restaurante local custa entre 50.000 e 150.000 dong (cerca de R$ 15 a R$ 45). Café com leite condensado, known como ca phe sua da, custa 25.000 dong em qualquer esquina. O sistema de pagamento é essencialmente em dinheiro vivo. Cartões são aceitos em hotéis e restaurantes médios de cidade grande, mas em mercados de rua, mototáxis e pequenas pousadas é only. Sempre tenha notas pequenas — dividir conta de 450.000 dong com uma nota de 500.000 é um problema real de troco. Sobre vistos: o e-visa para brasileiros custa 25 dólares e leva de 3 a 5 dias úteis. Funciona para entrada única ou múltipla, dependendo da opção escolhida. O processo é pelo site oficial do governo vietnamita. Fuja de sites intermediários que cobram 50 ou 60 dólares pelo mesmo serviço — já vi gente pagando o dobro sem motivo.

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A questão que todo mundo esquece: a chuva

O Vietnam tem duas estações principais, mas o padrão de chuva é totalmente diferente no norte, centro e sul. No norte (Hanói, Ha Long, Sapa), a chuva concentra-se de maio a setembro com tempestades fortes mas curtas. No centro (Hue, Da Nang, Hoi An), o período chuvoso vai de setembro a dezembro e pode causar enchentes e deslizamentos — foi o que aconteceu em 2020 e 2024, fechando rodovias por semanas. No sul (Ho Chi Minh, Mekong), a chuva é mais previsível, de maio a novembro, com pancadas de tarde. Se você está planejando vietnam o que fazer e mora no Brasil, a melhor janela é fevereiro a abril. Tempo seco no norte, centro ainda razoável e sul começando a secar. É o período mais caro mas também o mais tranquilo em termos climáticos.

Transporte local: motos versus Grab

Alugar uma moto é a forma mais comum de se locomover em cidades médias como Hoi An, Hue e Da Nang. Mas há um detalhe importante: a polícia vietnamita aplica multas para estrangeiros dirigindo sem carta de habilitação internacional válida. A multa varia entre 500.000 e 1.000.000 dong. A chance de ser parado é baixa em cidades pequenas mas alta em Hanói e Ho Chi Minh. O uso de aplicativo como Grab funciona bem nas cidades maiores e evita esse risco, mas o preço sobe 3x em horários de pico. Mototáxi (xe om) é outra opção clássica. Negocie o preço antes de subir. Se o motorista disser "50 mil" e você entrar sem questionar, na chegada podem pedir 200 mil. Já vi isso acontecer repetidamente. A regra é: combine o valor antes, confirme depois, e se houver discrepancy, negocie calmamente na hora — a maioria dos motoristas prefere receber o combinado do que perder o passageiro e criar cena pública.

Para trajetos longos entre cidades, a Ferrovia Norte-Sul é uma experiência interessante mas lenta. Hanói a Ho Chi Minh leva cerca de 30 horas em trem. Os vagões dormitório custam entre 800.000 e 1.500.000 dong e são confortáveis se você não tiver medo de espaços apertados. A alternativa mais rápida e barata continua sendo o voo interno.

Dicas práticas que aprendi na marra

Um detalhe sobre crosswalks: no Vietnam, atravessar a rua parece insano mas segue uma lógica. Você anda devagar, mantém um ritmo constante, e os motoristas desviam. Parar no meio da pista ou correr são os dois erros mais comuns de estrangeiros. Ambos causam buzinas agressivas e situações perigosas. Ande devagar e reto. Funciona. Sobre água: beba apenas água engarrafada. A de torneira não é potável mesmo em hotéis caros. Reabasteça garrafas em filtros públicos que existem em muitas ruas — custam 5.000 a 10.000 dong e são limpas.

Energia: tomadores no Vietnam são tipo C e F (os mesmos da Europa). Se você vem do Brasil com plugue tipo N, vai precisar de adaptador. Power banks são úteis porque tomadas em cafés e restaurantes nem sempre estão disponíveis ou funcionam. Internet: compre um chip local no aeroporto. Viettel e Vinaphone são as operadoras mais confiáveis. Um plano de 30 dias com dados ilimitados custa cerca de 200.000 dong (cerca de R$ 60). O processo leva 10 minutos e você não fica refém do WiFi dos hotéis, que varia drasticamente em qualidade.

Erros que evitariam se soubesse antes

Se eu fosse de novo, faria três coisas diferentes. Primeiro: passaria mais tempo em Sapa e na região de Ninh Binh em vez de correr para Ha Long. Ninh Binh, conhecida como "Ba Vi em terra", tem paisagens de carste impressionantes e é muito menos turística que Ha Long. Custa menos e a experiência é mais autêntica. Segundo: não faria cruzeiro em Ha Long de dois dias. Faría um tour de um dia saindo cedo de Hanói e voltando no mesmo dia. Economiza dinheiro e evita a experiência mediocred de navio lotado.

Terceiro: reservaria todos os alojamentos com cancelamento gratuito antes de chegar. A temporada alta (julho-agosto e dezembro) esgota pousadas boas rapidamente, e chegar sem reserva significa aceitar o que sobrou — o que raramente é bom. Esse é o erro mais custoso que já cometi, e me custou duas noites num hostal barulhento em Hanói porque não havia nada melhor disponível. O Vietnam recompensa quem vai devagar. É um país que se sente melhorandose caminha do que correndo. Planeje com folga, leve dinheiro em cash, e aceite que parte da experiência é o caos organizado das ruas. O resto se encaixa.