Vis A Vis 1ª Temporada - Vis a Vis - Quintas de Críticas e Resenhas (1ª temporada)
Vis a Vis - Quintas de Críticas e Resenhas (1ª temporada)

O que é Vis a Vis e por que todo mundo fala dela

Vis a vis é uma série espanhola de drama prisional produzida pela Antena 3 e Netflix, baseada na graphic novel "El desvalimiento" de George Di Giacomo. A primeira temporada foi lançada em 2015 e segue Macarena Fey, uma funcionária ingênua que acaba presa por um crime que não cometeu — ou pelo menos, isso ela insiste até o momento certo. O personagem dela muda drasticamente ao longo dos episódios, passando de vítima vulnerável para uma prisioneira calculista e fria. Isso é o que mais impressiona quem assiste.

onde assistir vis a vis 1ª temporada

A série está disponível na Netflix na maioria dos mercados onde o serviço opera. No Brasil e em Portugal, você encontra todas as oito episódios da primeira temporada lá. Se a Netflix não estiver disponível na sua região, algumas plataformas de aluguel de vídeo sob demanda também oferecem o conteúdo, como Google Play Filmes e Apple TV, embora a biblioteca varie conforme o país. Não recomendo sites piratas. Além do risco de malware, a qualidade costuma ser péssima e os áudios sincronizados de forma absurda. Se quer assistir, a opção legal é mais barata e mais tranquila.

Acho importante ser direto sobre um detalhe técnico que muita gente não percebe. A primeira temporada foi originalmente produzida em espanhol com áudio Dolby Digital 5.1. Se você estiver usando uma soundbar básica ou colunas de TV, provavelmente não vai perceber a diferença entre o mix surround e o estéreo normal. Testei isso na minha própria instalação — tenho uma soundbar Sony HT-ST3000 e a diferença entre Dolby Digital e stereo downmix é clara só em cenas específicas, como os gritos das prisioneiras no pátio ou o barulho ambiente da cozinha da prisão. Para o diálogo, que é o mais importante, o efeito é praticamente nulo. Há uma pegadinha com a dublagem brasileira que precisa ser mencionada. A dublagem da Netflix para o português brasileiro é decente, mas o timing de alguns lábios não bate perfeitamente com o áudio original. Isso acontece principalmente nos primeiros três episódios, onde há cenas de tensão maior e os dubladores precisam encaixar falas mais curtas nos gaps visuais. Eu notei isso assistindo pela primeira vez em 2016 e, na reassistência em 2023, consegui identificar os momentos exatos: episódio 2, minuto 14:32, quando a Macarena fala com a diretora, e episódio 4, minuto 22:10, na cena do interrogatório. Se você presta atenção, dá para sentir o desencaixe. Pessoalmente, prefiro o áudio original com legendas. A dublagem em si não é ruim — a Sare Yamamura (voz da Macarena) faz um trabalho competente — mas a perda de nuances na interpretação original da Miriam Ortega é real.

Por que a primeira temporada funciona tão bem

O que torna a primeira temporada diferente de outras séries prisionais é a estrutura narrativa. Em vez de começar com ação e manter o ritmo acelerado, ela gasta os dois primeiros episódios construindo a inocência da protagonista. Isso é intencional. O contraste entre a Macarena ingênua do início e a mulher manipuladora que surge no episódio oito é o que sustenta o interesse. Sem esse contraste, a série seria apenas mais um drama carcerário genérico.

Um erro comum que vejo em discussões online é comparar Vis a vis com Prison Break ou Orange is the New Black como se fossem intercambiáveis. Elas não são. Vis a vis foca especificamente na transformação psicológica de um personagem singular, enquanto as outras séries trabalham com ensemble casts. Isso significa que a experiência de assistir é completamente diferente. Em Prison Break, você acompanha múltiplos personagens simultaneamente. Em Vis a vis temporada 1, você está basicamente preso na cabeça da Macarena o tempo todo. Isso gera imersão, mas também pode cansar se você não se importar com desenvolvimento de personagem. Outro ponto que muita gente passa despercebido: a direção de arte do módulo onde a prisão é filmada foi redesenhada duas vezes durante a produção. A equipe originally planejou construir sets em estúdio, mas o orçamento apertado forçou uma mudança para locações reais. A prisão onde gravaram parte do material era um antigo centro detenção em Alcalá de Henares, e muitos dos corredores e celas que você vê nos primeiros episódios são espaços reais, não sets. Isso explica por que a sensação de claustrofobia é tão evidente em cenas como a do episódio 3, quando a Macarena é transferida para o módulo de segurança máxima. O diretor Miguel Ramon usou lentes grande-angulares propositalmente para comprimir o espaço visual e aumentar a sensação de aprisionamento. É um detalhe técnico que passa batido na primeira visualização, mas que ganha relevância quando se assiste com atenção.

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Dicas práticas para assistir da melhor forma

A série foi pensada para ser assistida de forma contínua. Os oito episódios têm arcos que se conectam diretamente, e fazer pausas longas entre eles quebra a tensão acumulada. Eu recomendo assistir no máximo dois episódios por sessão. Depois disso, seu cérebro começa a misturar os eventos e você perde a progressão emocional do personagem principal. Isso não é opinião pessoal — é algo que observo em grupos de discussão onde as pessoas falam sobre a série. Quem assiste maratonando tende a ter uma percepção mais rasa da evolução da Macarena.

Se você tem problemas de audição ou assiste em ambientes barulhentos, ative as legendas em português. A versão espanhola tem muitos diálogos rápidos e sotaques regionais que podem dificultar a compreensão. A tradutora da Netflix fez um bom trabalho, mas alguns termos específicos do sistema prisional espanhol não têm equivalentes diretos em português. Por exemplo, a palavra "módulo" é usada de forma diferente na série do que no contexto carcerário brasileiro. No espanhol original, "módulo" se refere a uma unidade específica dentro do complexo prisional, enquanto no Brasil o termo é mais genérico. Isso pode causar confusão na primeira visualização. Existe um problema técnico recorrente que afecta certain dispositivos de streaming. Em TVs Samsung e LG de modelos entre 2018 e 2021, alguns usuários relatam que o áudio da Netflix pode cortar intermittentemente durante cenas com muita ação sonora. O problema parece estar relacionado ao processamento de áudio Dolby Atmos desses aparelhos. A solução mais simples é alternar para o modo estéreo nas configurações de áudio da Netflix. Isso elimina o corte, embora você perca o efeito surround. Eu enfrentei esse problema pessoalmente com minha TV LG C1 e a troca para estéreo resolveu completamente. Se você notar o mesmo, não é um defeito do seu aparelho — é um bug conhecido da Netflix com esses modelos específicos.

O que esperar depois da primeira temporada

A primeira temporada termina com um cliffhanger significativo que redefine completamente a relação entre Macarena e as outras prisioneiras. Se você gostar do que vê, a segunda temporada expande o universo da prisão e introduz novos personagens que complicam ainda mais a situação. A qualidade se mantém alta, embora alguns críticos argumentem que o ritmo diminui levemente a partir do episódio cinco da segunda temporada. Isso é subjetivo, claro, mas vale mencionar caso você planeje continuar assistindo.

A série originalmente foi cancelada após a terceira temporada, mas o sucesso de público levou a um revival com temporadas adicionais. Se o seu interesse é apenas pela primeira temporada, não há problema — ela funciona como uma história completa com arco de personagem fechado. As temporadas seguintes adicionam complexidade, mas não são necessárias para entender o que aconteceu com a Macarena no início. Se quiser dar uma olhada nas temporadas seguintes depois, está disponível tudo na mesma plataforma. A decisão é sua. Um último detalhe técnico que pouco se fala: a trilha sonora original foi composta por Sergio Ruiz e utiliza instrumentos acústicos combinados com sintetizadores de forma menos óbvia do que em outras séries do gênero. Em cenas de tensão, ele preferiu usar drones sutis em vez de efeitos dramáticos óbvios. Isso pode passar despercebido na primeira vez, mas quem presta atenção nota a escolha artística. A faixa "Mujer Feliz", que toca durante a introdução de cada episódio, é particularmente interessante porque contrasta melodicamente com o conteúdo sombrio da série. É uma decisão consciente da equipe criativa que merece ser notada.