Alice No Pais Das Maravilhas Historia - Alice no País das Maravilhas. História Completa PDF Lewis Carroll
Alice no País das Maravilhas. História Completa PDF Lewis Carroll

A origem por trás do clássico que todo mundo conhece de nome

O livro foi escrito por Charles Lutwidge Dodgson, um professor de matemática do Christ Church College em Oxford, que escreveu sob o pseudônimo Lewis Carroll. A história começou de forma bem específica numa tarde de julho de 1862, durante um passeio de barquinho pelo Tâmisa com as irmãs Liddell. Alice Liddell, a menina de dez anos que estava na embarcação, pediu que ele contasse uma história. Ele contou uma versão inicial sobre uma menina que caía por um buraco e encontrava criaturas estranhas. A versão manuscrita que surgiu dali, chamada originalmente de "Alice's Adventures Under Ground", era bem diferente do que conhecemos hoje — tinha apenas doze capítulos e as ilustrações eram dele mesmo, em lápis. A publicação só aconteceu em 1865, pela editora Macmillan. O sucesso foi maior do que Carroll esperava, mas ele nunca ficou totalmente satisfeito com a primeira edição. As cores das gravuras do primeiro tiragem não ficaram boas por causa dos problemas de impressão da época, então ele revisou o texto e contratou John Tenniel para refazer todas as ilustrações na segunda edição, de 1867. Essa segunda versão é a que serve de base para praticamente todas as reimpressões até hoje.

alice no pais das maravilhas historia — os detalhes que poucos conhecem

Acho importante mencionar que a obra tem camadas que passam despercebidas. Carroll era obcecado por lógica formal e jogos de palavras. Cada personagem e situação tem raízes no que ele estudava e praticava. O coelho, a Alice, a Borboleta — tudo tem um propósito que vai além do enredo superficial. A famosa cena do chá, por exemplo, tem uma base matemática ligada a inversões e simetrias. Muitas pessoas lêem o livro e acham que é só um conto infantil. Na verdade, Carroll queria que fosse entendido como uma sátira à educação da época, especialmente àquela baseada em memorização sem compreensão. Eu já li várias edições diferentes e, num certo momento, comprei uma cópia rara da primeira edição inglesa porque estava curiosíssimo para ver como as ilustrações originais se comparavam às de Tenniel. O contraste era impressionante. As gravuras originais são mais esquemáticas, quase esboços. As de Tenniel são detalhadas e dão ao livro uma estética que ficou canônica. Quando você vê as duas lado a lado, entende que a versão que conhecemos como "a oficial" na verdade é uma rejeição parcial da versão original do autor.

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Outro ponto que as pessoas costumam ignorar: Carroll escreveu uma sequência, "Through the Looking-Glass", em 1871. Nesse segundo livro, a Alice já é uma menina um pouco mais velha e o cenário é um tabuleiro de xadrez. Os personagens seguem a mesma lógica de inversões, mas o tom é mais sombrio. A rainhavermelha é ainda mais agressiva do que a torta-da-rainha. Isso mostra que Carroll estava refinando constantemente suas ideias sobre o mundo de Alice. A obra teve impacto enorme na cultura britânica e depois mundial. Vários autores subsequentes citaram Carroll como influência direta, desde Oscar Wilde até os modernos surrealistas. Filmes, peças de teatro e até estudos acadêmicos dedicados à obra foram produzidos ao longo dos anos. É um dos livros mais estudados e adaptados da literatura inglesa.

Se você quer ler algo mais próximo do original, a primeira edição manuscrita está disponível digitalmente na British Library. O texto completo em inglês pode ser encontrado em projetos de domínio público como o Project Gutenberg. Existem traduções brasileiras de qualidade, mas cuidado com edições mais recentes que costumam cortar trechos ou alterar diálogos para "modernizar" o conteúdo — isso estraga a experiência completa de leitura.