As Celulas Da Epiderme Da Folha - As Celulas Da Epiderme Da Folha - RETOEDU
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Observando epiderme de folhas: o que realmente importa no microscópio

A maioria dos alunos e até alguns professores novatos compram laminaires prontas de epiderme de Tradescantia ou de Allium e acham que está pronto. Não está. O problema começa no momento em que você precisa montar a préparação e terminar com a classificação celular. As celulas da epiderme da folha são estruturas estáticas, mas a forma como você as extrai e vê define se vai distinguir os guardas das subsidiárias ou se vai ter apenas um amontoado de paredes celulares sobrepostas. O método que eu uso e recomendo é de raspado direto ou Peel com adesivo. Você pega uma folha madura, vira do lado abaxial, passa uma lâmina de bisturi ou lâmina de barbear na diagonal e faz uma pressão leve. O filme que solta é a epiderme. Transfere para a lâmina, coloca uma gota de azul de metileno diluído (uma parte para dez de água destilada), espera trinta segundos, lava com água corrente e monta em meio aquoso. Não use água sanitária para clarificar, isso destrói os estômatos. Eu já vi gente fazer isso e depois reclamar que não encontrava os poros.

Como analisar as celulas da epiderme da folha na pratica

Quando você olha no microscópio óptico, o primeiro erro é ajustar a luz com o diafragma totalmente aberto. Feche um pouco. A diferença entre ver as paredes celulares e não ver é só o contraste. As células epidérmicas são justapostas, sem espaços intercelulares significativos, com contorno irregular no caso das angiospermas dicotiledôneas e mais retangulares nas monocotiledôneas. Os estômatos aparecem como pares de células guarda, geralmente reniformes em dicotiledôneas e em formato de haltere nas monocotiledôneas. Isso é diferente do que aparece em lâminas de Allium, onde você vê apenas epitélio simples sem estômatos, porque Allium é usado para mitose, não para anatomia foliar. Um detalhe que ninguém conta nos livros didáticos: a cutícula. Se a lamina vier com excesso de gordura ou resíduo de mesófilo grudado, a luz refrata errado e parece que as células estão "sujas". O correto é fazer uma segunda montagem com uma gota de xilol ou substituto menos tóxico, como o limoneno, por cinco segundos e recolocar em meio aquoso. Resolve em dois minutos.

A contagem de índice estomático também costuma ser mal feita. O protocolo errado é contar estômatos em três campos aleatórios e achar que representa a folha inteira. O certo é definir uma área conhecida com micrômetro ocular, fazer pelo menos dez campos ao longo de três regiões diferentes da lâmina e calcular a relação entre células guarda e células epidérmicas normais. A variação entre o limbo e a base pode ser de até trinta por cento em espécies como Phaseolus e Nicotiana, então amostragem pontual é erro científico. Outra coisa que eu aprendi na marra: folha cerosa. Espécies com muita cutícula, como Magnolia ou Nymphaea, não coram bem com azul de metileno. O corante não penetra. Nesses casos, use vermelho de rutenio ou faça um squash em KOH a dez por cento por dois minutos antes de corar. O KOH amolece a cutícula e o mesófilo remanescente, facilitando a visualização. O inconveniente é que o KOH dissolve tecidos moles rapidamente, então o tempo tem que ser controlado. Se deixar cinco minutos, você perde a arquitetura toda.

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Para registro fotográfico, o problema mais comum é aberração cromática e foco irregular. Use objetiva de cem vezes com óleo de imersão, não de quarenta e nove. A resolução cai e as células guarda ficam sem definição de borda. Ajuste o condensador com aba de campo Fechada até ver o diâmetro do Diafragma de field. Isso centra o feixe e elimina halos. Fotos que eu já fiz sem esse ajuste pareciam boas em tela de computador, mas ao imprimir em papel fotossensível ficavam borradas nas bordas. Perdendo dados importantes de morfologia estomática.

Pegadas e limits praticas

Não adianta forçar preparação em folhas suculentas como Aloe ou Sansevieria. O parênquima aquífero impede o descolamento da epiderme. Você rasga tudo e não obtém lâmina contínua. Para essas espécies, o caminho é secção transversal e coloração com safranina e azul de metileno em série, mas aí você deixa de ver a face epidérmica e passa a analisar a disposição em corte. Também é importante saber que plantas homostomáticas e anisostomáticas se comportam de formas diferentes. Em espécies homostomáticas, as células subsidiárias têm tamanho semelhante ao das guarda. Em anisostomáticas, como as da família Brassicaceae, há duas subsidiárias dispostas perpendicularmente ao poro. Identificar isso exige boa resolução e plano de foco estável. Se o microscópio tiver estádio mecânico frouxo, você perde o plano entre a célula guarda e a subsidiária e acaba classificando errado.

Se o seu laboratório não tem microscopia direta, existem bancos de imagens de referência, mas eles não substituem a montagem prática. A experiência de lidar com a lâmina, perceber a textura, ajustar a luz e ver o artefato aparecer quando algo está errado é o que constrói competência real. Sem isso, você decorinha tipos estomáticos e não consegue resolver problemas quando a preparação não sai como o livro mostra.