Os Cavaleiros do Zodíaco: Anime original está disponível na Netflix ...
O que você realmente precisa saber sobre assistir Saint Seiya
O anime original de 1986 tem 114 episódios divididos em arcos claros: Santuário, Nuvens Obscuras, Eclíptica, Hades, Camêleos e Último Battleground. A maioria das pessoas começa pelo Santuário e desiste na metade porque o ritmo vacila. Não desista. O problema é estrutural, não criativo.
Cavaleiros do Zodiaco anime: como navegar pelas versões disponíveis
A história real se estende além dos episódios 114. Os estudiosos da franquia sabem disso. O arco de Hades foi animado diretamente em vídeo (OVA) em duas partes lançadas entre 1997 e 2006. Depois veio a série Hades: Inferno e Purgatório em 3D com qualidade irregular, e finalmente a reestreia Saint Seiya: Knights of the Zodiac produzida por Toei a partir de 2018. Cada versão tem defeitos específicos.
A versão que eu recomendo para quem quer ver a narrativa completa é: anime de 1986 (episódios 1-114) + Hades OVA (13 episódios na primeira parte) + Hades Chapter 2 (23 episódios na segunda parte). Os OVAs de Hades são direcionados por Shigeyasu Yamauchi, não por Kinji Yoshimura, o que muda completamente o tom visual. O resultado é mais sombrio, mais lento, mas muito mais fiel ao manga de Masami Kurumada do que o material da TV.
O problema prático que eu encontrei na primeira vez que assisti Hades foi que a numeração dos episódios OVA não bate com a numeração oficial do site da Toei. Eu tentei assistir na ordem que um streaming qualquer apresentava e perdi o fio da meada porque o episódio 7 do OVA Hades é, na verdade, o episódio 13 contando desde o início da produção. A solução foi consultar a lista de episódios no site oficial da Toei Entertainment e montar minha playlist manualmente. Isso leva cerca de 15 minutos e evita confusão permanente.
Outra coisa que ninguém explica direito: os DVDs regionais do Saint Seiya original no Japão têm trilhas sonoras diferentes dependendo da edição. As versões lançadas pela Bandai Visual em 2003 usam arranjos modificados da trilha de Shiro Sagisu que alguns fãs consideram inferior aos álbuns originais de 1986. Se você liga para assistir por causa da música, procure as edições que mencionam explicitamente "original soundtrack" ou "1986 mix" na descrição. A diferença é audível nos primeiros cinco minutos.
Arco por arco: o que esperar e onde a coisa desmonta
O arco do Santuário funciona bem até o episódio 91. A partir daí, a produção da Toei começou a improvisar porque o mangá ainda estava em publicação e o estúdio não tinha o roteiro completo. O resultado são dois episódios (92 e 93) que são essencialmente reimaginações sem base nos quadrinhos. Eu pessoalmente pulei esses dois desde a primeira vez que assisti. Não faz diferença na compreensão da trama porque a história segue naturalmente para os arcos seguintes a partir do episódio 94.
O arco das Nuvens Obscuras (episódios 94 a 104) é onde muitos desistem. A animação cai drasticamente. Os personagens falam menos. A tensão narrativa quase some. Mas é o arco que introduz os Cavaleiros de Prata e estabelece o conceito de Cosmos de forma mais clara do que qualquer outro segmento. Se você quer entender por que os personagens lutam como lutam, preste atenção aqui. O episódio 100 em particular contém uma explicação sobre o sétimo senso que o próprio Kurumada reconheceu como uma das mais precisas adaptações do mangá.
O arco de Camêleos (episódios 105 a 111) é tecnicamente canônico dentro do anime mas não aparece no mangá. Kurumada escreveu os roteiros diretamente. A qualidade da animação varia de decente a ruim, mas as cenas de ação têm coreografia mais interessante do que a média do série. Vale assistir. O último episódio da série original (114) é um especial de Natal com qualidade questionável, mas ele encerra um arco de filler que muitos fãs consideram necessário para o clima da final. Eu assisto inteiro todas as vezes.
Hades: a adaptação que todo mundo recomenda sem explicar o porquê
Os OVAs de Hades cobrem os arcos do Inferno e do Purgatório do mangá. A produção começou em 1997 e terminou em 2006. São 13 episódios na primeira parte e 23 na segunda. A animação em cel tradicional dá ao projeto uma textura visual que a versão em 3D de 2014 não consegue replicar. O design dos Cavaleiros de Bronze mantém a aparência clássica, enquanto os Cavaleiros de Ouro aparecem com design mais próximo do mangá do que da série de TV.
O erro mais comum que eu vejo novatos cometerem é tentar assistir Hades logo de cara. Se você nunca viu o anime original, os personagens parecem genéricos e as motivações não fazem sentido. O arco de Hades depende completamente do vínculo emocional que o espectador constrói com Seiya, Shiryu, Hyoga, Shun e Ikki durante os 114 episódios iniciais. Sem esse contexto, as mortes e os sacrifícios soam vazios. Eu já vi isso acontecer em grupos de estudo que eu participei online. Pessoas que entraram direto por Hades abandonaram após o terceiro episódio porque não conseguiram se importar com ninguém.
Um detalhe técnico importante sobre os OVAs: a parte do Purgatório (episódios 14 a 23) foi lançada diretamente em DVD sem estreia televisiva. Algumas plataformas de streaming incluem apenas a primeira parte e omitem o restante. Antes de começar a assistir, verifique se o catálogo completo está disponível na plataforma que você está usando. A diferença entre ter ou não os episódios do Purgatório é a diferença entre uma história completa e uma história cortada no ponto mais importante.
O que fazer quando você quer ir além do anime
O mangá original de Saint Seiya foi serializado na Weekly Shonen Jump de 1986 a 1990. Ele contém cenas que o anime jamais adaptou, especialmente no arco de Poseidon. A adaptação para anime do arco de Poseidon é considerada por muitos fãs como a mais bem resolvida da série, mas o mangá oferece contexto adicional sobre a relação entre os personagens e os Deuses do Mar que enriquece significativamente a experiência.
Se você terminar o anime e quiser continuar, o caminho mais direto é ler o mangá a partir do capítulo 1. A história se autocontém e não exige que você tenha visto os OVAs de Hades para entender os primeiros arcos. O problema é que o mangá termina em 1990 e não cobre eventos posteriores que Kurumada escreveu em spin-offs e sequências. O material posterior (Saint Seiya Next Dimension, por exemplo) tem qualidade irregular e não é considerado canônico pela maioria dos fãs.
A franquia tem traduções oficiais em português brasileiro disponíveis em algumas plataformas de streaming. A dublagem brasileira é considerada por muitos como superior à japonesa em termos de Performance vocal, especialmente para os personagens principais. A escolha entre dublado e legendado depende inteiramente do que você valoriza mais. Eu pessoalmente assisto o original dublado e os OVAs de Hades também na versão brasileira, mas essa é uma preferência pessoal sem fundamento objetivo forte.
Problemas reais que você vai enfrentar
Disponibilidade de streaming no Brasil é instável. Títulos entram e saem dos catálogos sem aviso prévio. Eu recomendo que, se você encontrar uma versão completa do anime original em uma plataforma, faça uma lista dos episódios antes de começar a assistir. Isso evita a frustração de estar no episódio 50 e descobrir que a série simplesmente desapareceu do catálogo.
A qualidade de fontes alternativas varia muito. Torrents e ripagens encontradas em fóruns frequentemente têm sincronia de áudio problemática, especialmente nos OVAs de Hades onde a mixagem original foi refeita várias vezes. Se você notar que o áudio está fora de sincronia com a imagem, o problema provavelmente está no arquivo em si, não na sua configuração. Trocar de fonte resolve em geral.
Existem três filmes theatrais de Saint Seiya lançados entre 1987 e 1989. Eles são fillers completos que não se relacionam com a história principal. Alguns fãs insistem que vale a pena assistir porque expandem o universo. Eu pessoalmente não recomendo. O tempo gasto nesses filmes poderia ser melhor usado revisando episódios do arco do Santuário que receberam tratamento apressado na animação original e merecem uma segunda olhada com mais atenção.