Como construir a conclusão de forma eficiente
A primeira coisa que você precisa fazer antes de escrever qualquer frase de fechamento é revisar o argumento central que sustentou todo o seu texto. A conclusão não cria nada novo. Ela retoma a tese, sintetiza os pontos principais e fecha a proposta de intervenção. Ponto. Se você gastar tempo demais tentando ser original nessa última parte, vai acabar contradizendo o que escreveu nos parágrafos anteriores. Já vi isso acontecer repetidamente em correções de redação, especialmente quando o candidato tenta introduzir uma ideia nova por falta de conteúdo para finalizar. O modelo de conclusão de redação segue uma lógica simples mas exige precisão. Você precisa de três componentes obrigatórios: a retomada da tese em no máximo duas frases, a síntese dos argumentos desenvolvidos nos parágrafos de desenvolvimento, e a proposta de intervenção completa com todos os seus elementos. Essa estrutura é padrão no ENEM e em muitos outros vestibulares brasileiros. Funciona porque exige objetividade. Quem domina esse formato consegue terminar a prova com pelo menos dez minutos a mais para revisão.
modelo de conclusão de redação
Existem variações aceitáveis dentro dessa estrutura. Alguns corretores aceitam que a retomada da tese seja implícita, ou seja, que você não repita a tese palavra por palavra mas deixe claro que está fechando o argumento. No entanto, para candidatos iniciantes, recomendo a forma explícita. É mais seguro. A ambiguidade na tese final gera perda de pontos na competência 5 do ENEM, que avalia justamente a proposta de intervenção. Minha recomendação prática é dividir o tempo. Se você tem trinta minutos para escrever a redação inteira, reserve no máximo quatro ou cinco minutos para a conclusão. Isso significa que a estrutura precisa estar quase pronta na sua cabeça antes de começar a escrever. Se você parar para pensar no que vai escrever na hora, o tempo acaba e a conclusão fica truncada ou incompleta. Um candidato comum com prática moderada consegue escrever uma conclusão sólida em cerca de três a quatro minutos. Sem prática, leva o dobro disso e frequentemente corta algum elemento obrigatório.
Aqui vai um detalhe que poucos levam em conta: a conexão entre a síntese dos argumentos e a proposta de intervenção precisa ter coerência causal. Não adianta listar os problemas e depois apresentar uma solução que não se relaciona com eles. Se o primeiro parágrafo de desenvolvimento tratou da falta de investimento público em saúde mental e o segundo falou do estigma social, a proposta de intervenção precisa abordar ambos os aspectos. Uma solução que fala apenas de um deles perde points por incoerência temática. Outro erro frequente é a proposta de intervenção vaga. Frases como "é necessário conscientizar a população" ou "o governo deve agir" soam bonitas mas não passam na análise criteriosa. Você precisa especificar o agente, a ação, o meio ou modo, o fim e, se couber, a etapa de execução. Por exemplo: "O Ministério da Saúde, em parceria com as secretarias estaduais, deve implementar campanhas de conscientização nas redes sociais, com periodicidade mensal, durante dois anos, visando reduzir o estigma associado às doenças mentais entre jovens de quinze a vinte e quatro anos." Essa proposta tem todos os elementos requeridos.
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Encontrei um problema específico há alguns meses corrigindo rascunhos de candidatos que estavam se preparando para o ENEM. Vários deles incluíam sugestões impossíveis de implementar dentro do escopo governamental brasileiro, como "criar um ministério dedicado exclusivamente a determinado tema". Isso gera perda de pontos por viabilidade. A solução que indiquei foi sempre pedir para eles reformularem usando estruturas já existentes, como secretarias, conselhos ou programas federais. É melhor propor algo real dentro de uma estrutura existente do que sugerir uma reforma institucional impossível. Quando se trata de modelos prontos para decorar, tenho uma posição diferenciada. O ENEM e outros grandes vestibulares punem fortemente modelos prontos, especialmente aqueles que circulam amplamente na internet. Se o padrão começa a aparecer em milhares de redações idênticas, os corretores identificados trechos decorados. O modelo de conclusão de redação que funciona é aquele que você constrói com base nos argumentos que realmente desenvolveu. Decore a estrutura, não o texto.
Uma informação útil sobre o timing: a conclusão deve ser escrita antes de você finalizar a revisão geral. Muitos candidatos escrevem a conclusão por último e acabam correndo, deixando falta de pontuação, erro de concordância ou esquecimento de algum elemento da proposta. Recomendo escrever a conclusão com calma, revisá-la rapidamente, e só então fazer a releitura geral do texto inteiro focando em ortografia e coesão. Esse processo leva cerca de cinco minutos adicionais e evita erros bobos que custam pontos valiosos. Há ainda uma limitação importante a considerar. Esse modelo de conclusão funciona perfeitamente para redações dissertativo-argumentativas, que são a grande maioria das provas. Para competições que pedem abordagem narrativa, como alguns concursos literários ou provas de disciplinas específicas, a estrutura é diferente. Não tente encaixar uma conclusão dissertativa em um texto narrativo. O resultado será confuso e o corretor perceberá imediatamente a desconexão de gênero textual.
Se você está começando agora, pratique a escrita da conclusão separadamente do resto da redação. Pegue temas antigos do ENEM, escreva apenas a conclusão em três minutos e verifique se todos os elementos estão presentes. Esse treino isolado acelera muito a aprendizagem. A maioria dos estudantes que faz esse exercício por duas semanas consecutivas melhora significativamente a velocidade e a qualidade da parte final do texto.