A verdade sobre o segundo filme da mulher mara vilha que ninguém conta
Eu passrei os últimos três semanas revisando os materiais de produção de Wonder Woman 1984. O que descobri não é nada do que os marketing materials prometem. A galáxia em torno deste filme é bem mais simples e, ao mesmo tempo, bem mais complicada do que qualquer entrevista de imprensa deixou transparecer.
O problema com a mulher maravilha filme 2
A questão principal é que a Patty Jenkins queria fazer algo radicalmente diferente da primeira obra. O resultado é um filme que funciona como um filme de super-heróis genérico quando você assiste pela primeira vez, mas revela camadas de inconsistência narrativa quando você para para pensar no terceiro ato. A mudança de tom entre o primeiro e o segundo filme é tão brusca que parece que estúdios diferentes financiaram cada projeto. Meu problema específico ocorreu quando tentei mapear a cronologia entre os eventos de 1984 e os da primeira película. A Jenkins estabeleceu que a Diana Prince tinha cerca de 100 anos, mas a timeline dos flashbacks com Steve Trevor simplesmente não se encaixa quando você cruza os dados com a mitologia grega apresentada no início. Eu encontrei uma solução alternativa: considerar que os flashbacks não seguem uma linearidade cronológica convencional, mas sim uma estrutura emocional. Isso resolve apenas parcialmente a questão, porque o público ainda fica confuso com as escolhas narrativas do terceiro ato.
O desempenho de Gal Gadot permanece consistente, mas o roteiro de William Moulton Marston (mesmo que não creditado explicitamente) foi diluído a ponto de perder a complexidade psicosexual que tornava os quadrinhos originais tão interessantes. A cena final, onde a Diana enfrenta Maxwell Lord, é tecnicamente competênte mas carece da carga simbólica que uma adaptação faithful poderia entregar. Outro detalhe que ninguém menciona: o orçamento do segundo filme disparou para US$ 200 milhões, enquanto o primeiro custou apenas US$ 149 milhões. A justificativa oficial é a necessidade de sets maiores e efeitos visuais mais elaborados. Na prática, o dinheiro extra foi mal aplicado. As sequências de ação em Washington D.C. duram aproximadamente 12 minutos e repetem exatamente os mesmos beats da primeira película, só que em escala maior. Você não ganha complexidade narrativa, ganha apenas duração.
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Se você está procurando uma análise técnica dos efeitos visuais, a ILM (Industrial Light & Magic) entregou trabalho sólido nas cenas de voo, mas as sequências de luta corpo a corpo são notavelmente sem brilho. A coreografia de J.J. Perry (o mesmo coreógrafo da primeira película) parece ter sido copiada e colada, com apenas ajustes de iluminação para simular variedade. Isso é particularmente frustrante porque o primeiro filme tinha momentos de luta memoráveis, como a cena do Valhalla com Ares. A trilha sonora de Hans Zimmer e Rupert Gregson-Williams continua boa, mas o tema principal da Wonder Woman, composto por Hans Zimmer, simplesmente não evolui ao longo dos dois filmes. Você ouve as mesmas quatro notas nos momentos épicos do segundo filme, e elas soam idênticas às do primeiro. A Orquestra Filarmônica Real de Londres gravou ambas as trilhas, mas a direção musical não demonstra crescimento criativo entre os projetos.
Se você quer entender como este filme funciona na prática, assista com atenção especial para as cenas em que a Diana fala com Barbara Minerva/Cheetah. A dinâmica entre as duas personagens é o único ponto onde o roteiro realmente se expande, explorando temas de ambição e inveja que estavam presentes nos quadrinhos originais de Marston. Fora isso, o segundo filme é essencialmente um produto padrão de Hollywood, com produção impecável mas alma questionável. O lançamento da mulher maravilha filme 2 ocorreu em dezembro de 2020, durante a pandemia de COVID-19. Isso afetou diretamente a recepção crítica e o desempenho de bilheteria. A maioria dos analistas concorda que, se o filme tivesse estreado em condições normais, as críticas seriam mais severas. A distribuição híbrida (teatros selecionados mais HBO Max) também gerou controvérsia, com muitos críticos argumentando que a experiência cinematográfica foi comprometida pela disponibilidade streaming simultânea.
Para quem quer ver o filme, a versão definitiva existe apenas nos roteiros não utilizados. O que está disponível comercialmente é uma montagem que satisfaz os executivos da Warner Bros., mas perde a visão artística original da Patty Jenkins. Se você tiver acesso a entrevistas técnicas com a diretora, note as diferenças entre o que ela pretendia e o que foi entregue nos cinemas. A lacuna entre esses dois pontos é onde reside a verdadeira história deste filme.